by Paula Pfeifer Sweetest Things

Melancolia de fim de ano

26/12/2016

Todo ano é o mesmo arrependimento: por que diabos não viajei dia 20 com passagem de volta marcada pro dia 2 de janeiro? Não sou e nunca fui fã de festas de final de ano. Elas me lembram uma imagem de Facebook que diz “let’s fake things are okey till the holydays are over!“. Conheço pessoas que são super felizes e têm experiências fantásticas com Natal e Ano Novo, mas esse nunca foi meu caso. Se eu gostaria de mudar isso? Com a mais absoluta certeza! O problema é que essas datas dizem respeito à família e aí, meu povo, que o bicho pega. Se a sua é de comercial de margarina, meus parabéns. A minha não me deu esse prazer (parênteses aqui pra agradecer a minha vó Tereca pelo seu esforço monumental para que isso acontecesse desde que me conheço por gente). E eu nunca me esforcei para dar à essa época um significado um pouco além disso. Em dezembro, todos os fantasmas e recalques de infância e adolescência voltam possuídos para me assombrar.

Esse ano foi especialmente mais difícil, pois foi meu primeiro Natal sem a mãe. E era ela a pessoa que curtia decorar a casa inteira, colocar nossos presentes debaixo da árvore, produzir a árvore, montar uma mesa linda pra ceia, exagerar na quantidade de itens (sobrava comida pra umas 20 pessoas), deixar o ambiente com aquele jeitinho kitsch que, por mais brega que seja, acalenta a alma. Não consegui nem montar uma árvore. Fugi como o diabo da cruz do que tivesse pegada natalina. Não comprei nenhum presente. Não dei a mínima e fingi que nada estava acontecendo, que era agosto, setembro, sei lá.

A melancolia de final de ano, pra mim, é inevitável. Primeiro, porque somos pressionados a fazer um balanço do ano que está acabando – e convenhamos que 2016 foi tipo filme de terror, não só pra mim, pra todo mundo. Segundo, porque nos sentimos meio que obrigados à interações familiares que nem sempre são fáceis – aliás, sejamos sinceros, na maioria das vezes são dificílimas e desgastantes. Terceiro, porque bate aquela deprê ‘o que estou fazendo com a minha vida?‘ que é bad vibe garantida. Quarto, porque o ano novo está ali batendo na porta e você se vê obrigado a traçar metas, objetivos, planos, datas e a criar uma positividade a jato que às vezes nem existe. Que saco.

Esses últimos dias me ensinaram que posso fingir à vontade que o sentimento verdadeiro bate à porta sem pedir licença. No meu caso, foi ontem, com direito a crise de choro solitária de longas horas de duração. O Chupacabra de Natal me pegou e me deixou miando em posição fetal, literalmente. Só consegui melhorar um pouco depois de transcrever pra um caderno trocentas passagens grifadas do livro O Poder do Subconsciente, vejam só – pra mim funcionou melhor que Rivotril.

Em 2016 ganhei kilos. Perdi – ainda mais – cabelo. Adquiri rugas. Me decepcionei. Chorei piscinas. Aprendi a ser só de um jeito novo. Confesso que não me reconheço mais, virei uma pessoa nova que ainda é MUITO estranha até para mim mesma. Em 2017, espero sobreviver do jeito que der. Sem cobranças cabulosas. Sem obrigações desnecessárias. Sem “sim” que quer dizer “não”. Sem esse pessimismo monstruoso que carreguei nas costas nos últimos 365 dias como se fossem uma cruz colada com SuperBonder. Já tô por aqui desse meu karma de ter que transformar peso em leveza.  Pega leve, 2017, pelamordedels.

63 amaram.

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3 Comentários

  • Responder candida 26/12/2016 at 4:05 pm

    Concordo contigo…também não curto…..as mesmas questoes colocadas….. Que venha abençoado 2017!!!!! bjjjjoooo

  • Responder Gisselle 27/12/2016 at 8:17 am

    Me identifiquei totalmente! Também nunca curti muito as festas de fim de ano, sempre senti um quê de tristeza, não sei porque, mesmo não estando passando por nenhum perrengue.
    Mas neste ano está ainda pior, uma semana antes do natal, meu relacionamento de 6 anos que, no fundo eu esperava virar algo mais, terminou. Então não estou no menor clima de comemoração, mas tem aquela obrigação de se reunir com a família, etc. O pior é ter que ficar contando a história, explicando, etc… ao mesmo tempo tendo a “obrigação” de dar um rumo diferente pra vida aos 34 anos (casar, formar família, etc.).
    Um saco mesmo! Pensei a mesma coisa que vc Paula… se pudesse eu pulava esses dois finais de semana de festa (para os outros), que pra mim, não são nenhum pouco festa.
    Mas força na peruca, né! Vamos tocando!
    Beijo!

  • Responder Rosi Germann 28/12/2016 at 10:15 am

    Amei e me identifiquei muito!!! sempre nessa época do ano vem todas as misérias passadas e daí não tem jeito, é choro na certa! pobre do marido que tem que aguentar! beijo querida!

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