Myself

A gente nunca se cura da infância – reflexões sobre ser órfão de pai vivo

09/08/2015

Alguns de nós nascem de uma desnecessária ironia do destino, e eu estou incluída nesta lista. Não me entendam mal, sou muito grata por estar viva. Mas assim como um dia paramos para nos fazer perguntas difíceis tipo “Para onde vamos?“, há também os dias em que nos olhamos no espelho e vem o questionamento “De onde viemos?“. E quando nossas origens são complicadas, atormentadas e tristes, geralmente evitamos pensar no assunto. Passei boa parte da minha vida tentando entender, até o dia em que tomei a decisão de deletar essa busca por entendimento e aceitar o fato de que eu não tinha poder para mudar nada.

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Hoje é Dia dos Pais, um dia que nunca fez o menor sentido para mim. Comemorar ser órfã de pai vivo é meio macabro, não? Enquanto escrevo este post estou no quarto do hospital cuidando da minha mãe – foram 2 meses internada na UTI e agora começa uma recuperação que, segundo os médicos, fará com que daqui uns seis meses ela seja capaz de caminhar de novo. É difícil controlar certos sentimentos, como, por exemplo, a raiva. Em horas assim, quem é OPV (órfão de pai vivo) sente uma raiva descomunal. Por não ter para onde correr. Por não ter para quem pedir socorro. Por não ter para quem pedir ajuda na parte prática da vida. Foram infinitas as vezes em que me senti como se estivesse sozinha numa arena apanhando de uma mão invisível. Hoje, me sinto assim de novo – talvez por isso tenha dado vontade de exorcizar essa sensação medonha escrevendo.

Filhos deveriam ser feitos única e exclusivamente quando duas pessoas que se amam estão dispostas a isso. Não quando dois jovens ou adultos cometem a cagada de engravidar sem intenção. No meu caso, foram dois jovens, jovens demais. E o segundo golpe veio com a morte daquele que teria exercido o papel de meu pai com maestria quando eu tinha apenas 1 ano de vida, meu avô Chico. A partir daí fui criada pela minha mãe (que também é um mix de irmã mais nova e filha) e pelo meu ‘pai’, minha vó Tereca. As duas me deram todo o amor e conforto que conseguiram, mas criança sempre sente algumas faltas meio doídas.

Nem lembro direito, acho que a presença do meu pai biológico durou até os meus 6 ou 7 anos. A verdade é que não tenho nenhuma lembrança boa, só lembranças ruins. De agressões verbais, de beberragem, de mentiras, de sumiços, de nãos. Vou aos cafundós da memória e não encontro um episódio que tenha sido 100% bonito ou verdadeiro. Lembro apenas de uns dois episódios automaticamente anulados pelas mentiras posteriores. Que coisa.

Na minha época de criança, ser filho de pais separados era quase um crime. Lembro de uma vizinha que dizia que eu e meu irmão não éramos boa gente por causa disso. Lembro das mentiras deslavadas que eu inventava para os colegas para justificar aquele ‘pai’ que nunca aparecia em nenhuma apresentação do colégio, em nenhuma data importante. “Ele é militar e está na Amazônia“, “Ele é piloto e está em missão nos Estados Unidos“, e por aí vai. Afinal, era um serzinho incapaz de dizer: “Ele não veio porque não quis!” A gente se protegia como dava.

Não houve uma presença masculina na minha existência naqueles anos fundamentais em que construímos nossa personalidade e caráter. Não houve um cara que me dissesse todos os dias que eu era linda e inteligente. Não houve um cara que dissesse que quebraria os dentes dos namoradinhos que se bobeassem comigo. Não houve um cara para me dizer que tudo ficaria bem. Não houve um cara para me ensinar a dirigir ou para me ajudar a descobrir o que eu queria fazer quando crescesse. Não houve um cara que me ajudasse a lidar com a minha surdez progressiva. Não houve um cara para o qual eu pudesse ligar na hora do pepino. O cara que deveria ter sido minha referência de homem não existiu; para mim, nenhum homem nunca foi “o cara”.

Aprendi a observar e a invejar as famílias de comercial de margarina dos meus amigos: uma mãe, um pai, tudo bonitinho nos conformes. Aos 10 anos, tive que lidar com o fato de que agora meu ‘pai’ era um super pai para outra garota, recém nascida. Ela tinha pai, mãe, infância, família; para ela ele construiu uma casa enorme e deu toda a segurança, amor e presença que eu nunca tive. Não foi fácil, tão pequena, entender e aceitar tudo isso numa boa. Tive raras interações com ela, e todas só serviram para que eu me sentisse sempre um lixo. Afinal, tinha que quebrar a cabeça para entender porque eu e meu irmão éramos tratados como cidadãos de segunda categoria. Que diabos nós havíamos feito? Lembro de uma vez em que passamos férias com nosso ‘pai’ e fomos num jantar, e lá as pessoas nos olhavam como se fôssemos ET’s dizendo coisas como ‘mas ninguém sabia que ele tinha…outros filhos‘ – não basta ser esquecido, você tem que ser lembrado como um erro que a pessoa preferiria jamais ter cometido.

