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Como você consome moda hoje?

10/08/2016

Como vocês consomem moda hoje? Desde que me mudei para o Rio, minha relação com roupas, sapatos e bolsas mudou. Aqui as pessoas são mais relax e montação é considerada over se você não for do meio corporativo. Ou seja, aposentei 95% dos meus sapatos de salto alto, bico fino e afins. Na verdade, meio que quase o guarda-roupa inteiro foi para um brechó: deixei apenas o estritamente necessário. E pensar que até 2014 eu era do tipo que acordava uma hora mais cedo de manhã só pra fazer escova e arrasar na maquiagem – em plena repartição pública. Ai, meldels. Que bom que a gente vai envelhecendo e evoluindo…

Eu não pago R$300 por uma blusa, bem como continuo achando um abuso jeans de R$250. Eu consumo moda pechinchando MUITO. Sou rata da Dafiti e sei o preço correto de cada peça que me interessa – por isso nunca caí em contos do vigário de Black Friday. Eu cato cupom no Google de toda e qualquer loja virtual na qual vá comprar. Checo o Privalia toda semana – o Westwing larguei de mão depois de comprar um kit de 25 espelhos por R$950 e aterrisar lá em casa o kit de espelhos da casa da Barbie. Chorei de raiva, porque perdi o prazo de troca/devolução.

Não entendo os preços das peças de roupa. R$700 uma calça? R$800 um blazer? R$350 uma blusinha qualquer? Como se explica isso? Se posso ter uma bolsa linda que vai durar anos de R$450, o que me faria gastar R$650 numa bolsa de plástico de uma marca ‘famosa’? Pro meu bolso, pro meu caráter e pra minha alma, simplesmente não rola.

À medida em que o tempo passa, acho que vamos ficando mais seletivas e aprendendo a desapegar de tudo o que não serve mais. Foi observando a relação do meu marido com o guarda-roupa dele que entendi o exagero do meu, porque a pessoa vive muito bem com 2 ou 3 jeans e não precisa de uma interminável coleção de sapatos.

Sabe quando a gente entende o valor de uma peça de roupa? Quando paga R$90 por ela na liquidação e o preço original era, sei lá, R$500. Você paga os R$90 e aí descobre se ela valia sequer esse valor – já aconteceu inúmeras vezes comigo de pensar que se tivesse pago os R$500, voltaria e tacaria fogo na loja só de raiva pela péssima qualidade da roupa. Vivendo e aprendendo.

Eu consumo moda hoje de um modo infinitamente mais seletivo e sensato do que antes. Quero saber se tem trabalho escravo envolvido. Quero saber a procedência da matéria prima. Quero saber se a marca faz alguma ação bacana em prol da comunidade. Quero me sentir acolhida – muitas marcas me fazem sentir como se estivessem me fazendo um grande favor ao me vender alguma coisa. Quero entrar na loja e não ser atacada por dez vendedoras desesperadas para bater a meta do mês. Quero gastar meu dinheiro com quem se importa com acessibilidade. Com quem não segrega as pessoas e também não vende tamanho G que mais parece um P da China. Fico de olhos bem abertos com marcas que gastam os tubos com ‘digital influencers’ que eu sei que não usam seus produtos – acho que o respeito com o consumidor já começa, de muitas formas, na propaganda e no marketing. Quero um SAC que escancare seu email e telefone de contato – e que responda rápido quando eu tiver alguma reclamação a fazer.

Não posso deixar de comentar como fiquei escandalizada na MegaStore das Olimpíadas, que fica na praia de Copacabana. R$100 uma camisetinha do poliéster mais vagabundo da vida. R$115 um mascote de pelúcia. Os vendedores ambulantes estão vendendo as camisetas por um terço do preço e com o dobro da qualidade, só pra avisar. E o pior é que o mundo não está perdido. Perdidas estão as pessoas que compactuam com isso.

84 amaram.

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9 Comentários

  • Responder Adriana 10/08/2016 at 9:45 pm

    Perfeito Paula, disse tudo, penso igual!

  • Responder Loris bibiani 11/08/2016 at 12:03 am

    Bem vinda ao Rio
    Nao precisamos de muito
    Adorei e tudo que penso
    Felicidades e continue evoluindo
    Desapego e tudo

  • Responder RENATA FERREIRA 11/08/2016 at 4:32 pm

    Negra, eu e a mãe batemos ponto na Privália todos os dias para não deixar nenhuma boa oferta passar. Alem de roupas, a mãe já comprou sofá, poltronas entre outras peças para casa com um preço justo. Eu concordo contigo em todos os pontos descritos no post. Beijos e saudades!!!

  • Responder Regina Farjallat 11/08/2016 at 6:45 pm

    Gratíssima satisfação ver gente culta, bonita, elegante e ainda por cima racional com gastos .
    Já é demais !
    Sou sua fã ! 💋

  • Responder Marcela de Vasconcellos 11/08/2016 at 8:31 pm

    Miga apenas um adendo: quando uma marca vende uma peça a que estava a 500 por 90 ela não está lucrando absolutamente nada. Esses 90 são uma ação desesperada de fazer algum caixa pra pagar contas numa época de poucas vendas. O dono sabe que ele vai ter que vender 5 peças pra fazer o preço de 1 mas ele ia ficar encalhado e no prejuízo, melhor ficar só no prejuízo.
    Ainda mais numa época em que se consome moda vorazmente, com tanta tendência e must have e mimimi, não dá pra ter estoque parado porque estoque é armazém e isso além de custar caro em mão de obra e estrutura, acaba não valendo nem 1 real ano que vem.
    Pensa em moda praia, o biquíni que faz sucesso um verão no outro não vende nem a pau. Se pá o cara consegue vender aquilo 3 ou 4 anos depois.

  • Responder Valéria 12/08/2016 at 3:42 pm

    Paula,

    reflexão sobre consumo de moda consciente, maravilhosa!

  • Responder Bruna Lima 17/08/2016 at 12:41 pm

    Falou e disse mana!! Estamos juntas!! Calça jeans comprei várias na Dafiti, excelentes por R$70,00, blusinhas pesquiso muito para comprar, sapatos idem. E ultimamente só ando comprando o que realmente preciso, nada de comprar por impulso. É muito libertador sair daquele circulo vicioso de achar que preciso de mais uma peça de roupa, mais um acessório, quando já nem tinha mais onde guardar. Bjs

  • Responder Maris 23/08/2016 at 2:07 pm

    Ah não, peça falsificada de ambulante não, nunca. Eu penso que se não pode comprar o original, então não compre nada. E isso vale prá muita coisa: sentimentos, palavras, expressões faciais, hehehehe… Pelo verdadeiro, sempre! Também acho que tem blusas que valem sim 300 reais. É trabalho para muitas mãos e todos precisam ser remunerados de forma justa. E ainda assim, este é o preço da peça. Ninguém disse que ela precisa ser comprada. Se não é necessária, nem pode ser paga, deve continuar na loja. É nos 9,90 da vida que estão sim, o trabalho escravo, a tinta mais tóxica e o processo mais marginal como um todo. Mas sim, concordo que precisamos consumir com sabedoria, sabedoria para entender o que é realmente necessário e é compatível com as condições financeiras de cada um.

  • Responder Nana 08/09/2016 at 6:05 pm

    Super compartilho da mesma opinião. Também pesquiso muito e analiso tudo antes de comprar: tecido, costura, marca, loja, preço.
    Ralamos muito para ganhar nosso rico dinheirinho e não podemos simplesmente jogá-lo fora.
    Bj e fk c Deus.
    Nana
    http://nanaeosamigosvirtuais.blogspot.com

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