by Paula Pfeifer Cabelo Dermatologista Sweetest Things

Queda de cabelo: minha experiência com o eflúvio telógeno crônico

11/01/2017

A queda de cabelo é um golpe duro na autoestima de um ser humano. Os homens já crescem interiorizando melhor essa possibilidade, mas nós mulheres não digerimos esse fato tão bem. Nunca fui uma Elba Ramalho em termos capilares, mas sempre tive bastante cabelo, lutava com o volume excessivo, com os redemoinhos, etc. De uns tempos pra cá, comecei a notar que sequer consigo repartir o cabelo no meio, como sempre fiz. O único jeito possível é de lado, pra dar uma disfarçada básica na…falta de cabelo!

Juro pra vocês que dói o coração ver essa montagem abaixo. Não consigo acreditar que há poucos anos atrás eu era cabeluda e, pasmem, até tinha cabelo comprido. Quero meu cabelo de volta, aaaaaarrrrghhhhhh!!!! Na adolescência, era difícil achar um elástico que prendesse todo o meu cabelo; hoje em dia posso prender tranquilamente com o elástico que uso pra prender o micro topetinho do meu cachorro 🙁

Minha dermatologista no Rio de Janeiro é a Dra. Leticia Castagna – nos encontramos numa dessas ironias da vida, e ela também veio lá de Santa Maria, acreditam? Esta semana estive no consultório para falar sobre isso (e para atualizar o Botox, que eu amo). Acabei encomendando um post sobre o meu problema, pois sei que também é o problema de muitas de vocês: o eflúvio telógeno crônico ou agudo.

O eflúvio telogeno é uma causa comum de queda de cabelo, principalmente em mulheres. Nessa doença os cabelos costumam cair em grande quantidade e de forma difusa, provocando diminuição da densidade de fios do couro cabeludo. Muitos pacientes chegam ao consultório bastante preocupados, alguns até levando os cabelos que caíram, para mostrar ao médico.

Os nossos cabelos ciclam em 3 fases principais. Crescimento, repouso e queda ocorrem de forma simultânea, de tal forma que enquanto cabelos caem, outros nascem e crescem. Por isso a quantidade de fios no couro cabeludo costuma ser constante ao longo da vida. O eflúvio ocorre quando há uma rápida transformação dos pelos em fase de crescimento para fase de queda, de uma só vez. A queda pode acontecer de forma abrupta, ou crônica. As causas para explicar esse processo são diversas, incluindo dietas muito restritas, uso de alguns medicamentos (alguns remédios para pressão alta, para tratar espinhas, vacinas), deficiência de minerais e vitaminas, doenças sistêmicas (doenças da tireoide, rins e fígado, por exemplo), após parto, cirurgias, infecções. O estresse pode sim  ser a causa do eflúvio em alguns casos, ou um agravante em outros. Mas para justificar a queda como causada pelo estresse,  é necessário excluir os outros fatores.

O diagnóstico do eflúvio é confirmado pela biópsia do couro cabeludo, um procedimento simples, realizado no consultório médico. A criteriosa avaliação por um dermatologista, a anamnese, o exame dermatoscopico do couro cabeludo e dos fios, e exames laboratoriais são fundamentais para juntar as peças do quebra-cabeça e estabelecer um diagnóstico. A partir daí o tratamento para cada caso específico será avaliado e discutido com o paciente. Existem diversas formas de tratamento, desde remédios tópicos, injeções, suplementação vitamínica, uso de medicamentos orais e lasers.

Os casos agudos costumam ser mais fáceis de tratar, os crônicos apresentam uma evolução mais arrastada, exigindo tratamentos combinados e muita disciplina por parte do paciente. Os vasos sanguíneos levam oxigênio e nutrientes para todos os órgãos do nosso corpo. Quando apresentamos alguma deficiência nutricional, ou de vitaminas e minerais específicos o organismo “prioriza” o suprimento desses nutrientes para órgãos vitais, como o coração e os pulmões, por exemplo, deixando de lado estruturas menos “nobres”, como cabelos e unhas.

É como se o corpo estivesse passando por um período de crise, cortando o que considera desnecessário. Como consequência os cabelos caem, em quantidades variáveis. Para o diagnóstico geralmente são necessários, além do exame clínico e dermatoscopico, exames de sangue ou até biópsia do couro cabeludo. O tratamento deve ser específico, às vezes fazendo suplementação vitamínica, outras com medicamentos orais ou tópicos. O primeiro passo é consultar um dermatologista, para fazer uma avaliação clínica e dermatoscopica. O ideal é reavaliar a cada 3 ou 4 meses e comparar os resultados dos tratamentos, manter o que tiver dando resultado, trocar o que  não está e associar terapias. Converse com seu dermatologista e tire todas as suas dúvidas.”