Como resultado dessa brincadeira sem graça, até hoje não consigo confiar plenamente em ninguém. Até hoje sinto como se precisasse ser a pessoa mais legal do mundo para não ser descartada. Até hoje tenho pavor da idéia de ser um fardo para os outros e não sei pedir ajuda. Me sinto agredida em qualquer tipo de interação familiar feliz – isso é muito difícil, me sinto uma total outsider e quero sair correndo sempre que estou no meio de famílias felizes. Não me encaixo, não faz sentido pra mim, talvez porque muito cedo aprendi a não pertencer, a não fazer parte.

Eu não sou do tipo ‘saudosista do que não foi‘ que sonha com uma aproximação épica. Pelo contrário, acho que às vezes o melhor presente que uma pessoa pode te dar é a distância. Só fui entender esse presente já adulta, e hoje agradeço por ele. No caso de OPV, não há perdão: ninguém vai trazer minha infância de volta ou consertar meu espírito quebrado. O que acaba acontecendo com a maioria de nós é que acabamos chegando num ponto em que precisamos nos livrar do veneno que nos intoxica e deixar ele ir.

Um dia você para de esperar um telefonema no Natal. No seu aniversário. Ou em qualquer data importante.

Um dia para de doer quando te perguntam se você é filha do fulano.

Um dia você para de fantasiar com uma pessoa que só existe na sua imaginação.

Um dia você para de procurar o rosto dele em rostos de desconhecidos pelos quais passa na rua.

Um dia você aprende a gostar dos traços que herdou de um total estranho.

Um dia você esquece a sua voz.

Um dia você entende que não há motivo para querer contato com nada que venha dessa pessoa. E não aceita nem quer nada que lhe faça relembrar desse sofrimento.

Acho que os pais são como asas. Nascemos com duas asas que devem crescer e nos permitir voar. Quando uma delas não cresce, a gente aprende a manter os pés sempre fincados no chão. A parte triste é perder muita coisa bonita da vida por causa disso.

Eu acredito que toda experiência horrorosa tem um lado bom. Isso tudo me ensinou a ser forte, a arregaçar as mangas e ir atrás das coisas. Aprendi a contar comigo mesma. Aprendi a dividir (dividi o quarto com a minha mãe até sair de casa aos 33 anos). Aprendi a me doar. Aprendi que todo mundo tem alguma batalha punk na vida. Aprendi que somos o resultado do festival de rasteiras que tomamos e isso não nos torna más pessoas. Aprendi a pensar primeiro nos outros, depois em mim. Aprendi a ser generosa e a compartilhar. Aprendi a nunca fazer quem quer que seja sofrer de modo intencional. Aprendi que a dor nos faz crescer mais do que qualquer outra coisa. E, no fim das contas, agradeço por tudo isso. Aprendi a admirar profundamente as pessoas que fazem das tripas coração para dar conta de criar aqueles que colocaram no mundo – e dar amor, educar e mostrar como esse mundo é bonito.

De vez em quando esses demônios voltam, como hoje. Mas em 99% dos dias me sinto em paz com o desfecho da minha história. Entendo com perfeição aquela frase que diz que há vazios que ninguém preenche e venho tentando preencher meus vazios com leveza, desde que me entendo por gente.

280 amaram.

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40 Comentários

  • Responder Cybele Costa 09/08/2015 at 1:59 pm

    Paula, hj de novo, gostaria de poder lhe dar um abraço e dizer a vc: estamos juntas.
    Não existe dor igual e certamente as nossas não são tb.
    Mas tb sou OPV e hoje é um dia que traz de volta esse dor que não acaba, não cicatriza.
    Meu consolo e acredito que o seu tb é que fomos muito amadas por quem no fim vale muito mais a pena.
    E é por essas outras pessoas, mãe, avó, primas, irmãs/irmão que esse vazio fica menor.
    Feliz que sua mãe está se recuperando!
    Fique com Deus!
    Beijo grande,
    Cybele

    • Responder Carise Santos Müller 13/02/2016 at 10:48 pm

      Sou órfã de pai pois ele abandonou minha mãe ainda grávida. Mas logo após quando completei 4 anos me lembro de ele me procurar mas, nesse tempo minha mãe falava muito mau dele e comecei a ter medo e raiva das coisas que eu ouvia sobre a pessoa dele. Ele se arrependeu e me procurou mas o evitei.
      · agora

      Tentou me apresentar meu irmão que tinha com outra mulher mas nada. Então ele virou alcoólatra e mendigo. O reencontrei quando eu tinha 13 anos na rua sujo, bêbado e fui rude com ele. Me arrependi e voltei ele tinha fugido de vergonha. Procurei mas nada. Fui saber dele aos 18 anos havia falecido.
      · agora

