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Coisas que ninguém conta sobre casamento

13/01/2016

Quando se fala em casamento 99% das pessoas só pensa no vestido, na festa, na lua-de-mel e nos presentes. Hoje consigo compreender claramente porque os casais se separam tanto: acho que ninguém conta pra gente a realidade dos fatos. Aí, dá-lhe ilusões e idealizações equivocadas. Equivocadíssimas, aliás. Quem sou eu pra dar palpite estando casada há tão pouco tempo (1 ano e 1 mês, !), não? Mas aprendi MUITO nesse ano, aprendi mais do que em qualquer outra situação que já vivi. Por isso quis compartilhar uns pensamentos.

Seria ótimo se as pessoas se casassem pelo motivo certo, que, na minha opinião, é bem óbvio: o casal se apaixona e é maduro o suficiente para decidir optar por juntar as escovas de dente. No meu caso, foi isso – com o detalhe de que eu me achava madura. Até pisar no Rio de Janeiro e encarar minha vida nova. Foi então que percebi que essa tal maturidade era mais uma idéia bonita que eu tinha sobre mim mesma do que de fato maturidade. Me vi agindo como criança em inúmeras situações. Dá até vergonha de relembrar de algumas delas…

Acho que quando a gente casa mais velho acabamos carregados de uma porção de manias e de um egocentrismo federal. Casei aos 33 e me dei por conta de que só enxergava meu próprio umbigo. Só que casamento não comporta isso. Você sai da sua casa e de repente está dividindo uma casa com alguém que é totalmente diferente de você. Você abandona sua amada cama e precisa aprender a dividir uma cama com outro ser humano. Você ganha de brinde uma família nova à qual você não está acostumado. Você tem que dividir espaço, sentimentos, pensamentos, contas e sonhos com o outro. Você tem que aprender a dividir e a compartilhar a jato. E a se sacrificar, também.

Essa fusão 1+ 1= 1 não é fácil. Tenho uma amiga que me disse que o pior ano da vida dela foi o primeiro ano de casada. Eu poderia dizer o mesmo porque em 2015 passei mais tempo em hospital e UTI cuidando da minha mãe do que cuidando da minha casa e do meu marido. Começamos a nossa jornada de cara já enfrentando o temido “na saúde e na doença” e, nossasenhora, que desespero. Só que foi assim que finalmente rachei a cuca e entendi de vez o significado da palavra parceria. Casamento é parceria: é atravessar as tormentas de mãos dadas, é largar tudo e cuidar do outro quando for preciso, é abraçar problemas e tragédias que antes não eram seus mas agora são. Porque aquela pessoa vale a pena, porque você não quer viver sem ela e porque juntos vocês são foda.

Ninguém conta sobre as dificuldades do casamento. Em especial, sobre a rotina. Quer dizer, a gente lê direto por aí que a rotina destrói tudo, liquida os casais, corrói o romance. Esse ano eu aprendi que a rotina é uma faca de dois gumes: é uma delícia mas também é um saco. Você tem que aprender a curti-la e tem o dever de detonar com ela sempre que tiver a chance. Rotina é conforto, sossego e amparo. Quebrar a rotina é reacender a chama, mostrar cuidado e regar o amor.

Também não contam sobre o período de adaptação. No meu caso, não fiz test drive, só fomos dividir o mesmo teto depois do casório. E eu nunca tinha morado com alguém antes! Na minha santa ignorância, achei que era coisa de um mês, dois meses, e ploft: adaptada estaria. Leva tempo e acho que tempo cada um tem o seu. Tentei me apressar algumas vezes mas não rolou e precisei admitir que vivia esse período de adaptação e o jeito de sobreviver era me deixar levar por ele.

