Dicas de viagem Viagem

Dicas práticas para uma trip à Índia: a jornalista Marília Levy abre o diário de viagem e o coração

08/04/2012

Marília Levy. Você que gosta de moda e acompanha as principais revistas brasileiras sobre o assunto já ouviu falar desse nome – ou, no mínimo, já leu dezenas de matérias escritas por ela e não lembra. Essa paulistana de 30 aninhos ama viajar, e sua última trip foi para o lugar mais místico de todos: Índia. Acompanhei a viagem pelo Instagram da Marília e percebi o quanto ela saboreou de verdade cada minuto. Tenho a sensação de que vocês vão gostar tanto quanto eu do texto suave e delicioso que esta jornalista aquariana (desbravadora por definição né?) preparou pra gente contando um pouco da sua experiência. 😉

 

“Dizer que uma visita à Índia muda você não é apenas clichê como também muito pouco para definir a experiência.  Talvez por isso a dificuldade em escrever sobre. Super contente com o convite da Paula, resolvi me dedicar (depois de muita procrastinação) ao post sobre o país aqui para o Sweetest Person, blog que eu adoro!  A questão é: ir à Índia não é um “evento” que se encaixa na categoria turismo. Pulo a parte do restaurante sensação de Nova Delhi, o look do momento em Mumbai ou em qual boate se jogar em Agra, dando aquela “esticadinha” depois do Taj Mahal. Porque simplesmente não há. Os restaurantes servem as mesmas – e deliciosas- refeições vegetarianas, o look é sempre o sári (em delirantes e hipnóticas  variações de cores), e não existe noitada, balada ou coisa que o valha. Nem sequer o consumo de bebida alcoólica é visto com bons olhos. Então, ofereço meu relato sobre o que vi, vivi e senti da Índia, mas fico devendo os tais hotspots, porque esses, meu bem, são os internos, os insights que você tem ao pisar nesta terra onde tudo é sagrado, milenar e incrível.

E o tanto que me perguntam: “Mas índia? Porque India?”, com olhar de espanto. A resposta é tão absurda quanto a indagação, bem ao estilo “Porque eu quis, ora bolas!”. A verdade é que a Índia sempre me fascinou. Desde criança. Me lembro de folhear encantada um livro sobre hinduísmo que minha mãe mantinha carinhosamente esquecido na estante. Acho que todo mundo (ou quase todo mundo) que tem por volta de trinta anos tem pais que flertaram com o movimento hippie e toda a onda da mística oriental que rolou nos anos 70. Pois bem, aquela estética toda (deuses serenos, alguns de pele azul, com quarenta braços, uns dançando, outros tocando flauta porém todos com um sorriso calmo e inabalável nos rostos) me conquistou por completo desde a primeira mirada. Pensei logo comigo, com a obstinação de uma mente aquariana aos seis anos: “um dia vou visitar esse país”. Muito tempo passou. Virei jornalista. Continuo aquariana. E tanto meu signo solar quanto minha profissão carregam uma virtude (às vezes defeito) em comum: queremos experimentar tudo. O jornalista ouve falar da viagem à Lua com ônibus espacial fretado pela NASA. Já trata logo procurar o credenciamento para se cadastrar, quem sabe não rola uma press trip, não é mesmo? Aquariano fica sabendo que o bacana é se hospedar em um hotel de gelo na Finlândia, dá logo um Google pra saber mais e vai sonhando com as próximas férias no iglu. Então não espere nada menos que surpreendente de uma jornalista aquariana. Não basta ter um fascínio e um sonho. Tem que ir lá e conferir. Foi o que fiz.

Em uma noite de dezembro de 2011, depois de vinte horas de voo, fui recebida no aeroporto de Delhi por uma rajada de vento gelada e um motorista sikh, com aquele inconfundível turbante, barba e bigodes enormes. Ele me cumprimentou com a reverência “Namastê”, se sentou na direção do lado direito, à inglesa, e me conduziu ao hotel. Pela janela via uma megalópole, urbana, mas com riquixás motorizados e coloridos, placas escritas em alfabeto não identificável e monumentos gigantes de deuses hindus. O ar é denso e doce. O trânsito é um caos incompreensível ao nosso entendimento, onde a buzina é apenas um meio de comunicação entre os motoristas e animais, portanto usada à exaustão por todos e a todo o momento.  Meu primeiro pensamento foi “estou em outro planeta”.