 

evolucao-cabelo

 

Tenho eflúvio telógeno crônico, que é uma rarefação progressiva dos cabelos, com perda da quantidade total dos fios. Não são percebidas falhas justamente por ser uma perda difusa – e foi isso o que me fez demorar tanto pra pedir socorro e iniciar um tratamento. Comecei na segunda-feira mesmo. 10mg de Biotina diárias (estou tomando do laboratório Ache) + ácido fólico + shampoo manipulado + solução manipulada de minoxidil e outras substâncias.

Meus exames de sangue estão no limite inferior para algumas coisas, como ferritina, por exemplo. Também vou suplementar. O ano passado foi complicado demais na minha vida, mas não posso creditar esse cabelo minguado ao stress somente. Até porque, quando cheguei no Rio, em dezembro de 2014, eu ainda tinha cabelo comprido e, comparado com o atual, farto! Os últimos dois anos é que foram fatais.

Em setembro, no dia em que tirei a foto que mostra como o meu cabelo está em 2016, decidi passar a tesoura e cortei na altura do queixo. Agora ele só fica legal se faço escova puxando os fios pra cima e finalizo com shampoo seco de volume (uso Dove ou Batiste). Tá bem sofrido. Ao natural, fica uoh – e a essa altura do campeonato não sou louca de fazer escova progressiva pra domar. Já cresceu um pouquinho, mas as entradas laterais parecem cada dia maiores. 🙁

A Letícia me disse que cada folículo está com uma casquinha, mas que não é dermatite. Me mostrou a foto do couro cabeludo e meodeos, que medo. Cada fio está tão sensível que se eu puxar um fiozinho nem preciso fazer força para que ele caia… Que saudade de arrancar um fio de cabelo e crescerem três no lugar. Atualmente nem os fios brancos tenho coragem de arrancar, rsrsrs!

Enfim, gurias, vou tentar TUDO o que estiver ao meu alcance pra não perder ainda mais cabelo (mas morro de nervoso do tal do microagulhamento). Não me sinto mais EU com esse cabelo que me restou e emocionalmente é bem difícil lidar com isso. Se puder dar uma dica a quem está na mesma situação: não esperem tanto para procurar ajuda. Quanto antes, maiores as chances. Se alguém for do Rio e quiser o contato da Dra. Letícia, me avise.

40 amaram.

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14 Comentários

  • Responder Renata Carlos Ferreira 11/01/2017 at 5:18 pm

    Perua, quando vejo minhas fotos de 4/6 anos atrás, vejo a quantidade de cabelo que eu tinha mas não tenho mais, e o pior, que eu nem vi perder. Meu cabelo não cresce, tá minguado, vivo invejando o cabelo alheio. Me identifico muito com o teu post.

    • Responder Paula Pfeifer Moreira 17/01/2017 at 8:18 am

      Vai la na Raissa ver isso, nao demora tanto quanto eu!

  • Responder carina 11/01/2017 at 5:35 pm

    Oi Paula.
    Então, sofro com calvície androgenética e passo pela mesma saga em busca de tratamentos e modos de pentear o cabelo que não façam surgir as falhas (no meu caso elas existem).
    Infelizmente, para nós mulheres a influência do estresse é real e brutal para a perda do cabelo, acaba que não apenas o tratamento junto ao dermato, mas também o emocional tem que ser levado a cabo. O problema é que temos fases de estresse ou desafios emocionais que não tem jeito, só com tempo e resiliência para passar.
    No mais, de todos os tratamentos que fiz, essa suplementação de biotina + minoxidil + avaliação dos nutrientes em baixa foi o que mais deu resultado. Uma dica que aprendi que é super em conta é o Centrum mulher, que tem a biotina, riboflavina e vários outros nutrientes essenciais para a recuperação do cabelo por um valor bem acessível. Massagem no couro cabeludo para ativar a circulação e shampoos a base de mentol e cafeína tb.
    Boa sorte no tratamento!

    • Responder Paula Pfeifer Moreira 17/01/2017 at 8:18 am

      Adorei a dica do Centrum mulher!!!! Obrigada Carina!

  • Responder Tata 12/01/2017 at 5:16 pm

    Paula, eu tenho alopecia androgenetica e se nao tomar finasterida + pilula, meu cabelo cai horrores. Ja fiz injeções no couro cabeludo e hoje faço microagulhamento, o que dá um resultado legal, mas nunca poderei parar o tratamento. Torço para que descubram algo novo e eficiente logo! beijo!