      Eu neste momento era mãe do meu 1º filho, e me doeu muito. Procurei em todos cemitérios onde tinha sido enterrado e nada anos depois descobri que foi enterrado como indigente. A minha vida mudou muito, minha mãe mudou também passei por tropeços tive outro filho. Hoje tenho 37 anos me casei.
      · agora

      Tenho minha casa um filho especial em tratamento médico com pan hipopituítarismo de 14 anos e o mais velho de 19 anos bem de saúde. Pago um preço caro por que minha mãe me ajudou a cria-los. Me casei e ele me abandou. Estranho pq vivo bem hoje em dia como disse meu marido é um homem bom.
      Em 2014 perdi gêmeos deste casamento ele sempre ao meu lado. Mas minha mãe muito pouco. E agora se afastou de mim.Se irrita por tudo reclama de tudo vive numa casa que precisa ser reformada mas não aceita ajuda de nós. Quando me vê sempre me provoca. Faz mais de uma ano que não como a comida dela.
      Como me sinto? Traída, rejeitada, me sinto uma criança precisando de colo. Não tenho raiva dela ter me posto contra meu pai, mas sei que ela não tinha o direito de me separar dele e assim tentou fazer com meu 2 filhos me cobrando toda ajuda dada. Dói muitoooo. O que que eu posso fazer?
      Já conversei mas ela me mente invente histórias quer me explorar… Olha não me expor mais… Mas estou muito triste e só. Meu filho caçula esta prestes a fazer uma cirurgia séria por conta da doença e falta hormônios nele inclusive querem procurar os testículos que não encontraram.
      Tenho só meu marido e Deus e meu filho mais velho. Mas nada substitui o carinho de minha mãe. E o que perdi do meu pai.

  • Responder Carla 09/08/2015 at 2:37 pm

    Como foi bom ler isso e não me sentir só. No meu caso, existe a presença física porém vazia. Sempre que precisei ele não fazia questão de ajudar. E hoje foi mais um dia de aperto no coração e lágrimas nos olhos. Onde apesar da dedicação da data em fazê-la especial tivemos de retorno seu egoísmo e indiferença. Hoje prometi pra mim não esperar mais nada e fazer todo o possível e o impossível por mim e que meu coração fique uma rocha e não uma pedra.

  • Responder Evani 09/08/2015 at 3:50 pm

    Oi Paula, o que dizer de tudo isso? Somente dar os parabéns a essa pessoa incrível que existe dentro de você. Quando nos encontramos, finalmente ficamos em paz. Sinta-se abraçada….agora e sempre.
    Beijos em seu coração.
    Evani

  • Responder Graça 09/08/2015 at 6:37 pm

    Meu filho passar por essa situação e eu me sinto culpada, ele não merece isso.
    Lamento por você e por todos os filhos que não tiveram um pai.
    Melhoras para sua mãe e força para nós! bjsss

  • Responder Carol 09/08/2015 at 6:52 pm

    Nossa, quanta verdade dá pra sentir em cada linha desse texto. Tu escreve com alma. Tenhas sempre muito orgulho da pessoa que te tornastes a partir dessas circunstâncias. Beijo grande!

  • Responder so ramires 09/08/2015 at 7:34 pm

    Não consigo ver direito o que escrevo…umas lágrimas teimosas me embaça. Paula espero que ao escrever isso tudo tenha tido o alívio de uma enorme e dolorosa carga. Quem teve pai e mãe a infância toda talvez nem consiga avaliar a importância disso…não sabemos o lado dolorido dessa ausência. A GENTE BRIGA COM ELES, FICA COM RAIVA, REJEITA, PERDOA, COMPREENDE, PORQUE ELES ESTÃO PRESENTES.
    UM SABRAÇO CARINHOSO PRA VOCÊ E A FAMÍLIA DE VERDADE QUE TE RODEIA. MELHORAS PARA SUA MÃE. E VIVA SUA CORAGEM E VONTADE DE FICAR BEM.

  • Responder Geovana 09/08/2015 at 8:15 pm

    Parabéns Paula pela lucidez, pela maturidade, pela coragem! Percebo que nossas dores e que nossos demônio tornam-se imperceptíveis quando temos a oportunidade maravilhosa de amar um filho e fazer tudo diferente.

