by Paula Pfeifer

A vida é a arte de resolver tretas

21/06/2017

Ando com saudade de ter tempo para vir aqui e escrever posts enormes, cheios de dicas boas ou pensatas interessantes. Não consegui postar sobre a ida à Lisboa como gostaria e amanhã vou a Paris – mais uma vez a falta de tempo me faz viajar sem planejamento. E eu sempre fui aloka das viagens detalhadas, do tipo que sabia qual seria a programação em cada dia e cada hora. Not anymore. 🙁

Ultimamente ando com esse pensamento fixo: a vida é a arte de resolver tretas! Quando uma se dá por resolvida surgem mais cinco, e tem dias que você não sabe se vai ao mercado, ao psiquiatra ou à depilação primeiro. Prioridades, prioridades. Mas como escolher o que priorizar? O que paga as contas, ou o que te faz feliz? O que simplifica a vida ou o que alimenta a alma? As amigas ou o cachorro? O marido ou o sono atrasado? Os livros empilhados ao lado da cama ou o seriado do Netflix? A vontade de ser mãe ou o desejo de fugir para uma caverna sem wifi? Ah, talvez seja melhor uma sessão de mindfulness, mas putz, ainda não atingi esse nível de elevação espiritual. Quanto maior o mix e o nível das tretas, maior a minha ansiedade. Tem jeito não…

Ando precisando ser mais slow motion, e o irônico é que, quando era, não dava valor algum a isso. Pelo contrário, ridicularizava a mim mesma pelo fato de não estar com a agenda abarrotada de compromissos inadiáveis e tarefas urgentes. Como pode? O ser humano é mesmo um bicho doido.

Quero escrever no meu diário mas o artigo de marketing digital é mais importante. Quero fazer textão no Sweetest mas preciso finalizar a semana do Crônicas da Surdez. Quero ler um livro gostoso mas preciso responder 37 emails. Quero bater papo com as amigas no WhatsApp mas se ficar online qualquer um me vê e me chama e se não responder, estarei sendo mal educada. Quero namorar o marido na santa paz de Deus mas os dois precisam acordar às 6 no dia seguinte. Quero relaxar vendo bobagem no Facebook mas hoje os adultos responsáveis devem matar tempo no Linkedin. Oh, céus.

A vida é tão corrida, as horas passam tão rápido e a gente se transforma em expert na arte de resolver tretas, uma atrás da outra, nonstop. O corpo reclama, a mente reclama, a alma pede socorro e a gente continua lá, fingindo estar firme e forte, enquanto faz uma série de agachamentos porque senão a bunda cai. E se a bunda cair, aí já viu o tamanho da treta extra que sem pra resolver. É mole?

48 amaram.

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