Myself

Não sei qual é o sentido da – minha – vida

24/11/2015

Depois que esse texto apareceu na minha timeline do Facebook e li, me deu um alívio. Não sou a única perdida da face da Terra, ao que parece. Qual é o seu propósito? Qual é a sua missão? O que você veio fazer aqui? Não sei, não faço a mínima idéia. A verdade é que as pessoas costumam se definir através de frases simplistas e muitas vezes toscas, que em geral não têm significado preciso e nem dizem muita coisa. Exemplos clássicos: “Sou mãe“, “Sou esposa“, “Sou coloque-sua-profissão-aqui“. E a gente não é específica nem unicamente nada disso, porque é o lado de dentro que conta e ele não se restringe a essas definições. Como o propósito da vida de alguém pode ser apenas cuidar de criança, passar os dias num trabalho chato mas que paga as contas ou sei lá mais o que? O buraco é mais embaixo. Pelo menos, o meu.

Eu estaria mentindo se dissesse que não passei por uma puta crise de identidade ao vir pro Rio. À medida em que máscaras e camadas foram caindo e se dissipando, comecei a me entender melhor. Um bom exemplo: a gente não é o nosso trabalho e é muito raro que ele seja a nossa missão. Quando cheguei, carregava uma identidade de “treze anos na Receita Estadual” como se isso me colocasse numa categoria superior iluminada das ‘pessoas que trabalham num emprego sério’. Grandes merdas. A única coisa boa do serviço público não passa de ilusão aconchegante: uma falsa sensação de segurança. Sabe aquilo do aposentadoria-garantida-não-vou-morrer-de-fome? Pois é. Tem gente muito mais feliz ganhando dez vezes menos. Aqui, as pessoas me perguntavam: “O que você faz?” e essa perguntava me matava! Esses dias o Lu disse para alguém na minha frente que eu era ‘blogueira’ e quase tive um colapso. O que eu sou, afinal? Não sei. Quanto mais busco respostas, mais confusa fico. E no fim das contas essa confusão vem me transformando de um jeito que eu não sabia que existia.

Ter certezas é quase tão ridículo quanto dizer ‘nunca’. O fato de ter chutado minha vida inteira pro alto pra poder viver meu grande amor me esfregou isso na cara. Em alguns dias os ‘será que?’ me reduzem a um serzinho apavorado que fica pensando freneticamente e quando vê já tá encolhido em posição fetal. Em outros, eles me fazem sentir a pessoa mais corajosa de todas por ter tido cojones de sair da zona de conforto. VIVER, de verdade, não é pros cagões. E eu, que sempre me achei uma cagona-medrosa de primeira linha, me surpreendi com uma força louca que me empurrou pra longe de tudo o que tinha consolidado pra começar de novo, do zero. O que essa viagem me fez entender é que as idéias que temos sobre nós mesmos são apenas historinhas que contamos para nos convencer de que estamos fazendo a coisa certa ou caminhando na direção certa. Aí fico achando que a VIDA é um tipo sexy irresistível que aparece num cruzamento da nossa estrada e diz: ‘Sobe na garupa da minha Harley, baby!’. Eu subi, e confesso que por mais apavorante que o caminho venha parecendo, me sinto mais atraída por ele do que pelo destino final. Deus me livre de, aos 70 ou 80 anos, olhar pra trás e sentir vergonha de ter tido medo de pagar pra ver. Meu propósito agora é viver um dia de cada vez. Coisa que venho fazendo desde que nasci, mas que, até então, fazia com raiva e sem aceitação. Só consigo pensar no Dr. Seuss dizendo ‘Don’t cry because it’s over, smile because it happened’. Não dá pra viver de apego: nem ao passado, nem ao presente. A beleza é entender que o nosso caos interno é simples: tudo muda o tempo todo, inclusive a gente. Minha missão? Impossível.

95 amaram.