Cuidar da casa, por exemplo, jamais foi algo que me deu qualquer prazer. Nunca fui do tipo ‘decoradora’, ‘cozinheira’, ‘arrumadeira’ e afins. Semana passada é que fiz minha primeira compra de supermercado sozinha e vesti a camiseta do “a casa é minha, a responsabilidade também” – mas isso só depois de ouvir uma crítica construtiva do marido sobre essa questão. E como boa virginiana, quando ouço a crítica fico magoadíssima mas logo admito o erro e parto pro conserto. Demorei uns dez meses para me sentir confortável para colocar fotos nos porta-retratos e mês passado é que comprei a almofada da Frida Kahlo que tanto queria. Aí a galera veio em polvorosa me dizer que minhas almofadas não deixavam ninguém sentar nas poltronas. Aí você respira, conta até três e responde: ‘é só colocar no chão…mas bota no lugar depois‘ Ai, ai… Casamento tem a ver com ir conquistando seu espaço aos poucos, e eu nunca tive muita noção de ‘meu espaço’ pois a vida toda morei na casa da minha avó e dividi o quarto com a minha mãe. Sigo aprendendo todos os dias ao dividir a casa com um adulto e três crianças.

Não contam pra gente como é difícil administrar conflitos: dos dois, da família, financeiros, profissionais e até pessoais. E os conflitos existem e o único jeito de seguir caminhando juntos é não desistir e nem deixar que eles vençam. Requer trabalho duro, requer dedicação e comprometimento. Gente que briga ou foge da raia quando eles começam a surgir aos montes não vai durar muito. Também não contam como é emocionalmente cansativo e desgastante administrar as novas blended families: é complicado entender algumas coisas racionalmente enquanto você ainda não as compreendeu no plano emocional. O jeito é ser persistente.

Ninguém me disse que a coisa mais importante num casamento é que o casal se coloque SEMPRE em primeiro lugar na lista de prioridades – acima de tudo e de todos, do trabalho, dos filhos, da família e de qualquer outra coisa. Se não for assim, não tem jeito de dar certo. Eu achava o contrário, que tudo sempre viria antes da gente, que o certo era se sacrificar pelos outros cada vez que houvesse necessidade. Ainda bem que aprendi a tempo essa regra de ouro.

Acabo achando que os casamentos antigamente duravam mais porque as pessoas estavam mais dispostas a fazer dar certo. Mas também não tenho dúvida de que a ÚNICA coisa que faz um casal passar a vida inteira juntos é o amor. Porque amor vem junto com admiração, com paciência, com orgulho do outro, com vontade de ser uma pessoa melhor, de superar os problemas, de crescer junto. Não tem santo, filho ou comodismo que prendam duas pessoas quando uma ou ambas não querem estar juntas. Mas o amor, esse sim nos prende, nos faz criar raízes e passar por cima de tudo e de todos para estar ao lado daquele(a) que acelera os nossos batimentos cardíacos e dá sentido à nossa existência.

Casamento é uma delícia quando a gente entende de fato do que se trata e de como se deve lidar com ele. Como é bom conhecer uma pessoa do avesso e gostar desse avesso, como é divertido ficar dando gargalhadas com quem a gente ama às altas horas da madrugada, como é fofo ter um método pra pegar no sono que só os dois conhecem, como é gostoso encher a boca para dizer para alguém “Esse é o meu marido!”. Estar casada primeiro me assustou, depois me arrebatou. <3

225 amaram.

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26 Comentários

  • Responder Cybele Costa 13/01/2016 at 6:17 pm

    👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼
    Perfeito! Que Deus abençoe e cubra seu lar de amor e harmonia!