 

Delhi. É como a cidade é chamada por todos. Essa história de New Delhi é bobagem de ocidentais. A realidade é que “nova” é a parte posterior aos ingleses e a outra já havia antes dos britânicos. Além de capital política é o epicentro nervoso do país, onde está explícita a multiplicidade religiosa e há muito contexto histórico para ser explorado. Dentre os pontos turísticos estão: um templo hinduísta, um sikh, uma mesquita muçulmana e um templo espiritual. Detalhe: todos os maiores do mundo em suas categorias. Meio que o umbigo do mundo em termos religiosos. Esse templo espiritual é conhecido como Templo de Lótus (www.bahai.in) , tem o formato da flor e faz homenagem à todas as religiões existentes no planeta. A mensagem que fica é que não importa com que cara o seu deus se manifesta, no fim das contas ele é um só. A praça onde está o túmulo de Gandhi é passagem obrigatória. A não violência é sempre o melhor caminho para a saída de qualquer conflito, uma pena que algumas nações ainda não tenham absorvido esse conhecimento.

 

Depois visitei a opulência do Rajastão (Jaipur, Jodhpur, Udaipur), região onde viviam os marajás, Agra (vale absurdamente, mas só e apenas por causa do Taj Mahal), Pushkar, Ranthambhore, Kota, Bundi, Chittaugaurgh e até andei de camelo no deserto em Jaisalmer. Não satisfeita, ainda curti uma praia no Oceano Índico, em Varkala, depois de Trivandrum, no extremo sul do país, onde fazia o maior calorão, oposto do clima que enfrentei durante toda a viagem, que ao todo durou 28 dias. Mas falar disso tudo não seria um post e sim uma segunda versão da Bíblia, ou melhor, do Bhagavad Gita. Então vou falar da cidade que eu mais amei. Amor daquele num grau que o olho enche d´água e o coração se aquece forçando a mente a pensar:  “mas porque raios que eu voltei mesmo?” Varanasi. A cidade das luzes. Tem até um livro que comprei lá (e ainda não li, tá na fila dos outros quatrocentros e setenta e quatro): Baranasi, City of Lights,de Diana L. Eck.

Na minha opinião, Varanasi é o lugar que melhor traduz a Índia. Passei lá apenas três dias, mas se soubesse o quanto é mágico e especial teria destinado ao menos uma semana pra ela no roteiro. A religiosidade, o encantamento, os rituais. A ligação de extremo respeito e adoração que todo um povo tem por… um rio. O Ganges é para os indianos “pai, filho, espírito santo” e mais um pouco, o que faz da cidade uma verdadeira Meca do hinduísmo. Às suas margens são cremados os corpos e jogadas as cinzas de entes queridos, as pessoas se banham e nadam, assistem ao nascer do sol com o mesmo respeito com que um católico assiste a uma missa (ou mais), entoando mantras ou fazendo movimentos do yoga. E todas as noites, às sete horas, há o ritual dos sacerdotes. Cânticos, mantras, fogo… O Night Aarti é realizado há mais de dois mil anos, no mesmo horário, faça chuva ou sol.  É um espetáculo religioso extremamente sensorial, com sons dos sinos, percussões e mantras, o cheiro dos incensos, a beleza e luminosidade do fogo que os sacerdotes manuseiam como verdadeiros malabaristas. O resultado é um estado de transe em quem assiste. Memórias que não se apagam jamais.

Pague a um barqueiro para levá-la ao meio do rio antes do pôr do sol. É um passeio tradicional, que todos fazem. Tirando o fato de ter um “gondoleiro” particular, esqueça qualquer similaridade com Veneza no quesito cenário, mas a experiência pode ser tão romântica quanto, acredite. Respire fundo vendo o Sol (que para os hindus também é Deus) nascer como se saísse de dentro das águas. É energia pura, vital, como inspirar vida e expirar alegria, para poder inspirar mais vida de volta, num crescente constante de agradecimento. Parece papo de bicho grilo, maluca beleza, mas não me censuro porque o sentimento é  exatamente esse.

