*Por Tâmisa Trommer
“Tatuagem no pescoço, alargador, cabelos parcialmente grisalhos, postura de presença. Speto: misto de irreverência e experiência de vida, o grafiteiro paulista realizou na última quinta-feira, para a felicidade dos porto alegrenses e gaúchos, uma palestra sobre sua carreira e trajetória, falando sobre seu interesse por grafite e artes, como vê a criatividade, o trabalho em paralelo ao comercial e artístico. Tudo em prol da divulgaçãodo Movimento Hot Spot (do qual ele é um dos curadores) no shopping Moinhos.

Em conversa exclusiva com o Speto tive a oportunidade de sanar dúvidas e de adentrar no seu mundo paralelo, que busca o controverso, o confuso, para seguir um desafio pessoal, incitando sua criatividade. Não vê em si um perfil atual, apesar de tender a “sabotar a técnica”. Cria nas imagens, personagens, e realiza no seu grafite, na sua arte, detalhes contrastantes de um olhar observador da cultura da sua gente. Encantou-me ver que aquele grafite que conheci nas paredes de uma cidade grande e fizeram meu dia ter um sabor diferente estava estampado na fala do Speto, envolto de uma carga emocional e experimental. Ele mostrou que não basta só querer, é preciso persistir naquilo que acredita.
Ao falar sobre música, considera-a “menos censura”, porque que esta propõe ao corpo movimentos quase involuntários: podemos não gostar do ritmo, mas cedemos a ele. Conta que para ele existem dois momentos bem distintos: o da busca de referências, no qual ouve música para auxiliar e entrar no clima do que estuda; e quando efetiva sua criação, e aí usa a música como impulso.
Speto usa a rua democrática como sua tela de pintura, que, diferentemente da galeria, é invadida de informações, barulhos, pessoas, acontecimentos. É arte que comunica, basta fechar os olhos. Agradeço à Paula e As Patrícias pela oportunidade. Eventos como esse são imensamente bem vindos!! Ah, o desenho que aparece na segunda imagem ele fez para mim enquanto conversávamos!”
O Movimento HotSpot vai rodar o Brasil à procura de talentos nas áreas de arquitetura, moda, beleza, cenografia, design, design gráfico, filme e vídeo, fotografia, ilustração e música. Tem ainda a categoria Ideia, que vai premiar as três melhores propostas dentro dos conceitos de empreendedorismo, tecnologia, sustentabilidade, biomimetismo, engenharia de produção, varejo, branding e comunicação.
O MHS acontece em cinco etapas, que começaram em março deste ano e seguem até fevereiro de 2013. Primeiramente, os candidatos devem inscrever-se e enviar um vídeo explicando a idéia. Os primeiros selecionados serão entrevistados pela equipe do HotSpot, a qual viajará por 16 cidades do Brasil entre junho e agosto. Quem for para a próxima etapa, deverá colocar o projeto em prática para que seja avaliado em exposições de festivais multiculturais organizados pelo MHS, de onde sairão os finalistas – em POA, será entre 28 e 30 de setembro. Na fase seguinte, os concorrentes entrarão em uma imersão criativa, na qual receberão novos desafios sob a orientação e avaliação dos curadores.
Os vencedores das 11 categorias serão revelados em um grande festival que vai rolar em São Paulo. Três projetos na categoria ideia e um candidato de destaque em cada uma das outras dez receberá o prêmio de R$10 mil. Além disso, o HotSpot vai investir até R$ 150 mil para que o ganhador da categoria Moda apresente uma coleção com desfile no Fashion Rio ou no São Paulo Fashion Week, e até R$ 200 mil para ajudar a desenvolver aquela que for considerada a melhor Ideia, entre as três premiadas na categoria. As inscrições são gratuitas e seguem até 31 de agosto na página oficial do MHS.
