  • Responder fernanda 09/08/2015 at 8:41 pm

    Paula, o seu texto me tocou profundamente, revivi uma parte da minha história. Me enxerguei no seu relato. O que eu posso te dizer, é que fui OPV durante muitos anos. Tentei quando era mais nova, ter mais contato com ele, mas em todas as vezes foram muito turbulentas. Cresci sem uma referência masculina, cresci insegura e solitária.Minha vida afetiva sempre foi conturbada Minha única referência era minha mãe. Sinto que ficou uma lacuna na minha vida. Um espaço que não foi preenchido com palavras doces, com apoio que eu e meu irmão precisávamos e não tínhamos dele.Para resumir. Eu o reencontrei em 2012, já doente, portador do Alzheimer. Por mais que possa ser absurdo, eu convivi com ele até 2014, quando faleceu. A minha essência generosa não deixou que eu me afastasse dele, para espanto de amigos e familiares. Meu irmão nunca quis contato com ele. Acho que transformei a minha dor, para encerrar uma parte da minha vida de forma madura.

  • Responder Claudia Souza 09/08/2015 at 9:09 pm

    Tenho o mesmo sentimento que o seu, passei pelo que vc passou… Me compadeço com sua dor ao estar com sua mãe internada…Me reportando em tal situação….só que sou filha única, e minha mãe também…minha família é só nós duas…Rezo, todos os dias, pedindo forças e saúde para minha mãe…e para todas que desempenham o papel de PÃE

  • Responder Ana Marques 09/08/2015 at 9:21 pm

    Paula,

    Sou mãe de uma OPV, que nunca viu o pai, e mãe de outro que o pai encontra nas férias duas vezes por ano.

    A minha filha mais velha está na fase de superar o vazio que jamais deixará de existir. O meu filho ainda não percebe que é órfão, mas vai. Ele tem outros irmãos que já sacaram e vivem com as próprias feridas.

    Lembra que você não tem culpa. Nenhuma. Ele deveria ter tido a hombridade de ser o mesmo pai para todos os filhos. Foi falha de caráter e erro dele, jamais seus.

    Você é tão digna de amor quanto qualquer pessoa. Só não deu sorte.

    No meu caso, confesso a você que existe também uma dor e um vazio que eu não poderei preencher. Sou filha de pai vivo e um pai fantástico. E sempre me pergunto como pude cometer o mesmo erro duas vezes! Será que foi cegueira, carma, um padrão?

    Não sei. Sabe?

    Mas tento me livrar de uma certa culpa que carrego. No vazio dos meus filhos, a minha carga está lá, na escolha errada que EU fiz.

    Quanto a você, lembre-se também de ser cada dia mais feliz. Ok?
    A vida é boa, algumas pessoas é que são ruins.

    Beijos e boa sorte pra ti.

  • Responder Ana Lucia 09/08/2015 at 10:53 pm

    Menina linda , te acompanho faz algum tempo ,sempre admirando suas publicações sua postura de vida enfim você!! Quanta superação e lucidez em uma pessoa tão jovem!! Sinta se abraçada e acarinhada assim como sua Mãe ! Sou mãe de 4 filhos , avô de 6 lindos menininhos e fiquei muito tocada com tudo q vc escreveu e com sua estória. Parabéns a sua Mãe e a Você e coitado daquele que perdeu essas duas pessoas tão especiais.

  • Responder Marisol Cantorna 10/08/2015 at 7:21 am

    Mulher você é linda por dentro e por fora! São datas que não deveriam existir na minha opinião.
    Parabéns pelo texto puro e verdadeiro!

  • Responder Cris 10/08/2015 at 10:33 am

    Oi Paula! Olha, como alguém que conviveu com uma presença masculina em casa que só serviu pra deixar traumas e más recordações, te digo que você está certíssima em dizer que “às vezes o melhor presente que uma pessoa pode te dar é a distância”.
    Com certeza é uma dor que só você sabe o tamanho, mas às vezes a dor do vazio é melhor do que ter uma pessoa ali pra “cumprir tabela” como foi o que aconteceu enquanto seu pai tava por perto.
    Parabéns pelo relato, me emocionei por aqui e tenho certeza que seu caminho é e vai continuar sendo iluminado por pessoas que te amam e se importam de verdade, e isso não tem preço!
    Beijo!!

  • Responder Tatiana Almeida 10/08/2015 at 1:10 pm

    Paula, me identifiquei com seu relato, mas não como filha, mas sim neta de avô vivo (aliás, que eu nem sei se está vivo…algumas pessoas me dizem que ele já faleceu, mas whatever, não me interessa).
    E concordo com a parte de que o melhor presente que alguém pode ter dar algumas vezes é a sua ausência. Ele é um cara tão babaca, mas tão babaca, que não me merecia como neta; é assim que penso a situação hoje em dia.
    Muita paz e muito amor para você!

  • Responder Kárin 10/08/2015 at 3:11 pm

    Me identifiquei um pouco com seu texto porque sou órfã de mãe viva, e posso dizer que é igualmente doloroso. Minha mãe literalmente CAGOU pra mim enquanto eu vivia com ela e era meu pai quem dava comida, levava para a escola etc. Quando resolvi me casar não demonstrou o menor interesse e não ajudou com absolutamente nada, além de para meu grande desgosto, não ter ido. Faço terapia há muitos anos para lidar com essas e outras coisas, mas como você, vou aprendendo a viver sem a presença dela. Aos poucos procuro me conformar com o fato de que algumas coisas nunca poderão ser mudadas.