    • Responder Paula Pfeifer Moreira 14/01/2016 at 8:53 am

      :*

  • Responder Andréa 13/01/2016 at 6:43 pm

    Sou super solidária a ti! Me vi aí no seu lugar! Rs Dia 16 completo 4 anos de casada e ainda aprendo todos os dias o que é casamento! Como você, tb não fiz test drive de morar com alguém antes e ter as responsabilidades de casa. E quando casei me mudei direto pro exterior. Confesso que chorei sem qualquer motivo aparente por 3 meses, mesmo meu marido me considerando de fácil adaptabilidade. Cada casal tem um ritmo, cada pessoa tem um ritmo, o importante é respeitar esse ritmo e cada um ceder um pouquinho, assim tudo flui. Beijos

    • Responder Paula Pfeifer Moreira 14/01/2016 at 8:53 am

      Parabéns pelos 4 anos! <3

  • Responder Renee Rassasse 13/01/2016 at 7:36 pm

    Paula, casamento é tudo isso é muito mais. Vim morar com meu marido 6 dias depois que o conheci -recorde de maluquice – e aqui estamos juntos e nos amando mais ainda depois de 18 anos. Foram muitas batalhas desde a tal da “adaptação”, até os conflitos culturais e linguísticos. Muitos altos e baixos, mas, acima de tudo, muito, muito amor, respeito e admiração recíproca.

    • Responder Paula Pfeifer Moreira 14/01/2016 at 8:54 am

      Renee, ameiii que vcs foram morar juntos 6 dias depois <3

  • Responder Mel Salvi 14/01/2016 at 8:16 am

    É, casamento é uma aventura. Se redescobrir com outro ser humano. Juntar as manias de cada um e LUTAR pra dar certo.

    Quando chegarem os filhos (se vcs quiserem, é claro) vc verá que o casamento fica em segundo plano SIM! E é outra aventura pro casal.

    • Responder Paula Pfeifer Moreira 14/01/2016 at 8:54 am

      Mel, o Lu já tem 3 e eu ainda não tenho nenhum!
      Beijo/saudades

  • Responder Tati Lambert 14/01/2016 at 9:42 am

    Paula, eu sempre sonhei com o casamento, e tenho pavor de pensar em crianças… mas Deus, em Sua infinita sabedoria, cruzou meu caminho com um cara sensacional, mas com “pacote”; um só, mas tão cheio de questões “penduradas” que só com muito, mas muito amor. E diálogo. Antes de aceitar o pedido de namoro, questionei se ele queria outros filhos, e só aceitei quando ele disse que não. Quando noivamos, refiz a pergunta, e várias vezes antes dos “dois casamentos” (civil e religioso), questionei e a resposta se manteve. No dia 30 de janeiro, faremos um ano de casamento civil. O que posso dizer sobre casamento é que é a parceria mais sólida, mais capaz, mais tudo… e quando a relação traz filhos pretéritos, a gente aprende o que a maioria vai levar séculos para entender: casal primeiro, crias depois, parentes… lá no final da fila, por favor.

    Outro detalhe importante é que a gente não precisa perguntar à vovó como fazer feijão, ou costurar meias… nossos parceiros evoluíram no conceito de “tarefas domésticas”: lá em casa o marido cozinha e lava louça, faz supermercado. Não que eu não saiba fazer (na casa da mamãe, eu fazia de-um-tudo-até-trocar-lâmpada-e-resistência-de-chuveiro-elétrico), mas dividir tarefas e responsabilidades é equilibrar a relação, é saudável.

    Amei o post, acho extremamente salutar que as mulheres tenham coragem de se expor assim, e com isso [quem sabe] ajudar àquelas que só pensam no vestido e na festa, para que enxerguem além do véu e da grinalda.

    • Responder Paula Pfeifer Moreira 14/01/2016 at 9:45 am

      Tati, obrigada por compartilhar a tua experiência.
      A gente realmente aprende MUITO, de um jeito muito louco e muito intenso, ao se apaixonar e casar com alguém que já tem filhos. Só vivenciando essa experiência para entender, né?
      Um beijo enorme em você!!!

