Literatura

Crônica de uma chata na night

06/02/2013

*Escrito pela minha amiga carioca Marcela (amei e me identifiquei horrores!!).

 

“Amiga, se você não sabe eu tenho 28 anos com corpinho de 17 e disposição de 105. Quando era mais nova curtia umas nights (balada em carioquês), mas nunca fui do tipo que saía sexta, sábado E domingo. Primeiramente porque faltava o dinheiro e também porque me faltava a disposição.

O tempo foi passando, eu assumindo responsabilidades cada vez maiores, o dinheiro até foi entrando, mas a disposição – essa danada me deixa na mão sempre. Tornei-me o tipo de pessoa que prefere uma noite de sono bem dormida do que um par de pés doloridos  e cabelos fedendo a cigarro. Depois que fui morar sozinha então… minha casa é tão gostosinha, tenho  filmes, seriados, sofá gostoso, geladeira e armários cheios. Como trocar isso por uma noite cercada de gente bêbada e suas conversas sem pé nem cabeça? Mas, a vida sempre dá voltas. Com a idade veio o autoconhecimento, me dei conta de que não é que eu não goste de sair, não gosto é de boate. Aquele clima sufocante, as músicas bate-estaca e as de micareta me tiram do sério.  Também notei que prefiro qualquer coisa de dia, ou cedo de noite, nada até as 7 da manhã passando na padaria pra comprar pão na volta (#QuemNunca?). Daí que uma amiga me chamou pra ir ao Show do Sambô, tratava-se de uma roda de samba que teria Thiaguinho como convidado. Adoro samba. Das antigas, partido alto, pagode…descobri que tenho uma mulata escondida bem fundo em mim (tão fundo que a melanina não conseguiu se manifestar). Ontem, uma segunda feira (estou de férias), coloquei um vestido confortável, um par de sapatilhas, prendi o cabelo de um jeito bonitinho, fiz uma make basicão e fui. Minha primeira vez sem salto alto na night seria lá, numa roda de samba, pois o objetivo era sambar, cantar, pular e eu não ia ficar com cara de dor em meia hora só pra estar bonita. Não mesmo. Caguei pro fato de que teriam vários gatinhos, que seria na Zona Sul, eu só queria sambar. Não sei se pelo fato de não sair há muito tempo, ou pelo fato de estar com pessoas que não conheço (as amigas da amiga) mas gente, pra que tanto? Calças coladas, camisas de botão, chapinha no cabelo (em noite de garoa, imagine), saltos altíssimos…aaaff.  Chegando na tal casa de shows me deparo com a triste realidade: tenho 105 anos enquanto todo mundo tem 17. Enquanto eu estou feliz com minha localização estratégica, perto do palco mas nem tanto, sambando feito louca, cantando com os braços pro alto, as outras meninas querem circular. Pausa para explicação: circular é ficar dando voltas no lugar. Por vezes com o objetivo de rastrear o ambiente e procurar homem, por vezes com o objetivo de exibir a figura. Nenhum dos dois é meu objetivo há uns bons 10 anos.  E acho esquisito. Você paga pra ver um show de um grupo de quem você não sabe cantar uma música –  e vamos combinar que o Sambô toca cover nacionais e internacionais, quem nunca ouviu Você Abusou? –  passa  a noite rodando mais que o pião da casa própria e acaba sem pegar ninguém e sem ver o show. Sério? De verdade? Com quantas atitudes como essa você pode ser classificada como desesperada? Pra mim se você acha que precisa de um relacionamento sério, um lugar onde 90% das pessoas estão completamente bêbadas não é o melhor lugar pra começar a busca. E, acrescentando,  que busca? Amor, relacionamento ou coisa que o valha não se procura, se acha. Se homem fosse desconfiado seria. Se uma mulher precisa ficar rodando igual uma louca catando quem beijar na night, que tipo de pessoa ela realmente é lá no fundo? Nos momentos sem make e sem salto alto, sem amigas em volta pra apoiar…sem máscaras? Quanto a mim, sambei mais que nunca. A melhor noite da minha vida rendeu pés mortos, garganta arranhando e uma chegada em casa às 5 da manhã com um sorriso no rosto. Beijei um carinha, quase indo embora já,  mas confesso que foi por praticidade. Ele era um pé no saco e se eu ficasse dizendo não ia demorar mais do que se beijasse e deixasse ele seguir com a caçada. Mas só serviu pra afirmar mais ainda meu pensamento de que esse negócio de ficar não é pra mim. Eita coisa sem graça! E a disposição? Essa danada está em surto produtivo, me arrastou pra dois blocos no domingo e pretende até me arrastar pra um show no sábado. De samba, óbvio. De sandália rasteira também. E com amigo homem, que mesmo sendo hétero (quem nunca sonhou com um amigo gay?) é bem mais legal do que aquele monte de mulher fazendo cosplay de pião da casa própria.

157 amaram.

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12 Comentários

  • Responder candida carvalho 06/02/2013 at 6:26 pm

    Amei..concordo com tudo que foi colocado!!!!