Durante o dia, se perca nas vielas da cidade que mais parece um labirinto. Não toque nas vacas, apenas hindus podem fazê-lo, pedindo sua benção. Mas vale tirar fotos. Com muito respeito. Converse com as pessoas. Serão inúmeras as histórias fabulosas. Muitos vão lhe oferecer tatuagens de henna na palma das mãos e massagens ayruvédicas. Mal não faz, mas barganhe o preço.  À noite, não perca por nada o ritual diário à beira do rio. E assim em Varanasi o dia passa como mágica. E você se dá conta de como a vida é frágil. E maravilhosa. Como um presente delicado. Daqueles que apreciam apenas os que têm sensibilidade apurada. Uma caixinha de joias de dar corda, com música e uma pequena boneca bailarina que rodopia sob o magneto. Um coração sensível vai tratá-la como um tesouro e sorrir toda vez que abri-la. Uma pessoa desprovida de tato e de gosto vai ver como uma quinquilharia e deixá-la cair ao chão e se quebrar num descuido qualquer. É assim que eu vejo a vida depois de conhecer a Índia. Você, cara leitora, caso tenha intenção de viver essa experiência, voltará com a visão alterada do mundo e da vida e com sua própria interpretação, talvez parecida, mas nunca igual. Porque a Índia é uma viagem que se faz dentro de si mesmo.

Dicas práticas:

-Um hotel mediano na Índia TEM QUE TER no mínimo de quatro estrelas. Lá a realidade é de fato outra, portanto uma acomodação cinco estrelas está longe de significar luxo, é apenas o mínimo de conforto com o que você está acostumada em seu padrão ocidental.

-Cuidado na hora de comprar. O turismo é meio de vida para muitas pessoas, então não é exagero dizer que muitos comerciantes veem os visitantes como grandes cifrões ambulantes. Portanto, vá preparada para ser muito abordada por vendedores de tudo o que você imaginar. No começo você sorri negando amigavelmente, depois simplesmente ignora e aí sim eles deixam de ser incômodos. Quando for comprar, negocie o preço. Em tudo. Os valores cobrados inicialmente são de modo geral o triplo do que determinado produto ou serviço realmente vale. O barganhar é um hábito cultural.

-Bacana a ideia de se imaginar viajando de trem como num expresso do Oriente, mas a realidade é que o sistema ferroviário indiano é bem deficiente e escolher por esse tipo de transporte só vai te causar atrasos, horas de espera em plataformas e viagens bem pouco confortáveis, para dizer o mínimo. Opte pelo aéreo para grandes distâncias ou contrate serviço de carro via agencias de viagens locais, uma opção que não sai caro se dividido e vale a pena.

-Acho que todo mundo sabe, mas não custa lembrar: nunca, jamais, em tempo algum beba água que não seja de garrafa mineral lacrada. O famoso “piriri indiano” é meio que inevitável (o meu aconteceu por conta de um chai que eu julguei inofensivo) mas vale tentar adiar o máximo possível!

-Lixo nas ruas? Sim, há muito. Prepare-se também para ver gente dando escarrada e cuspida na calçada, vacas fazendo suas necessidades sem o menor constrangimento no meio da rua e muitas vezes se deparar com banheiros públicos que são apenas buracos no chão. Não encara? Vá para Nova York.”

E aí gurias, quem mais já foi à Índia ou sonha ir? Já pros comments!

18 amaram.

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19 Comentários

  • Responder Simone 08/04/2012 at 9:19 pm

    Marília,
    que relato maravilhoso! Amei, guardei e vou usar quando for para a Índia (um dia!). Acho que toda viagem precisa ter esse contato com a cultura do lugar, a compreensão dos costumes. Imagino como uma viagem dessas mude mesmo a gente.
    Queria saber duas coisas: esses 28 dias que você ficou lá foram suficientes? E você foi sozinha? Queria saber se, na sua opinião, é tranquilo para mulher ir sozinha.
    Bjos
    Simone

  • Responder Milis 08/04/2012 at 9:51 pm

    Nunca fui para a Índia, confesso que sinto vontade de conhecer às vezes, mas não é a minha prioridade do momento… Se bem que depois deste relato, confesso que a vontade aumentou, hehehe!
    Beijinhos!

  • Responder Marília 09/04/2012 at 1:08 am

    Obrigada, meninas. 🙂
    feliz de compartilhar.