  • Responder Camila 10/08/2015 at 7:12 pm

    Incrível: você disse tudo que eu penso. Descreveu até momentos que já vivi. Bom é saber que a vida melhora e que construímos a nossa família com as verdadeiras pessoas que amamos, e as que escolhemos amar também. Abraço!

  • Responder Geovana 10/08/2015 at 7:44 pm

    Sempre tive um pai que morou na mesma casa que eu, mas apenas isso e nada mais ,uma figura. Nunca dirigia a palavra para mim ,nunca me deu conselhos, nunca me xingou…apesar de preferir levar uma surra em vez de indiferença.Quando criança dizia para meus amigos que ele era meu tio e não meu pai, sofri com uma família desestruturada e com violência doméstica, mas cresci e hoje possuo uma família maravilhosa, minha família. Não tenho mágoas porque hoje compreendo ele, pois aos 75 anos ele mora comigo, ainda somos distantes mas nem tanto como antes e vejo o amor dele pelos netos.Ao perdoarmos o outro estamos na realidade nos perdoando de uma vida que vivemos mas não foi aquela que gostaríamos de ter vivido.

  • Responder Janise 10/08/2015 at 8:07 pm

    Paulinha, quanta sensibilidade! Mas aproveite para viver bem tua vida e que tua mãe se recupere para te fazer ainda mais feliz.
    Há pessoas que não merecem que nos lembremos delas, mas elas existem e mesmo não querendo, acabamos por lembrá-las. Mas nada como um dia após o outro! Saiba amar esta mulher maravilhosa que é tua mãe e esqueça este fantasma de quem vc não tem nenhuma boa lembrança. Um grande beijo.

  • Responder Roberta Maia 12/08/2015 at 6:42 pm

    Obrigada Paula, pela sua generosidade em dividir seus sentimentos com a gente. Fiquei tão emocionada que repliquei parte do seu texto (com devidos créditos) no meu blog.

    Bom saber que não estamos sozinhas…

    xoxo

    Beta

  • Responder Valeska de Mello 13/08/2015 at 4:48 pm

    Nunca comentei em nenhuma blog, mas esse texto expressa totalmente como me sinto. Mesmo tendo tido um pai presente em casa até os 14 anos, e as vezes ainda o vejo. Mas a forma como as coisas aconteceram quanto ele saiu de casa, deixou um vazio, uma insegurança que a todo o tempo sinto que todos que estão a minha volta estão só aguardando para me apunhalar pelas costas e esquecer quem eu sou, e quem eu era, e que eu era a pessoa mais importante. Fico o tempo todo tentando ser a “Princesinha” de todos, principalmente com namorado, mas sempre fracasso com essas inseguranças que não permitem confiar em ninguém.
    Sua historia de vida é linda. Obrigada por compartilha-la conosco e nos ajudar a entender um pouco melhor da nossa!

  • Responder Tatiana Lambert 14/08/2015 at 2:24 pm

    Já comentei no FB, quando vc postou parte desses escritos. Agora, lendo aqui, queria acrescentar que as pessoas nos colocam como culpados… pelo menos comigo é assim… “Você é mais nova, deveria entender, deveria perdoar, deveria buscar um diálogo.” P* nenhuma! Quem era o adulto, e “deveria” um monte de coisas, e nada fez? Só tenho pena dos meus avós, porque sei que não o criaram para ser assim, esse monstro. Hoje, como madrasta, tento mostrar ao meu marido o quão nociva é [e o futuro mostrará como vai ser] a convivência da filha com a mãe, e como as coisas poderiam ser diferentes, caso ele quisesse brigar pela guarda, e mantê-la num lar de verdade, com adultos de verdade. Mesmo não querendo filhos, penso nela futuramente, e creio que isso, de alguma forma, vai resgatar a OPV que eu fui, e que, se Deus permitir, ela não há de ser.

  • Responder Andreia Rodrigues 14/08/2015 at 4:20 pm

    Olá Paula, sempre estive por aqui mas nunca comentei. Só que hoje é necessário e inevitável. Poxa, a sua história também é a minha história. Também sou OPV, e passei por essas situações de infância, adolescência e vida adulta. E sabe eu também cresci com todo o sofrimento que vivi. E só me livrei dos fantasmas do passado quando olhei para minha vida e vi que ela é isso aí, e eu não posso mudar o passado e não posso mudar as pessoas. Veio uma aceitação forte fruto de vários processos de auto conhecimento, entendimento e terapia. E finalmente fiquei em paz com minha história. Abraços e muito obrigada por compartilhar sua história conosco

    • Responder Elvira Melo 16/04/2017 at 1:41 pm

      Olá eu chamu-me kelly; fiquei lendo os comentários e me odentifico com alguns.
      Minha mãe faleceu ao me dar a luz e por sinal muito jovem. Fui um bebe prematuro; e como se não bastasse meu pai não quis assumir a paternidade fui criada pela irmã da minha bisavo; ( uma senhora muito boa) Sempre senti falta do carinho de um pai. Meu pai diz que gosta de mim mas q não pode me assumir por medo da esposa. Tem quatro filhos e ele não quer que eu me relacione com eles. Me sinto muito mal com esta situação porque fui regeitada logo ao nascer.