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8 Comentários

  • Responder Fernanda 24/11/2015 at 3:31 pm

    Oi Paula! Estou te escrevendo pq sei bem o q é este sentimento, duvida e angustia! Acho que é normal para todo o ser humano (ou a parte pensante) se questionar sobre a própria vida e escolhas. Eu tenho estudado isso há 2 anos, investido em meu autoconhecimento e autodesenvolvimento e tenho encontrado por mim mesma as respostas que faltavam em mim, e além disso o incentivo para sair além da zona de conforto, sair da zona do umbigo, e aprender a olhar e compreender melhor o outro. Meu modo de ver e entender a vida mudaram muito, assim como meus relacionamentos interpessoais. Mas isso é uma busca unica e pessoal, e só depende da sua vontade e esforço, coragem para se autoenfrentar e crescer como ser humano. Caso se interesse, no Rio tem o IIPC – onde dentre outros assuntos, é estudada a programação de vida ou missão como popularmente é chamada. Só não espere respostas prontas, tenha suas próprias experiências! Espero que possa ter te ajudado e nunca deixe de questionar!! Um grande abraço

  • Responder Renata 24/11/2015 at 4:30 pm

    Minha nossa Paula..É terrível mesmo. Eu já passei muito por isso. Qual o sentido da vida? Cheguei a uma conclusão pra mim…Na boa..nao tem sentido algum. Algumas pessoas se acham melhores que outras e acreditam que sua vida tem mais “sentido”, ou pq são as “mães sofredoras que morrem pelos rebentos” e vc não tem nem um cachorro…Ou são as “amo o meu trabalho” e vc tá desempregada. No fundo, são vidas tão rasas como a de todos nós. Só se escondem sobre essas capas.
    Qto ao profissional..Realmente a maioria apenas paga as contas. E nem digo uma simples maioria..mas um acachapante 99%. São poucos os felizes que realmente fazem o que amam. Acredito que os meros mortais apenas aprendem a gostar do que fazem. Mas, a sua profissão pode não ser o sentido da vida, mas é o que te situa na sociedade e o que paga suas contas.
    bjs

  • Responder Verônica 24/11/2015 at 11:10 pm

    Esse texto vem em boa hora, estou passando por uma crise.
    Esse ano tem sido difícil. Estou tentando buscar essa força/coragem para abandonar meu emprego público, que traz essa sensação de “estabilidade” que você falou, mas que ao mesmo tempo não me proporciona mais nenhuma alegria. Trabalhar em ambiente político é extremamente desgastante, mas o pior é ter que aturar bajuladores que só estão lá por causa de alguém. Pessoas traiçoeiras, que não acrescentam absolutamente nada e pior tramam para prejudicar outras que são suas “contrárias”. Sei que isso tem em todos os lugares, mas ter que trabalhar junto com essas pessoas é deprimente, é como se estivesse suja de lama junto com elas.
    E ao mesmo tempo estou sentindo essa insegurança de recomeçar. Tenho medo de não conseguir nada, porque não tenho exatamente um plano traçado.
    Queria fazer uma nova faculdade, fonoaudiologia, porém preciso passar primeiro no vestibular e o curso é período integral, 4 anos! Como já estou com 30, não posso ficar desempregada. Porém se não for agora, não será nunca. Estou me sentindo sem propósito, acuada numa sinuca de bico.

  • Responder Liege 26/11/2015 at 10:33 am

    Eu sempre penso isso. Mas cada vez que penso, tento sair do meu umbigo e esqueço disso rápido…. Essa tempo para filosofar sobre o sentido da vida só temos qdo a gente não se ocupa com outro (e não estou falando de filho, marido ou nossos bichinhos de estimação). mas outros q não conhecemos: crianças com câncer (ler histórias p elas, por exemplo), velhinhos em asilos, alimentar, levar ao veterinário ou mandar castrar bichos abandonados (depois devolver à rua, se não tem como adotar), ajudar a ongs de bichos nas organizações de feira de adoção…enfim, agir pelo outro ser vivo. Daí a gente tem menos tempo de pensar no sentido da nossa vida, vivendo a do outro…

  • Responder Loris 26/11/2015 at 5:48 pm

    Isto tudo vem provar que voce nao e nada mediocre
    Nao sabemos nada quanto mais estudamos sentimos que sabemos cada vez menos
    Alem do mais somos humamos confusos
    As crises e duvidas vao e voltam
    Sucesso querida

  • Responder Miria 04/12/2015 at 7:49 pm

    Amei ! No words…

  • Responder Marina G Ribeiro 15/12/2015 at 10:46 am

    So proud of you…

  • Responder Textos interessantes que vi por ai - E mais nada | por Daya Lima 01/02/2016 at 7:04 pm

    […] afinal de contas, quem sabe, não é mesmo? Esse texto é curtinho e pra você não se sentir sozinho no mundo. Me senti bem mais confortável em saber […]

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