    Simone, foram suficientes os vinte e oito dias sim, e olha que rodei bastante. mas fica uma vontade grande de voltar. 🙂
    e assim, fui sozinha, mas não recomendo, de verdade. Tranquilo é, os indianos não são agressivos ou violentos nunca em hipótese alguma, mas mulher sozinha é visto com muita (muita!) estranheza. Se puder o melhor é ir com namorado, marido ou em turma de amigos.
    Assim, eu fui e voltei sozinha e nada me aconteceu, mas fui muito abordada, me perguntavam toda hora “r u married, r u married”, pq culturalmente é inconcebível não ser casado. e estando acompanhada vc evita esses momentos chatinhos. mas possivel é totalmente! 🙂
    beijos

    • Responder Simone 09/04/2012 at 8:13 pm

      Marília,
      obrigada! Tem aquele truque de colocar uma aliança e falar que é casada, já vi gente falando que fez isso em países árabes =) Na pior das hipóteses, se não conseguir a companhia, fica a solução!
      Fique imaginando eles perguntando “r u married, r u married”, o sotaque deles falando inglês é muito engraçado!
      Bjos

  • Responder sam 09/04/2012 at 12:31 pm

    que incrivel!
    eu acompanhei um pouco da marilia pelo Twitter!
    E realmente esse relato é magnifico!
    grandes chances de ser a minha next trip”
    beijops

  • Responder Renata Vieira 09/04/2012 at 4:18 pm

    Nunca pensei a respeito, mas depois das dicas práticas… cruzes, tô fora! rsrsrs

  • Responder greize 09/04/2012 at 8:53 pm

    Minha amiga acabou de chegar vou saber com ela.Pois não a encontrei ela amou.Mas teve problemas com comida, cheiro muito forte dos locais, e barulho, muito barulho.Só nos templos que tem mais calma.Vou ver com ela.Eu não animaria não.Mas para quem tem vontade vai na fé na coragem.

  • Responder Lia Procati 10/04/2012 at 8:36 am

    Incrível o relato! A ìndia é isso mesmo, uma viagem dentro de si mesmo, testando os seus limites a cada segundo. Sá discordo de Varanasi, depois de viajar muito pela Índia, ela passa longe de ser a minha preferida.

    Recomendo a ìndia à todos os que estejam preparados. Quem não está, vá a NY mesmo.

    Beijos!

  • Responder Nathália 10/04/2012 at 9:49 am

    Acho que vocês deveriam pedir a alguém que mora na Índia pra escrever um artigo pro blog ao invés de uma turista a mais. Não só brasileiros mas ocidentais de maneira geral tem uma visão muito mística do país, que, no dia-a-dia, não corresponde à realidade. Aqui, nem as pessoas mais velhas te saludam com “Namastê”, isso é ultrapassado e tradicional, e eu acho que o post coscientemente reflete “palavras difíceis” e extrangeiras pra evocar essa idéia de “exótico”.

    Seu post deveria explicar como é difícil ser mulher, extrangeira e de pele clara em um país chauvinista como a Índia, como existem estupros em gangues a cada minuto em Delhi, e como o spray de pimenta aqui é liberado pra defesa pessoal.

    Ou mesmo como as pessoas cheiram mal, pedem desculpas por espirrar mas não se desculpam quando arrotam na sua cara ou cospem na rua. Você deveria contar como em Calcutta é normal escutar “joga o lixo na rua mesmo, isso aqui é a Índia” ou como é super trabalhoso negociar com os auto rickshaw drivers.

    Pra quem leu, não se engane: Nova York sem dúvida é um melhor destino. E você de quebra ainda encontra um monte de Indiano por lá. Boa sorte.

    • Responder Marília 10/04/2012 at 2:18 pm

      Natalia
      é tudo isso que vc falou e mais um pouco.Até citei os escarros e cusparadas na rua, algo absolutamente normal e há tanto lixos nas ruas (outra coisa que também disse) até porque não há nem mesmo lixeiras públicas, o cultural dele é jogar lixo no chão MESMO.

      O meu relato pessoal foi de uma busca espiritual ( extremamente superficial, mas que já me proporcionou muita coisa boa), e desde o inicio do texto falo que ir à India na minha percepção não é turismo. Por tanto, não gostei do “não se engane” pois em momento nenhum quis enganar ninguem, e todo o meu relato foi sincero e real.