  • Responder MICHELLE MUNIZ 14/08/2015 at 4:39 pm

    Posso falar que depois de ANOS acompanhando vc em seus dois blogs, face e instagram, gosto ainda mais de vc? Ler esse post foi como se eu finalmente tivesse coragem de externalizar meu vazio. Um beijo no coração! Que aprendamos a cada dia mais a sair fortes de situações/pessoas que nos esmagam a alma.

    • Responder Paula Sweetest Person Blog 17/08/2015 at 4:59 pm

      <3 Mi!

  • Responder Laura 19/08/2015 at 5:01 pm

    Amiga, que texto lindo. Me emocionei lendo. A vida é isso mesmo… cada um tem sua cruz. Como tu sabe, perdi meu pai ano passado. Minha revolta é com a vida, que tirou ele de mim. Ouvi de três pessoas que, se não fosse ele, seriam perdidas na vida. Aí eu me pego pensando que o que serve um pouco de consolo é que ele conseguiu suprir o espaço desa figura que muitos optam ou não tem capacidade de preencher. Tenho certeza que muita gente vai te dizer para perdoar, ser uma pessoa com menos rancor, ou de tentar entender o lado dele, mas eu acho que tu tem esse direito. Faz o que te deixa em paz. Beijo enorme.

  • Responder etiene 04/09/2015 at 1:56 pm

    Que bom ler isso…. as pessoas geralmente nao costumam falar desse lado negro da vida… so falam que os pais amam, que é tudo lindo… sendo que as coisas nao sao bem assim….
    Eu tive um pai espetacular… cuidou de mim com muito amor e carinho, porem ele se foi ha 10 anos e hj sou orfa de mae viva. No dia que ele morreu eu falei isso para minha irma… Eh uma dor muito complicada, e infelizmente nao é compartilhada porque eh feio ficar falando que nossos pais sao ‘maus’. Entao vivemos fingindo para todos que ta tudo certo, sendo que por dentro, estamos sendo esmagados.
    Todos nos, filhos de OPV te entendemos, de coração!!!
    Amei ler esse texto. Irei le-lo varias vezes, principalmente quando a dor do abandono doer mais forte.
    Parabens pela coragem e pela sensibilidade.
    Te desejo o melhor… pra vc e para sua mae!
    Bjos

  • Responder Emanuela Manzi 16/02/2016 at 4:18 pm

    Também sou órfã de pai vivo, tenho 21 anos. Doi de mais. Meu pai mora na mesma cidade que eu, é casado, tem filhos… Vejo ele raramente. Ja tem quase um ano que não o vejo. As vezes choro pensando se ele ta vivo ou morto, sinto muita falta dele, mas ele sempre foi um pai distante. Não conheço minha familia por parte de pai. E eu sou fruto de uma traição no passado. Doi muito. As vezes me sinto um erro nessa vida, mas confio em Deus, sei que se nasci é porque Deus permitiu. Só tenho minha mãe ao meu lado, e o dia que Deus levar ela, serei eu e Deus. As vezes choro tanto com medo do dia de amanhã… Minha familia por parte de mãe é completamente desunida, distante… Mas sei que Deus não vai me abandonar.

  • Responder Emanuele de Souza 26/06/2016 at 3:18 pm

    Também sou OPV. Nesse momento tô tão sensível que minha intenção é só somar, depois compartilho minha dor. Obrigada por compartilhar sua história, acho que é fruto de oração, há muito venho pedindo a Deus e a todos os santos que me ajudem a me entender, pois me sinto um lixo. Estou na minha segunda graduação e não consigo exercer nem uma. Sou antisocial, disciplinada, mas não tenho amigas, não gosto de festas ou datas comemorativas, detesto que me dêem parabéns, nem comemoro aniversário, sou muito exigente comigo… enfim, coisas que não entendo. E pra terminar, há dias que derrepente choro horrores, que sinto um vazio enorme, ou, no mínimo fico sem querer conversa por dias.