  • Responder Pri Von Mühlen 06/02/2013 at 6:35 pm

    Um dos textos mais sensatos que já li sobre o tema. Tem gente que se monta pra ri a shopping comer em um restaurante. Nada contra, mas vejo exagero nos atos das pessoas e sim, noto um certo desespero na caça das mulheres. Topam qualquer coisa, saem com qualquer um, se vestem de maneira vulgar.
    Ao mesmo tempo, preciso reconhecer que quando tinha uns 18 anos (hoje tenho 29), fui um pião da casa própria. Mas até dou risada, porque eu era até engraçada e SÓ tinha 18 anos. Se fosse com minha idade atual, preferiria que alguém me desse a real, me tirasse dessa vidinha. Tolero quase tudo,menos adolescência tardia. Bjs

  • Responder Shirley 06/02/2013 at 6:38 pm

    Me identifiquei 100%!!! Cheguei a pensar que eu era um E.T. por achar que tudo isso fosse uma babaquice. Que bom que ainda tem mulheres com noção!!!

    Bjos

  • Responder Belita 06/02/2013 at 7:17 pm

    Adorei!!!
    1)Essa coisa de ficar atrás de homem… sinceramente! Quando nós saíamos nas micaretas da vida, minhas “amigas” do colégio (15 anos, eu acho) passavam o percurso tooodooo do bloco dando a volta no trio e eu com uma galera massa pulando, cantando, dançando, muito mais feliz!
    2)Tenho anos de namoro, pretendo juntar as nossas coisinhas em breve e fico meio triste quando penso se (Deus me livre!) eu tivesse que voltar a essa “caçada” semanal… nossa! Vejo umas meninas aí quase se atirando nos rapazes. Cena triste! Quem faz com que os homens desvalorizem as mulheres são as próprias e suas ações desesperadas.
    3) Uma das melhores festas que eu fui eu estava totalmente desencanada com a imagem. Tava de calça jeans e tênis. Show do Skank. Fiquei com o carinha que eu tava paquerando. Foi tudo de bom. Isso porque eu estava feliz comigo mesma. E as pessoas se enganam que isso não é imortante. Amar a si mesmo e estar bem consigo é fundamental. Queria muito que as meninas por aí começassem trouxessem para a vida o que todas nós já sabemos no coração.
    Bjinhos!

  • Responder Francine Zimmerman 06/02/2013 at 7:32 pm

    Agora a opinião de alguém de 18: tudo tem seu tempo.
    Eu to nessa fase, de me arrumar para a balada, sair com as amigas e, se eventualmente alguma oportunidade aparecer, não deixar passar.
    Uma das coisas que eu e algumas amigas seguimos é não beijar ninguém que a gente não conseguiria se imaginar subindo em um altar com essa pessoa!
    A melhor parte da noite acaba sendo arrumar-se na casa de uma das amigas depois da aula da faculdade, tomando uma cervejinha 🙂

  • Responder Bel 06/02/2013 at 9:58 pm

    kkkkkk adorei já sinto isso desde os 21 🙂
    Tbm sempre brinco com as minhas amigas que nasci octagenária, ou seja, hoje com 27 anos sou igual a uma pessoa de 107 anos pra esse tipo de coisa (rodar feito pião, disposição pra ir em danceteria ou coisas que não curto tanto só porque minhas companhias vão estar lá. Hoje, penso e seleciono muito melhor o que quero fazer nos meus dias de folga, e pelo bem dos meus pés sem salto, geralmente opto por coisas durante o dia tbm, jantar em um lugar legal, ou sair pra ver um show que eu REALMENTE quero ver.
    E mesmo assim quando der 2:00h vou estar morrendo de sono 🙂
    E vou embora dormir feliz hahahaha
    Bjão!

  • Responder Angelita Tessmann 07/02/2013 at 10:11 am

    Mto bom!! O pior é que eu já nasci assim, velhota!
    Com meus 15 anos minha mãe dizia que parecia que eu tinha 80!!
    Agora avalie eu agora com 30!! Devo ter passado dos 130!!! hahhaah

  • Responder Vanessa 07/02/2013 at 3:20 pm

    Concordo com tudo!

  • Responder Ju 07/02/2013 at 5:20 pm

    Nossa, simplesmente PERFEITO!!!! Também sou carioca, tenho 29 anos e me identifiquei completamente com a crônica acima. Achava que era um E.T. (como muitas amigas me acham/qualificam), mas vi que não sou a única. E que é NORMAL ser assim.

  • Responder Louise Alves de Sena Pereira 09/02/2013 at 1:14 pm

    Eu amei esse texto!!! Sou assim desde que eu comecei a sair com 17 anos (tenho 26 atualmente). Sempre saí para curtir o lugar e as bandas que estavam tocando, sapatos baixos (às vezes até tênis) e make básica para não correr o risco de derreter depois de horas dançando e pulando. Nunca saí caçando pela night e uma das únicas vezes que fiquei com alguém na noite, acabei namorando o cara.

  • Responder Ana Farias (@TrendyTwins) 11/02/2013 at 1:50 pm

    hahahhaha amei! e super me identifiquei com quase tudo (menos com o samba no pé, que nao tenho MESMO!)

  • Responder Débora 14/02/2013 at 5:27 pm

    Imaginem eu com 42 anos, mas lendo tudo que escrevestes não me sinto mais um E.T tb, pq o que mais me doí e não poder ir num lugar que minhas havaianas possam estar junto comigo. Tudo por uma estada em casa com minhas coisas, minhas comidinhas e bebidinhas, voltar para casa às 6h e lavar o cabelo??????? Nãooooooooo a esta hora prefiro estar virando de lado na cama cheirosa de confort…
    Amei teu texto

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