      Com relação à mulheres, é um assunto realmente delicado. Mulheres indianas não tem voz, não tem direito algum, a não ser casar e obedecer o marido o resto da vida. Então, Nathália, eu, uma mulher extrangeira (sic) que fui SOZINHA à Índia e andei diversas vezes sem estar acompanhada de homens vivi na pele o que são os olhares, um misto de desprezo e de espanto. Mas entendi desde o início que é uma questão cultural MILENAR e não seria eu que mudaria algo.

      é um país que eu sempre quis conhecer. Conheci. E voltaria. Acompanhada desta vez, confesso. Mas tive insights (é essa a palavra difícil que te incomodou?) violentos de como a vida pode e deve ser outra no nosso cotidiano ocidental, entao valeu cada minuto e faria tudo de novo.

      Eu tenho um blog (zilhares de zeses menos acessado do que o Sweetest, onde posso dar continuidade a toda essa polêmica e escrever um post de como foi difícil (foi mesmo) ser uma mulher branca, bonita e solteira percorrendo a India.

      eu também adoro Paris, Veneza, NYC, LOndres, mas chega uma hora em que pessoas que gostam muito de viajar (como é meu caso) querem ir além de explorar mais do mundo. India fui e amei , agora quero Japão, Russía, China e por aí vai…

      de qualquer maneira, obrigada pelo seu comentário, acho muito válido. VC mora, morou ou já conheceu a India?
      bjs

  • Responder Rachel 10/04/2012 at 2:58 pm

    Meninas, adorei esse post. Sempre pensei na Índia como um lugar mágico e especial. Passei um tempo morando em Moscou e também adoraria poder contar um pouquinho da minha experiência por lá.

    Beijos!

  • Responder Iêda 11/04/2012 at 11:19 am

    Marilia querida, excelente relato. Eh tudo isso e mais….
    Nao conheci Varanasi, mas ficara para a proxima. Gosto de curtir a India aos poucos.
    Beijos
    Iêda

  • Responder Luisa 11/04/2012 at 11:21 am

    Marília, não se assuste com o comentário em tom talvez um pouco agressivo da Nathália. Muitos ocidentais que moram na Índia adotam essa postura de quase total desprezo pelo país.

    Eu já viajei algumas vezes para a Índia. A primeira vez, nas costas dos meus pais, com apenas 3 anos de idade. Sim, meus pais eram (e são) pessoas com uma veia hippie, frequentadores de ashrams e praticantes de yoga. Morri de rir quando li o que você escreveu sobre esse livro que encontrou na estante da sua mãe.

    A minha penúltima viagem para lá durou 4 meses, pois emendei 1 mês de férias com um intercâmbio de 3 meses numa filial da minha empresa em Bangalore. Por isso digo que conheço essa postura da Nathália. Postura que eu diria que em muitos aspectos é compreensível. Quer limpeza vá para NY. Sim, concordo. Para quem quer limpeza e padrão de turismo primeiro-mundista, sim, NY é uma excelente opção. Eu sempre digo que a Índia não é um país para turistas e sim para viajantes.

    Um lugar para quem quer conhecer uma verdadeira cultura de contrastes (contrastes que vão bem além da vista que uma cobertura em Ipanema pode ter para uma favela), uma cultura milenar, interessantíssima, intensa e altamente complexa, um país enorme, enfim, trata-se de um destino imprescindível para qualquer viajante de verdade sem dúvidas.

    Sim, existem gangues de estupros, problemas causados por animais, de ratos a macacos problemáticos, vendedores chatos e insistentes, pessoas que acabam sendo inconvenientes com ocidentais ao verem uma máquina de fotos, desigualdades sociais e uma miséria que acaba com qualquer coração. A tristeza de ver que a terra dos boddhisatvas, da meditação e dos elefantinhos espetaculares é um lugar onde o capitalismo mostra a sua faceta mais cruel e selvagem.

    Mas também existem as crianças com os sorrisos mais fofos do mundo, pessoas amáveis dispostas a te oferecerem um chá enquanto te explicam coisas da sua cultura (se você mostrar interesse genuíno, melhor – e sabendo que eles sempre vão maquiar um pouco o próprio país e cultura, como se isso fosse possível, e, sim, para eles isso é possível), ruínas encantadoras, lugares mágicos, transbordando história, comidas maravilhosas, paisagens de tirar o fôlego, possibilidades de viver mil aventuras, de voltar para casa carregando histórias, experiências. Um destino para quem gosta de passar por transformações pessoais.