    • Responder Joelma 29/03/2017 at 12:23 am

      Oi me sinto como vc … Estou chorando com a história e na minha cabeça veio a tona toda a raiva que eu sinto por ter nascido e ser órfã de pai vivo

  • Responder Carla Gomes 17/07/2016 at 7:18 pm

    Olha eu preferia ter meus pais mortos neste momento, sendo orfã, do ter eles vivos neste momento , tenho 43 anos , sou casada, e ainda hoje sofro com isso, já estou cansada de ser OPV, nunca entendi, sempre mendiguei migalhas de amor, sei que sou filha biológica deles, mas também já cansei de tentar entender, acho uma situação macabra, eles são uma doçura de pessoas com os outros, já são muitos anos de sofrimento em cima. Acho que já não vale mais a pena telefonar para um deles perguntando se está tudo bem e levando “coices” do outro lado dizendo tua irmã sempre foi melhor que tu, porque tu és isto, aquilo e mais qualquer coisa, já cansei, desisto. Gostava de ter amnésia dos meus pais.

  • Responder Giovana 27/07/2016 at 10:26 am

    Tudo que eu precisava ler hoje, me senti a autora desse texto e olha que já tenho 38 anos, mas nunca conseguiremos apagar o nosso passado ele sempre vem em algum momento, ainda mais comigo que meu pai nos deixou com uma mãe esquizofrenica depois de uma depressao pós parto e necessita de cuidados especiais. Mas a grandeza disso tudo é que tornamos pessoas humildes e sensiveis a dor alheia e acredito que esse é o melhor ser humano que fazem as outras pessoas se sentirem bem, pois não fazemos nada por interesse e sim porque não queremos que o outro sofra como já sofremos. Parabéns Paula.

  • Responder STEPHANE 10/08/2016 at 2:19 am

    Te entendo perfeitamente … meu ”pai” me abandonou ainda na barriga da minha mãe , nunca quis saber de mim . Quando pequena fiquei internada em um hospital (a médica disse que não morri por um milagre) e minha mãe o avisou , porém ele não apareceu . Nenhuma festa de escola ele estava , de todos os meus aniversários ele só apareceu em 2 … um na dos meus 15 anos (foi pressionado a ir … foi no dia anterior da data do meu niver) , lembro q ele saiu de lá falando q ia voltar no dia seguinte q era meu aniversário e desapareceu e outro quando eu tinha uns 20 pq um ex meu fez uma festa e ficou ligando toda hora p ele aparecer … tanto q ele chegou quando a festa acabou . Nunca se lembrou de um aniversário meu .
    Minha mãe disse q ele nunca pagou pensão , q chegou a colocar ele na justiça … mas no dia da audiência ele não apareceu , como eu já tinha 12 anos , ela resolveu deixar p lá … nunca se preocupou se eu tinha o q comer e vestir … mas sempre andou de carro e moto , bem arrumado , emprestava dinheiro p todo mundo , ajudou a irmã dele a construir uma casa . Me lembro de uma vez em q muma tia minha (irmã dele) , ficou precionando ele a comprar um cel p mim pq eu não tinha … quando fui escolher , ele reclamou do preço , não era nem R$ 00 reais .
    Tenho uma filha , ou seja , neta dele … é como se não existisse .
    Hj ele teve 2 filhos com uma mulher … trata as crianças com todo amor e cuidado q nunca teve comigo . Não falta nada p eles .
    Todas festas de aniversário deles , ele não me chama e olha q ele mora 1 min da minha casa (pertinho , dar p ir andando) .
    Na minha ignorância cheguei a ligar p ele em um momento de dificuldade , falei q era urgente e ele não apareceu , ou seja , não se preocupou .
    a pouco tempo ele jogou uma indireta p mim dizendo q a casa q ele fez é p meus irmãos , quando ele morrer … ele teme q eu queira vender p dividir , graças a Deus tenho minha casa própria , mas dps dessa eu não iria querer de jeito nenhum rs

    Por esse motivo sonhava quando menina em ter um lar estruturado … ver minha filha com o pai vendo desenho ,passear no parque , fazendo os trabalhos de casa , colocar p dormir , porém não tive essa sorte .

    Mesmo com tudo isso aprendi e estou apendendo a ser forte … peço a Deus q me ajude a superar , pois ver minha filha crescer sem o pai no dia dia me dói . Tentei procurar essa ausência de pai nos meus relacionamentos , sempre via os homens como uma figura protetora p mim … acho até q por isso sempre gostei de homens mais velhos (15 anos p cima de diferença meus relacionamentos)
    Se eu tivesse meu um PAI teria sofrido muito menos , não teria tomado algumas escolhas .
    hj escolhi viver só , pois me apego demais quando estou em um relacionamento … tenho medo de perder a figura masculina .
    tbm não quero ser mãe novamente ,pois não aguentaria ver outro filho crescer sem o pai ( não suportaria ver pela terceira vez minha história se repetir) . Se cuida bjsss