  • Responder Marcia Adriana Peres 14/01/2016 at 1:33 pm

    Olá Paula!
    Estou casada a nove meses, e como você disse, toda noiva se preocupa com a organização do casamento….
    Me identifiquei demais com o texto, parecia estar lendo um diário dos meus últimos meses. O período de adaptação realmente não é fácil. Tenho 35 anos, e também me achava madura o suficiente para deixar minha casa e viver uma nova vida ao lado de quem amava…. Chorei todos os dias no primeiro mês! Sentia falta da minha cama, do meu quarto, da minha gata (que não se adaptou a nova casa e precisei levá-la de volta pra minha mãe).
    Não sabia cozinhar, nem mesmo fritar um ovo… nunca precisei, pois chegava do trabalho e encontrava a comida quentinha servida na mesa…. Me esforcei muito para aprender! O começo foi um desastre!!! Mas hoje, cozinho muito melhor que ele!
    Estamos aprendendo muito, a cada dia que passamos juntos.
    Casamento não vem com manual, é um ciclo novo na vida de cada pessoa!

    Beijos!

    Marcia
    Santa Bárbara d’Oeste – SP

  • Responder Ines Martins 14/01/2016 at 4:33 pm

    Oi Paula! Parabéns pelo 1 ano e 1 mês! 😀

    Concordo com você, o casamento não é fácil mas adoro estar casada! Tinha 30 anos quando conheci meu marido pela internet e em 1 ano e meio estávamos casados. E este ano completaremos 16 anos! Parece que foi ontem!

    Para mim o primeiro ano é o mais complicado, por tudo o que você disse aí. Assim que voltamos da lua de mel tive crise de fígado, tudo pelo estresse do “xiiii, acabou a festa, voltei de viagem e agora é com você, garota”. É tanta novidade, adaptação, discussões bobas porque ele deixa uma trilha de bagunça assim que chega em casa, etc. Para completar trabalhava numa empresa mega estressante, com prazos curtíssimos e não era raro chegar em casa às 3 da manhã. E no dia seguinte às 8:30 lá estava eu de volta ao batente. Tempo para preparar refeições? Nem pensar! Âs vezes filávamos uma comidinha da mãe/sogra ou marido acabava comendo um Miojo. Como ele trabalhava por escala no quartel e passava mais tempo em casa do que eu começou a se interessar por culinária e cozinha que é uma beleza! 😀

  • Responder Christiane 14/01/2016 at 5:43 pm

    E depois que vêm os filhos fica ainda mais difícil… Você tem que administrar tudo isso e cuidar de uma vida que depende inteiramente de você. Se o casal não for muito companheiro e se amar não dá certo. É por isso que muitos se separam com os filhos pequenos.

  • Responder Deborah Szczerbacki 14/01/2016 at 8:36 pm

    Olá, Paula. Não te conheço, mas adoro seu marido, sou super fā dele. Foi muito legal ler o seu texto, me identifiquei demais. Eu me casei com 40, nós dois com pacote. Fomos os quatro morar juntos. Nooooosa, foi difícil demais. Mas, com amor e reconhecendo que precisamos crescer, como você disse muito bem, superamos e aprendemos a conviver. Eu desejo a vocês dois toda a felicidade do mundo.

    • Responder Paula Pfeifer Moreira 15/01/2016 at 8:53 am

      Mostrei pra ele e ele te mandou um beijo!

  • Responder luiz 14/01/2016 at 9:23 pm

    Te conheci em cronicas da surdez, vi este endereço e procurei te conhecer melhor. Que o casal se coloque SEMPRE em primeiro lugar na lista de prioridades, PARCERIA e principalmente AMOR.
    Amei.

    • Responder Paula Pfeifer Moreira 15/01/2016 at 8:53 am

      🙂

  • Responder Suzana 19/01/2016 at 8:13 am

    Olá Paula! Lindo seu texto, me casei com 30 anos, achando que já tinha algum amadurecimento emocional, mas nunca é o suficiente!! Egoísta, orgulhosa, nossa, como melhorei como pessoa e ele também. Em fevereiro completamos 15 anos de relacionamento (10 anos de namoro e quase 5 de casamento) e todo dia é um aprendizado e o fato de termos a pessoa que amamos do lado para nos apoiar faz valer a pena e querer continuar!

