Amor Myself

Gratidão

17/10/2016

Li por aí que gratidão é uma carta de amor que você envia para o Universo. Faz sentido. Esses dias sentei no terraço de casa e fiquei olhando as estrelas. Me peguei pensando na minha mãe, se ela está bem onde quer que esteja, essas coisas. Pedi: “Mãe, me dá um sinal!”. Cataploft, uma estrela cadente bem na minha cara, o que me fez cair aos prantos no ato – a última vez em que vi uma foi há quatro anos e estávamos juntas. Não é que eu acredite em sinais, simplesmente não vivo sem eles e os recebo o tempo todo. No velório, rezei baixinho e pedi que, se estivesse bem e feliz, me fizesse ver borboletas e passarinhos e sentir cheio de incenso. Algumas semanas atrás, na esquina da Nossa Senhora de Copacabana com a Figueiredo, uma borboleta azul pousa no meu nariz e então sai voando exuberante no sentido contrário da avenida – voltei pra casa rindo e chorando de gratidão. Inúmeras vezes estava em situações nas quais, do nada, surgia algum pássaro lindíssimo no meu raio de visão que parecia estar fazendo uma dança só pra mim. E o cheiro de incenso? Surge do além em alguns passeios que faço com o Pikachu.

Os últimos tempos têm sido difíceis e tristes, com madrugadas em claro chorando, com um desassossego sofrido e uma falta de sentido pesada de carregar. A experiência da morte da pessoa com quem eu tinha a ligação mais forte de todas foi cruel, inesperada e devastadora. Saí do meu eixo e não voltei mais. Me sinto como uma criancinha que tenta entrar num carrossel em movimento – tento, tento, não consigo, paro e fico só olhando o carrossel girar. A sensação, há meses, é de que a cabeça pifou e a alma saiu do lugar.

A morte é uma professora malvada que te faz querer tocar fogo na escola mas que, na formatura, você percebe que foi a única que te ensinou o que de fato precisava aprender e vai ser útil até o fim. A morte é aquela professora que marca e que faz diferença no jeito como você passa a viver a vida.

Entristecer dá medo, porque a nuvem de desânimo demora a sumir – e para algumas pessoas, nunca some. Fico achando que vou ser uma delas, mas não quero. Uma amiga muito querida me disse há quatro dias que preciso fazer aquele exercício dos 30 dias sem reclamar. Um mês apenas prestando atenção nas coisas pelas quais devo ser grata, que me deixam feliz e que juntam os cacos da minha existência agora.

Gostei da missão e me propus a ela. Bastam cinco minutos daqueles bem atentos para que a gente perceba o quanto é abençoado. Inclusive me toquei que larguei de mão um dos maiores presentes que a vida me deu, que foi o Sweetest Person. Bateu uma vontade louca de reativar o site, voltar a escrever, fazer coisas novas. Why not? Sinto saudades de vocês, sweeties. 🙂

A verdade é que a morte é uma grande porcaria que bagunça tudo, mas nela está embutida uma chance de recomeço, que recém começo a vislumbrar.

76 amaram.

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11 Comentários

  • Responder renata 17/10/2016 at 4:11 pm

    A professora que mais ensina…realmente…é por ai mesmo. As lições mais difíceis são as mais importantes. E a gente sai com akela sensação de ser imbatível…de “se passei por isso..encaro qq coisa”.
    Força ai. Vc já enfrentou muita coisa. A dor não passa, mas com o tempo se transforma numa companhia mais agradavel.
    bjs no coração

  • Responder Jordana Freire 17/10/2016 at 4:31 pm

    Escorreu uma lágrima aqui.
    Que palavras lindas!
    Tenho certeza que a nossa Tizzi está em um lugar muito bonito e alegre, te abençoando e vibrando em cada conquista.
    Te amo

  • Responder Marcela de Vasconcellos 17/10/2016 at 7:29 pm

    O que precisar, quando precisar, é só falar.
    Nem é obrigatório precisar, não tem que ser necessidade, pode ser só vontade mesmo, só egoísmo puro. Me chama.
    Você vai sair do outro lado desse túnel muito mais forte, mais feliz, mais firme e outra mulher. Juro.

  • Responder Regina 17/10/2016 at 7:45 pm

    Sei bem a sensação, eu ja perdi meu pai há muitos anos atrás, foi como perder meu chão, esse ano perdi uma pessoa importantíssima na minha vida, uma pessoa que reencontrei depois de muito tempo, e achei que ficaríamos juntos para sempre, que o universo estava nos dando uma segunda chance, não conseguia acreditar na minha perda, não conseguia chorar, me sentia fora do meu corpo, como se não fosse eu, porque era inconcebível isso acontecer , minha cabeça também está fora do lugar e meu coração …….. não sei se um dia vai se recuperar.

  • Responder Mare 17/10/2016 at 8:46 pm

    Perua, acabei de comentar com uma amiga que hoje na aula de yoga fiquei pensando no que a morte me ensinou..

  • Responder Sacha Santos 17/10/2016 at 10:03 pm

    Paulinha, me identifiquei no parágrafo onde tu falas sobre o carrossel. Tu traduziste a sensação que eu sinto direitinho! Pra mim, pelo menos, é sempre estranho estar viva. Pensar que eu estou viva e quem eu amo não. É algo que eu não consigo entender mesmo. Só nos resta muita terapia e viver… Viver muito e viver tudo para ir encontrando as respostas pela vida.
    Muita luz pra ti!

  • Responder Carol Kimura 18/10/2016 at 8:36 am

    Paula, cheguei ao seu blog por uma pesquisa sobre gastronomia no RJ. E me deliciei com todas as suas dicas e acabei acompanhando toda sua história com a sua mãe. E como fiquei triste em te ver passar por tudo isso, e hoje ao abrir seu blog me deparei com essa linda mensagem… Tenho certeza que não deve ser fácil, mas imagino o quanto sua mãe deve estar orgulhosa em te ver dando essa chance ao recomeço!! Sucesso e paz no coração,

  • Responder Carol 18/10/2016 at 4:17 pm

    Quaaantos dias passo aqui e nada! Que bom que voltastes 🙂

  • Responder Marisol Cantorna 19/10/2016 at 5:53 am

    Feliz de vê você no meu e-mail! Saudades ! Bjs

  • Responder lucy almeida 21/10/2016 at 4:46 pm

    oi linda. vc tem provas e mais provas que ela esta bem. para de sofrer e chorar e aprenda a aceitar pois quando vc sofre, ela sofre muito mais e isso que vc quer. ?, por isso ela te manda provas. entendeu ou nao.
    alem disso vc tem um marido que te ama e sofre com voce;. Ha perdas temporarias um dia todos se encontram.
    tenha fe e seja feliz. te amo linda
    lucy

  • Responder Juliana 26/10/2016 at 9:55 am

    Que bom que vc está de volta, senti sua falta….

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