  • Responder Erika santos 21/10/2016 at 4:39 am

    Meu pai abandonou a mim e meu irmão digo abandonou literalmente por que ele nunca nos procurou não fazíamos diferença na vida dele. Perdemos a referenciá masculina que deveríamos ter na infância, lembro que uma vez no colégio cheguei a falar pra minha professora que meu pai tinha morrido por isso ele nunca ia as reuniões de pais na escola. cresci sentindo a falta dele e julgando minha mãe por ele ter saído de casa e nos abandonado, só que na verdade ele nunca fez a menor questão de amar nem a mim e muito menos ao meu irmão hoje estou com 23 anos quando ele me esqueceu eu tinha 8 anos e quer saber eu nunca vi amor, sempre vi agressões e ele sempre bêbado, hoje em dia ele mudou tem uma família a esposa dele tem mas 2 filhos do casamento anterior dele e um terceiro filho fruto do relacionamento dos dois, já eu e meu irmão não passamos de dois filhos da ex esposa dele. Quer saber para mim não faz a menos diferença por que aprendi a amar e acima de TUDO VALORIZAR MINHA MÃE que sempre esteve do meu lado mesmo quando eu a julguei culpada de tudo vejo que ser que não é capaz de amar um filho não ama a si próprio.

  • Responder Bárbara 12/01/2017 at 9:03 pm

    Maravilhoso!!! Isso aí, arregaça as mangas e vive essa batalha louca que é a vida.
    Que sempre valorizemos a vida das nossas mães que essas sim são heroínas de verdade <3

  • Responder uma garota sonhadora 21/01/2017 at 2:45 am

    Oi nunca tive amor de mãe na verdade lembro da minha infância lembro q tinha uma familia unida quando minha vò por parte de mãe tudo acabou todos ficaram frios ums com outros n tinha mais amor mais familía ! minha estava com um cara e logo depois d ums meses foi morar com ele eu tinha dez anos na época quando ela decidiu mim intregar. Ele para ser violentada ela presencioh tudo pedi ajuda e ela n fazia nada apenas mi mandava calar a boca , mim lembro que ela estava com otmos reflexos , ela sofria violencia avia apanha absurdanente ! Avia passar maquiagem para cobrir as marcas conclusão ela conssigui deixar dele foi bastamte dìficil pois ela tinha medo depois de alguns meses de separada ela foi assacinada no dia em q eu fazia 12 anos de idade meus 2 irmãos cada um ficou com o pai eu gbm fiquei com meu pai e minha vô onde passava muita umilhação intão a namorada do meu pai conquistou minha confiança ela era má e mi aconsselhou a fugir e foi isso q fiz aos 13 anos ñ sabia oq era a vida e sofrir muito na mão dela e do meu pai maus tratos e umilhacoes , um belo dia conssiguir mj livrar dela mais ainda sofre muito na casa d um e d outro trabalhando em troca d casa e comida era muito revoltada cometir muktos erros por encentivo dessa mulher mais hoje sou outra ñ sou mais aquela garotinha inocente criei experiência e sem ter apoio tive q mi casar hoje aos 16 anos ele é uma pessoa boa q ñ é machista e ñ mkm impedi d viver tou terminando meus estudo e ja mi acustumei a viver so perdoei a quem mi fez mal meu pai é vivo mais pra ele eu ñ existo diz q eu vou terminar como minha mãe oq dar mais forças para eu vencer na vida meu maridk sai e xhega tarde e vive atra da ex mais ñ tenho opção mais levo comigo a certeza q soh capaz de superar tudo pois o pior ja passou

  • Responder Gustavo 27/02/2017 at 4:02 pm

    Olá, Paula. Que aventura, é a vida, né? Me peguei remoendo algo muitíssimo parecido com a sua narrativa, e “dando um google” parei aqui. Obrigado, primeiramente, viu? Saber que não estou só na minha angústia dá um alívio. Alivia ainda mais ver casos como o seu, em que você trilhou sua saída maestral, aceitando as eternas cicatrizes, mas vivendo apesar delas. Quem já tem quase 33 hoje sou eu. Graduado, virei estatística entre os profundamente frustrados com a área de formação, mas me abstive do mimimi e venho me preparando pra alguns concursos, mais pra sair debaixo das asas quebradas. Depois vejo se faço outra faculdade. Por enquanto a peleja de todo dia é lidar com o figurão machista e misógino especialista em apontar defeitos em mim, apegado desde sempre a coisas materiais e a dinheiro – pobre homem. Já sofri mais, como você. Hoje é um dia de catarse e exorcismo mesmo. O “demônio” da memória sorri, e dá ansiedade. Mas passa. Logo passará. Faz tempo desde que você escreveu o texto, e eu espero que você se sinta ainda melhor hoje. Um abraço.

  • Responder Gui 29/03/2017 at 10:46 am

    obrigado ! terminei caindo aki tbm hehe. sou OPV desde 6 anos de idade, hj tenho 28 e ainda me pego em dias como hoje que esse demônio tira minha paz. Um mistura de raiva, pena, angústia que naw sei controlar.

  • Responder Iury 12/07/2017 at 11:10 am

    Conheci o meu pelo Facebook mas ele não quer falar comigo

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