  • Responder Carol 20/01/2016 at 8:59 am

    Que teu casamento siga cheio de amor, compreensão, tolerância e muita parceria. Tu merece! Beijos, com carinho.

    • Responder Paula Pfeifer Moreira 21/01/2016 at 8:33 am

      <3

  • Responder Elisa 26/01/2016 at 7:56 am

    Oi Paula, imagino como foi difícil tua adaptacao numa cidade nova, com alguém com que você nao chegou a conviver diariamente (já que vocês viviam em cidades diferentes) e ainda mais já com 3 filhos. Fora toda a questao de até lá você ter morado na sua casa de origem e de ter largado um emprego estável de anos (e ainda tem a adaptacao ao implante que ainda estava rolando, nao?).
    No meu caso eu casei mais nova (25 anos), mas tinha na minha bagagem já ter morado antes com outro namorado, ter morado bons anos sozinha no exterior e termos convivido 3 anos assiduamente (de jantar e dormir quase todos os dias juntos – apesar de oficialmente morando cada um em seu apartamento). E posso falar que mesmo assim nao foi fácil pois mudamos de cidade e tivemos que nos adaptarmos de cuidar juntos da casa (que é bem mais de quem lava a louca do jantar). Depois que o filho nasceu foi outra adaptacao.
    Venho de uma família patchwork e acho que já vivi parecido com o que os teus enteados vivem. Olha, para eles também nao é fácil. O importante é sempre manter um canal aberto para o diálogo, cada um poder falar das suas necessidades dentro da família (eu por exemplo tive necessidade um época de ter um tempo só com o meu pai o que minha amada madrasta sempre respeitou).

    • Responder Paula Pfeifer Moreira 26/01/2016 at 8:50 am

      Elisa,
      Sou filha de pais separados desde a mais terna infância e sei BEM como é – com o detalhe que meu pai virou ex-pai depois da separação e a mulher dele na época era uma vaca completa, que fez o que podia para que a gente se afastasse de vez dele, e conseguiu. Então esse drama da familia patchwork entendo bem (mais do que gostaria, até!). E insisto com meu marido pra q ele tenha tempo a sós com os filhos.

      Um beijo enorme em você e obrigada por compartilhas as tuas experiências comigo <3