    E, sim, também há hotsposts, clubes de moda, lugares para beber álcool, restaurantes estrelados, hotéis com o verdadeiro luxo asiático. E ashrams cheios de ocidentais bicho-grilo, comida boa, incensos queimando e energia positiva. Opções para todos os bolsos, perfis e estilos.

    Enfim, a Índia não é um lugar para fracos. Qualquer viajante de verdade (de alma e coração) precisar ir à Índia. E voltar. E voltar.

    PS: Gostei do relato, apenas queria dizer que discordo da parte dos trens. Uma vez que você pega o jeito, os trens são a melhor forma de locomoção na Índia. O sistema ferroviário indiano é a melhor herança do período colonial inglês.

    • Responder Marília 11/04/2012 at 2:47 pm

      Luisa,
      como fiquei contente com seu comentário! 🙂
      as crianças, os sorrisos e a disposição sincera com que eles abrem suas casas, oferecem um chai e contam sobre sua cutura… tudo isso foi o que mais me marcou e muito positivamente.
      a história dos trens foi o que ouvi de dois viajantes que lá estiveram então como meu tempo era curto, preferi nem arriscar. Mas bom saber que não é assim tão ruim pois adoro viajar de trem.
      “não é para os fracos” : definição perfeita. é pra quem gosta de viajar e procura um lugar que oferece muito mais do que turismo.
      da próxima vez quero ira um ashram, passar mais tempo, enfim… a prova de que não passei por nenhum momento traumático é a de que penso muito em voltar. 🙂 pq realmente me encantei.
      muito obrigada pelo seu comentário, querida.
      Um grande beijo!

  • Responder Andrade 24/04/2012 at 8:07 am

    SWEETESTPERSONBLOG DE PAULA PFEIFER
    nos proporcionou através do excelente texto descritivo e
    discreto da JORNALISTA MARÍLIA LEVY suas mais
    sinceras impressões de viagem ao país das Índias
    Ocidentais.Antevimos um país de misticismo singular,
    de cultura milenar e posição transcendente para a
    preservação de valores intrínsecos e extrínsecos das
    comunidades sociais mundiais atuais.
    AMEI!!!!!

  • Responder Jacqueline 01/10/2012 at 11:43 pm

    Marilia!

    Estou planejando minha viagem à India no ano que vem.
    Já morei na Europa ( ok ..outro mundo ) e já fui ao Marrocos sozinha.

    Gostaria de ir sozinha tbm à India,mas vi algo que me assustou MUITO..foi esta gangue de estupros que vc comentou.

    vc acha realmente que nao é bom eu ir sozinha?!

    Obrigada!
    Jacqueline

  • Responder Ana Barroso 21/07/2013 at 8:17 pm

    Ola Paula!
    Irei viajar em agosto para a India sozinha, mas numa excursão e queria saber se você tem informações sobre sites da internet bloqueados na India. Eu estava pensando em enviar msg para os amigos pelo facebook. Na ausência dele, tava pensando no whatsapp ou email como hotmail. Você sabe se é possivel? Obrigado!

  • Responder Jezebel 18/10/2015 at 2:53 pm

    Marília, eu sou bem novinha, tenho só 16 anos kkk. Tenho um espírito aventureiro que só a mesada curta mesmo pra me segurar. Morei uma ano na África do Sul e um ano na China, e foi lá que me apaixonei pelo mundo. Estou de volta ao Brasil e me sinto presa! Vim ler seu relato porque já estou planejando minha viagem para a Índia, que eu sempre quis conhecer. Estudei budismo e hinduísmo e estou louca pra ser livre para conhecer todas as culturas e experimentar todas as sensações que o mundo tem para nos oferecer. Seu relato aumentou ainda mais minhas expectativas!

  • Responder Daniela 18/02/2017 at 10:56 pm

    Olá meus amigos , sou brasileira e trabalho com turismo na India, Sou proprietária na empresa Ishq India Tours, podem pesquisar no facebook , Trip advisor e até mesmo no google, Deus tem honrado nosso trabalho, e cada dia mais, estamos plantando a semente no amor no coração das pessoas que viajam conosco, entre em contato apaixone se pela India vc também ! Ishqindiatours@gmail.com Grata!

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