by Paula Pfeifer

Diário de gravidez: semana 18

18/12/2017

E não é que fui parar num evento direcionado a gestantes, de livre e espontânea vontade esses dias? Pois bem, me senti esquisita. Bem esquisita. Porque o tom dos profissionais participantes era do mais puro julgamento: parto tem que ser normal, você tem que amamentar, a criança tem que isso e aquilo. E foi aí que percebi que tenho sérios problemas com o TEM QUE.

Um dos ‘tem que’ é o que diz que você tem que pensar no que é melhor para a criança. Concordo, é lógico. Mas não concordo em agredir a mãe. Vou fazer das tripas coração pelo meu filho, mas não a ponto de fazer com que isso me faça odiar a experiência da maternidade.

Fui a Brasília a trabalho, fiquei umas 8 horas de pé num saltinho mínimo – era um evento e uma palestra – e, como sou uma pessoa tennnnnsa em aviões, mais duas horas sofridas nos ares para voltar pra casa. Resultado: um domingo inteiro em cima da cama sem sentir as pernas e sem forças nem para ir até a cozinha. Aí vejo Ivete Sangalo no domingão do Faustão, grávida de gêmeas, cantando, dançando e de salto alto. Fiquei me sentindo uma incompetente….

Depois que escolhi o nome do bebê (vai chamar Lucas) parece até que ele já virou uma pessoa. As pessoas próximas falam sobre ‘o Lucas’ e parece que ele já existe, que tá em casa me esperando. E eu fico toda bobona ouvindo o nome dele e tentando imaginar minimamente como é que esse guri vai ser…

Não sei vocês, mas ainda não senti aquela invasão do poder feminino e da força feminina que muitas mulheres relatam em função da gravidez. O tal poder gigante e a força monumental que gerar um filho supostamente faz sentir ainda não bateu aqui. Sinto gratidão e felicidade, mas mentiria se abrisse a boca pra falar que me sinto mais mulher por causa disso. Talvez o parto ou nosso primeiro encontro me façam morder a língua.

Consulta com a obstetra com um choque de realidade: 3kg a mais na balança desde a última ida lá, quando ela me disse que eu estava no crédito do ganho de peso após 3 semanas seguidas de diarréia nonstop. Ganhei um pedido encarecido para não chegar na próxima com mais 3kg – se seguir nesse ritmo são 30kg a mais no final, já pensou? – e começar academia pra ontem (marido foi junto e me dedurou a respeito do sedentarismo avançado). Comecei! E após muita teimosia devo dizer que voltar pra musculação me fez sentir muuuuuito melhor. Sem falar que tem ajudado com o inchume das pernas, que ultimamente pareciam dois troncos de árvore de tão difíceis de carregar.

Estou com uma pilha de livros sobre bebês e maternidade, mas leio um pouco de cada e paro. Depois vou fazer a lista de todos e compartilhar minhas impressões sobre eles! 🙂

Alguns dias faço alocka e fico assistindo vídeos de partos na internet. Pra quêeeee? Tanto um quanto o outro me dão calafrios de nervoso. Fiquei vendo até vídeos de como são feitas as anestesias. E pensar que a última vez que cometi esse erro clássico foi antes do meu primeiro implante coclear, mas naquela época eu podia assistir com uma taça de vinho para ajudar a controlar o desespero, rsrsrsrs! Agora não dá e parece que tô vendo filme de terror. Parei!!

As amigas e a obstetra dizem que é agora – quinta entro na semana 19 – que vou começar a sentir o Lucas se mexer loucamente na barriga, mas por enquanto nécas. Tenho sonhado todas as noites, do início ao fim do meu sonho, e toda santa noite minha mãe está nos sonhos. Um dia, depois de pensar no quanto gostaria de ter hoje um diário escrito por ela sobre o tempo em que estava me esperando e meus primeiros anos de vida, comecei a escrever um para ele. Me divirto, me emociono, qualquer coisa que acontece sinto vontade de ir correndo ‘contar’ pro Lucas em forma de escritos.

Caramba, enquanto escrevo esse post, olho pela janela para o céu azul do Rio de Janeiro, dou um reload mental na minha vida nos últimos três anos e penso: vou ter um filho! Vou ter um filho com o amor da minha vida. E ele vai se chamar Lucas. PQP! É aquele velho e bom conselho: ‘cuidado com o que você deseja, porque pode se tornar realidade‘.

58 amaram.