  • Responder Caroline Martines Garcia 13/01/2017 at 12:41 pm

    Poxa Paula….. Estamos juntas nessa….. e com história praticamente igual.
    Eu ainda não tenho o diagnóstico do Eflúvio, mas parece que deve ser isso, pois não é alopécia… meus exames estão todos OK.
    Acho legal você compartilhar pois acho que quando dividimos, o fardo fica mais leve.
    Não está fácil, não vou mentir pra você. Já fui pro Hospital com crise de ansiedade, pentear o cabelo virou tortura. Tenho medo de vento no cabelo!!!! Tem dias que só encostar a mão já cai…. 🙁
    Estou fazendo quase o mesmo tratamento que o seu. Essa semana eu voltei na dermato e ela mandou eu passar o Minoxidil com alguns outros componentes tb, mas estou morrendo de medo, acredita? por causa do Sheeding incial que muita gente tem. Se cair mais do que está caindo, ah eu fico careca.
    Você já começou a usar?

    • Responder Paula Pfeifer Moreira 17/01/2017 at 8:17 am

      Comecei ontem, oremos! Vou passar mais nas laterais onde o cabelo quase nao nasce e, o que nasce, nao cresce mais que 4, 5 cm!

  • Responder Cleonice 23/01/2017 at 6:16 pm

    Paula, a minha família tem uma genética terrível de cabelo ralo.
    Em 2010 eu tive uma queda de cabelo gravíssima, a minha mão não fechava de tanto cabelo que eu juntava no box ao lavar o cabelo, nem queria lavar por que eu chorava e estava emocionalmente muito abalada. Mulher sem cabelo é a coisa mais triste que tem.
    Minha mãe dá pra ver o couro da cabeça dela.
    Minhas tias iguais.
    Eu fui em tudo quanto é médico, fiz inúmeros exames e ninguém resolveu.
    Em uma viagem a EUA eu comprei o nioxin shampoo e condicionador de 1 litro o número 4 que era para meu tipo decabelo.
    Já estou no 2 litro e uma coisa posso dizer feliz da vida, meus cabelos não caem mais e ainda eles estão nascendo e crescendo.
    Nioxin é um tratamento por que ao longo dos anos o couro cabeludo necessita de tratamento perdemos cabelo naturalmente, pode pesquisar sobre o nioxin acredito que você vá gostar.

    https://www.nioxin.com/pt-BR/proven-solutions/3-part-hair-thickening-treatment/system4

    https://www.amazon.com/Nioxin-System-Cleanser-Therapy-Treated/dp/B002O0D8P8?th=1

    Tem todo o tratamento, eu na época não estava muito segura e sem tanto dólar para investir só comprei o shampoo e o condicionador que saia bem mais barato comprando os dois juntos e me surpreendi muito com o resultado.
    Não desista, há solução.
    Deus abençoe que você consiga

    • Responder Paula Pfeifer Moreira 24/01/2017 at 4:39 pm

      Cleo, vou testar!!!! Obrigadíssima pela dica

  • Responder Claudia 08/02/2017 at 12:19 am

    Paula,

    Tem umas ampolas suíças na drogaria Iguatemi./SP A moça que trabalha em casa estava com alopécia. Comprei para ela e melhorou muito. Custavam em torno de 500 reais, mas duravam muito. Se te interessar, busco o nome para você.

  • Responder SweetCare: cosméticos direto de Portugal sem taxas 02/03/2017 at 10:11 am

    […] têm a ver, obviamente, com essa maldição de queda de cabelo. Já postei em detalhes sobre o Eflúvio Telógeno Crônico. Consultei minha dermatologista, comecei a fazer a suplementação (ferro, ômega 3, biotina), […]

  • Responder Bruna Sassi 12/05/2017 at 6:53 am

    Paula! Encontrar o seu blog é encantador. Não só pelo alento, como pelas informações, assim como pela sua coragem de se expor. Eu estou com o mesmo diagnóstico, ETC e minha vida virou um drama, até em depressão estou. Estou testando algumas coisas mas parece que não tem jeito, passado o estresse os fios que já iam cair, cairão. Parabéns pela escrita!!!

  • Responder Fernanda 30/08/2017 at 5:11 pm

    Olá Paula.
    Tenho ETC. A queda aguda iniciou em novembro de 2016 e tornou-se crônica. Gostaria de saber se o seu tratamento está surtindo efeito. A minha causa parece ser devido a stress, pois já fiz todos os exames de sangues possíveis e não acusa nada. No início algumas taxas estavam baixas, porém após uso de vitaminas as taxas estão boas e nada da queda melhorar.
    Já fui em vários médicos e nenhuma luz no fim do túnel.
    bjs

  • Responder Andrezza 04/11/2017 at 6:29 pm

    Oi Paula. Tudo bem?
    Obrigada por transmitir informações .
    Esotu sofrendo com uma queda aguda e ainda não fui diagnosticada. Já consultei 3 dermatologistas na minha cidade e cada um deu um dagnostico e um tratamento distinto. Estou tomando pantogar+ noripurun ( ferro)+ biotina 5 mg.
    Poderia me dizer se o seu tratamento tem surtido efeito?
    Muito obrigada
    bjos

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