Vivo indicando os livros que leio aqui mas não costumo emitir muito palpite sobre eles, porque penso que gostar de um determinado livro é algo extremamente pessoal. Porém, esse de hoje foi o livro mais incrível e inteligente que li em muito tempo. Confesso que comprei porque achei a capa hilária, numa ida a Porto Alegre. Mas o conteúdo, ah….foi tipo “me caiu os butiá do bolso!”. Um psiquiatra e terapeuta de casais francês dissecou os problemas de 20 casais de pacientes dele. Nesse mundo nojento de ‘amor líquido’ no qual vivemos hoje – com todo o respeito, claro – acho fantástico quando duas pessoas decidem procurar ajuda para resolver os problemas que estão os impedindo de continuar juntos. Ama, tem sentimento? Vai resolver, ora bolas. Fugir é mais fácil, claro – mas ao término do livro fica claro que a recompensa por essa viagem para dentro de si e do outro é muito mais valiosa que a fuga.
‘Cenas da vida conjugal: como os casais enfrentam a crise do relacionamento’, de Serge Hefez. Ed.Benvirá, R$29,90.
“Por que ela? Por que ele? Por que procurar uma solução juntos em vez de jogar a toalha? O que leva Hugo e Elisa – e outros tantos milhões de apaixonados – a escolher não seguir a corrente e não virar o rosto aos primeiros sinais de dificuldade? Mistério. Sem dúvida, cada um deles se deu conta de que encontrou um bom par. Isso é o que permite, por sua vez, certo nível de repetição e de transformação. Os apaixonados são, um diante do outro, duas demandas contraditórias. Há uma demanda explícita – ‘Ajuda-me a mudar, a me liberar de minha história e do modo como esta me moldou‘ – e uma demanda implícita, que contradiz a anterior – ‘Conforte-me com a idéia de que os dados foram lançados e que ninguém pode mudá-los porque a mudança, qualquer que seja, é difícil e aterradora’. Isso é o que nos faz escolher um ao outro, sempre, por boas ou más razões e por que acabamos, sempre, por censurar o outro de ser exatamente aquilo pelo qual nós o escolhemos…”
“Ela ainda tem razão: nada os vincula. Eles vivem juntos, dormem juntos, vêm me ver juntos para falarem juntos, mas não estão juntos. Estão lado a lado, cada um atrás do seu vidro, como duas estátuas petrificadas na respectiva solidão. Nada os vincula um ao outro, porém, sobretudo, nenhum deles é vinculado a si próprio. Sophie e Allan são sobreviventes de uma infância na qual não puderam, nem um nem outro, desenvolver esse narcisismo primário indispensável que lhes permitiria investir sua própria pessoa como objeto de amor e estabelecer as bases sólidas de uma boa autoestima que precede a capacidade de se voltar para os outros.”
“Como os casais do mundo inteiro, Catherine e Jacques estão em luta contra os demônios familiares: o pai suicida de Jacques, a mãe louca de Catherine; a mãe desolada de Jacques, o pai ausente de Catherine. Há quinze anos o casal valsa com esses parceiros incômodos, sem encontrar um modo de se libertar. Eles sabem, um e outro, a que ponto seus pais pesam em seu vínculo conjugal. Eles são capazes, cada vez mais claramente, de explicar de maneira muito elaborada como esses pais são parasitas em suas histórias. Eles enxergam. Mas são prisioneiros disso, como se houvessem ‘incorporado’, ela, sua mãe louca, ele, seu pai suicida…’
















Acho que vou comprar
Parece interessante!!!! bjooo