O gosto pelo brilho

Entre todos os releases que recebi nos últimos tempos, um deles chamou muito a minha atenção – também pudera, sendo louca por brilhos e dourado como sou, seria impossível não achar interessante o que li. Em tempos de gente-que-mal-sabe-do-que-está-falando ‘ditando’ regras e moda em terra brasilis, a gente precisa buscar informação de fontes seguras, não é mesmo? Como o release veio de um portal muito afiado de caçadores de tendências, decidi publicar aqui na íntegra, porque vale a leitura.

“A equipe de cool hunters da UseFashion desenvolveu um estudo sobre o comportamento de consumo no Brasil, estreitamente ligado com a estética da nobreza de tempos passados. Abaixo, são explicadas as origens dessa estética e exploradas as aplicações dela na construção de produtos de moda e design contemporâneos.

Na história brasileira, dois momentos contribuíram para fixar o gosto da nobreza entre seguidores e súditos. Por volta do fim do século 17 e início do 18, a descoberta de ouro em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso favoreceu uma arquitetura religiosa suntuosa, com igrejas cobertas de ouro que podem ser  encontradas até hoje em estados como Minas e Bahia. Ainda no período colonial, as mulheres negras e escravas na Bahia acumulavam riquezas nas negociações que faziam pelas ruas e, seguindo a moda da corte, cobriam-se de joias encomendadas por elas mesmas. O resultado é espantosamente rico e as peças ficaram conhecidas como “joias de crioula”.

Séculos depois, o fascínio pelo brilho e pelo luxo ainda é explorado, principalmente pela moda. Das passarelas internacionais e nacionais vem a confirmação de que o brilho tem espaço certo, seja no verão ou no inverno, e nas mais diversas versões: da pedraria ao couro, dos fios metalizados ao veludo cristal.

Nas ruas, aplicações mais práticas como bordados e paetês tem figurado cada vez mais nas produções, inclusive para o dia a dia, confirmando o uso de elementos considerados luxuosos em looks casuais. Outras opções, mais populares, mantêm esse apelo estético, porém, com o uso de elementos mais baratos, como por exemplo, um mouse com cristais de acrílico ou um par de Havaianas com aplicação de metais.

O fato é que esta análise revela uma janela para as criações de moda no Brasil. A estampa, o acabamento, o detalhe em cristal, que chamam a atenção na vitrine e entram na lista de venda certa, funcionam ainda como chamariz para outros produtos.”

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