Fashion

Old is the new black

11/03/2015

Carmen Dell’Orefice na capa e recheio da L’Officiel Azerbaijão me deixou de queixo caído: modelo há 66 anos e ainda tacandolepau aos 80. Não é para qualquer uma. Enfim, a velhice me encanta de muitas formas. Morando em Copacabana (bairro recordista em moradores da terceira idade) me pego observando diariamente as pessoas e como elas manejaram o seu envelhecimento. Alguns parecem crianças, outros são tão embrutecidos. Enquanto alguns tiveram a sorte da saúde nessa época da vida, outros guardam suas dores com bravura – e ajuda da família e cuidadores. E nós, ‘jovens’, seguimos com alguns pensamentos errôneos e até meio burros sobre os nossos avós.

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Não gosto do termo ‘velho’. Prefiro ‘vivido’. Aguentar firme e forte as provações dessa vida até os 80, 90, 100 anos não deve ser tarefa fácil. O que me intriga é: à medida em que o tempo passa, mais sinto que não sei de nada e mais dúvidas tenho, sendo assim, como será que uma pessoa de 70, 80 anos se sente sobre isso? A mídia agora entrou numa fase de glamourizar a velhice, ‘old is the new black‘ e coisa e tal. Mas o que eu gostaria de ler mesmo são depoimentos destas pessoas. Como viveram suas vidas, o que aprenderam, o que ainda gostariam de realizar, com que sentimento levantam da cama todas as manhãs, se sentem medo da morte, como administram as lembranças e a saudade que sentem daqueles que já se foram.

Minha avó passou cinco dias comigo e tivemos oportunidade de conversar bastante. O sentimento que tive foi: ‘que coisa estranha, o tempo passou‘. Ainda me sinto uma criança quando estou com ela, mas hoje é ela quem precisa de atenção e cuidado. Aos 80 anos, ainda conta histórias do tempo em que meu avô era vivo (33 anos atrás) com o mesmo brilho nos olhos de quando eu era pequena. Caminhamos devagar, tivemos nossos momentos de silêncio conjunto, ela me deu conselhos dos seus tempos de casada e vejo nela muito de mim. Não sei se chego aos 80 mas, caso isso aconteça, espero ser uma mistura de Carmen Dell’Orefice com Therezinha Veras. Minha geração teve a presença constante dos avós na vida e em casa. Que sorte a nossa!

29 amaram.

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2 Comentários

  • Responder Janise 11/03/2015 at 6:51 pm

    Oi, Paula! Infelizmente, não tive a oportunidade de conhecer nenhuma das minhas avós. E sei que isso faz falta: amor de mãe é único, mas o de avó, é especial. Sempre leio que as avós estragam os netos por mimarem. Minha mãe foi uma super avó dos filhos da minha irmã. Aí é que vem mesmo a vontade de ter conhecido as mães dos meus pais. Um grande abraço.

  • Responder Manoel Cintra 12/03/2015 at 1:17 am

    Com 68 anos,compartilho destes sentimentos.

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