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5 Comentários

  • Responder Ci 18/12/2017 at 4:22 pm

    Olá, tenho me divertido muito com seus relatos sobre a gravidez.
    Também li um montão de livros e de nada adiantou. Na real, é tudo diferente, cada criança é unica e vai descobrir isso aos pouquinhos. Você já fez a coisa mais importante que poderia ter feito para seu filho, escolheu um ser humano especial para ser o pai, todo o resto, vai se ajeitando depois.
    Tenho uma filha de 11 anos (meu amor), ela também demorou para mexer, mais de 20 semanas. Na época, minha médica disse que era normal, cada corpo tem um sensibilidade diferente e quando aconteceu foi a coisa mais deliciosa do mundo, ficava horas conversando com a barriga, muito gostoso.
    Quanto ao parto…desde sempre eu pensei em parto normal. Durante a gravidez, muitas pessoas vieram me dizer que a dor era uma coisa de outro mundo (inclusive minha mãe, minha sogra e minha médica rs). Eu bati o pé que ia fazer parto normal e mudei de médica. Não entrava na minha cabeça que uma coisa que se chama “normal” doi tanto assim. Mordi a língua, se eu fosse ter mais um filho, certamente, não seria parto normal.
    Adoro a forma como você escreve.

    Bjs pra você e pro Lucas

  • Responder Gisselle 20/12/2017 at 2:28 pm

    Oi Paula! Sou sua leitora há um tempinho, te descobri quando procurava uma paleta de sombras e comprei do tio coreano, por sua indicação, rss.
    Hj eu também tenho um Lucas, tem 3 meses, adorei a coincidência. É engraçado porque hoje olho para trás e vejo o quanto ficam pequenas as preocupações que eu tinha e o quanto as pesquisas na internet mudam, rss.
    Li bastante também, aliás até hoje ainda estou lendo um que comecei no fim da gestação e ainda não consegui terminar, rsss. O tempo some depois que eles nascem, mas é um delícia ser mãe.
    Sobre o poder que sentimos, comigo foi depois de um mês do Lucas, porque o primeiro é bem tenso. Então, agora me sinto uma heroína, vejo as “milhões” de coisas pra fazer (não estou 100% de licença, tô trabalhando em casa) e encaro todas, sinto uma disposição incrível, mesmo dormindo pouco, hoje me bastam algumas horas, o sono muda, tudo muda! Enfim, me sinto uma leoa pronta para proteger a cria de tudo e sinto uma enorme força para viver, seguir, enfrentar novos desafios!
    Fiquei muito feliz por vc, pelo Lucas.
    Muita saúde pra vcs!!
    Bjossss

  • Responder Ana Lucia Siqueira 08/01/2018 at 4:57 pm

    Lindo texto. Ser mãe é um belo desafio… Emoções e sentimentos conflitantes para toda vida. Por isso sempre fico com o poeta:
    “Filhos… Filhos?
    Melhor não tê-los!
    Mas se não os temos
    Como sabê-lo?”
    Que sua gravidez transcorra na paz e na saúde.
    Viva o Lucas!! Um beijo de mãe de três…

  • Responder Amanda 23/01/2018 at 10:54 pm

    Estou grávida também. O seu relato de gravidez é o único que gosto de ler, gosto da forma que vc escreve. Estou 19 semanas, ainda não sei o sexo e nem sinto mexer. Detesto todos os “tem que”, acredito que vou fazer o que eu puder para essa criança mas isso não tem que vir junto com o detestar a experiência da maternidade. Andava lendo compulsivamente sobre parto, percebi que tem me feito ficar meio paranóica… Agora leio menos, mas ainda leio… Não tive coragem de ver nenhum vídeo. Quer um conselho fuja dos grupos de parto natural, é quase uma seita. É muito informativo, aprendi muito nesse grupo mas é que mais me deixa angustiada.

  • Responder Bárbara Ferraz de Gusmão Vieira 05/02/2018 at 7:39 pm

    Paula,
    Estou lendo seus relatos de trás pra frente :P. Então primeiro li e comentei o de 25 semanas e agora estou lendo e comentando o de 18 semanas auehauehuaehuaehueah
    Esse monte de ” tem que” ter que ser assim, ter que ser do outro jeito, só serve sabe pra que ?? Pra fazer a gente sentir culpa. Quando nasce um bebê, nasce a culpa junto… portanto não caia nessa onda. A Ivete Sangalo tem o marido nutricionista e ela já malha HORRORES desde sempre. O fato dela esta la SUUUPER bem com barrigão não quer dizer que você tenha que se sentir culpada ( olha a culpa ai) por não estar igual 🙂 .
    Aproveita a empolgação de escrever o diário e escreva MESMO. Tenho certeza de que o Lucas vai amar, e ele JÁ É uma pessoa auehuae, só que ainda está ai dentro 🙂
    Talvez essa sensação de se sentir a SUPER mulher chegue mais pra frente , ou nem chegue ( e tudo bem se você não se sentir uma mulher maravilha só por estar grávida) . Minha mãe me falou um dia, é VOCÊ que está grávida o mundo continua igualzinho ai fora, quem esta diferente ´´E VOCÊ.
    Assim como o Lucas pode nascer e você não sentir aquelaaaaaaa onda de amor de inundando, e você só perceber que ama MUITO seu bebê um belo dia que ele chorar de madrugada e você perceber que não é incômodo levantar pra atendê-lo….
    Enfim, tenha a certeza de que vai dar tudo certo, Agora prepare-se que vão ter muitas e muitas cambalhotas na barriga 🙂
    Boa sorte e saude

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