  • Responder Cris 26/01/2016 at 9:30 pm

    Olá Paula!
    Crescendo e aprendendo com as experiências, né?! Meu relato:
    Namorei 6 anos e meio por covardia em me casar! Nunca tinha saído da casa dos meus pais!
    Quando casei fui morar na casa da minha sogra pelo vínculo dela com meu marido que morava com ela nos últimos 20 anos e em respeito à idade avançada dela. Pensando aqui, acho que também foi por covardia de ambos em assumir as responsabilidades domésticas do casamento! Foi uma convivência tranquila por 6 anos, cessando com a morte da minha sogra. Três meses depois mudamos para uma outra residência, onde cuidei de todos os detalhes, deixando a casa com a minha cara! Esse foi o meu marco! Considero que me casei depois de ter ido pro meu cantinho em 15 de dezembro de 2009! É indescritível essa sensação de sentir que você mora na sua casa com o seu marido! Pode ser que com você esteja acontecendo situação semelhante!
    Fazer curso de culinária e administração doméstica é bem bacana! A gente fica mais segura. Os cuidados domésticos se tornam uma arte, a gente fica mais criativa! É revolucionário!
    Também tenho a experiência do meu marido ter filhos, o que também pesou na hora de decidir casar. No caso dele, eram 3 filhos de mães diferentes. Ele sempre se esforçou pelo vínculo paterno, mas os filhos foram se distanciando cada vez mais. O contato se restringiu a raros telefonemas em datas de aniversário, dia dos pais ou virada do ano novo. Tenha certeza que a madrasta (eu!) não influenciou nisso. Hoje percebo que essa é a voz do coração deles. Apesar das tentativas responsáveis, no caso dele não se gerou o vínculo.
    Uma vez na faculdade um residente de obstetrícia comentou uma situação bem pesada, totalmente contrária aos meus princípios, que na época eu achei absurda, mas que a vida me mostrou a evidência dessa realidade: “O homem ama a mulher e não faz questão do filho. O homem só vai amar o filho se amar (ou tiver amado) a mulher (mãe do filho). Ao contrário disso, a mulher ama o filho e ‘não faz questão’ do homem. O filho pode ter sido fruto de um estupro que a mãe o ama incondicionalmente.” Minha experiência com meu marido reforça essa realidade verdadeira. Meu marido só sente saudade do único filho cuja mãe foi uma ex-namorada, com o qual hoje convive com maior frequência. Minha prática profissional em pediatria também evidencia essa situação em várias famílias. Não sou mãe pra reforçar isso, mas como filha de pais casados há 48 anos ratifico esse conceito! Meu pai me ama e ama meus irmãos, mas certeza que ele ama infinitamente mais a minha mãe! E minha mãe ama o meu pai, mas certeza que o amor dela pelos filhos é transcendente!
    Independente de princípios, observe que a natureza humana não é muito diferente da natureza animal: a galinha protege e cuida dos pintinhos e o galo não tá nem aí; a vaca protege o bezerro a qualquer custo e o touro é só o reprodutor… e por aí vai… Difícil dizer se é uma situação normal ou triste, mas é uma reflexão emudecedora!
    O cônjuge é a única pessoa que a gente escolhe na vida. A gente não escolhe pai, não escolhe mãe, não escolhe irmãos, filhos, parentes, colegas de trabalho… A gente só escolhe o marido ou a esposa!
    Finalizando, acho que no casamento o que é mais pesado é a rotina e se existe, é a gente que cria!
    Palavras de uma quarentona que entre namoro, noivado e casamento, vive há 19 anos com o mesmo homem 😉
    Beijos, guria querida!

  • Responder Elisa 27/01/2016 at 10:52 am

    Oi Paula,
    tenho, além dos pais, avós e tios/tias separados. Também sei de histórias e mágoas e preferia nao saber.
    Lembrei do teu post sobre o ex-pai e por isso comentei. O que eu quis dizer é que mesmo com pai e madrasta sendo bacanas e se preucupando com o bem estar das criancas (o que infelizmente nao foi o teu caso, mas foi o meu e pelo o que eu leio de ti acredito ser o caso dos teus enteados), nao é fácil ter a dinâmica familiar modificada quando ainda se tem tao poucos recursos emocionais para isso.
    Estou grávida e bem preucupada em como eu, marido e, principalmente, o filho de dois anos vamos encarar essa grande mudanca. Espero ter paciência suficiente para que a travessia seja mansa.
    Já ouvi que a vida quer coragem da gente, mas eu acredito que a paciência as vezes seja mais valiosa (mas vai ver penso isso é porque paciência, ao contrário de coragem, é o que costuma me faltar).
    Tudo de bom para ti e a tua família!

  • Responder Magnólia 15/02/2016 at 10:11 pm

    Oi Paula, tudo bem ? Li esse teu texto sobre o que representa o casamento na vida real e achei inspirador. Me fez refletir muito sobre essa nova etapa da vida, principalmente no momento em que estou vivendo (noiva antes do casamento). Acho que você deve ter noção através dos inúmeros comentários que recebe, que a forma como escreves tem a capacidade de tocar profundamente os leitores. Se todos fizessem essa reflexão antes de fazer escolhas mal pensadas, evitariam-se muitas separações. Tudo é uma questão de prioridade no casamento. Sem base não há solidez. Parabéns pelo belo texto.

    • Responder Paula Pfeifer Moreira 16/02/2016 at 9:35 am

      Magnólia

      Obrigada pelas palavras.

      Um beijo enorme,

    Deixe seu comentário