
“Monogamia. Palavra que causa. O que ela causa… bom, aí já é outra questão, pois as opiniões, sensações e sentimentos que a dita representa variam muito de pessoa para pessoa e de homens para mulheres. Monogamia significa, em essência, que duas pessoas tenham um acordo mútuo de fidelidade em sua vida a dois. Já falei disso em outro post, mas é interessante lembrar que vida conjugal não é necessariamente sinônimo de “para sempre”, pois não temos garantias de absolutamente nada nessa vida.
Nesse ponto a coisa já ganha uma baita vírgula: se não existe garantia de nada, como prometer fidelidade e lealdade eternas a alguém se não sabemos nem o que nós mesmos pensaremos e sentiremos mais pra frente? Controverso. Nos atuais dias “modernos” o fato de que mulher que trai não presta (pra ser delicada) e homem que trai é garanhão ainda é um senso muito comum. Em relação à traição por partes dos homens, já li muita coisa, desde por ser da natureza masculina, aquela coisa toda de espalhar os genes pelos 4 cantos do mundo, blábláblá…Mas então péraê. Se estamos em tempos ditos modernos, por quê nós mulheres, que tanto lutamos por reconhecimento, por paridade de direitos e deveres, etc, temos que crescer ouvindo que é natural que sejamos traídas e, não bastasse, que devemos entender e aceitar placidamente a pluralidade da natureza hormonal masculina? Entender o escambau!! Eu, ao menos, não entendo – se eu estiver numa relação onde esteja subentendida a monogamia, não vou querer que meu boy magia ande por aí a freqüentar outras freguesias.
Prestaram atenção? Relação na qual esteja subentendida a monogamia. Escrevi exatamente isso aí em cima. SUB-EN-TEN-DI-DA. Chegamos num ponto que considero crucial: o acordo. Que acordo? O acordo sobre as bases do relacionamento a dois, já que o mais engraçado – ou trágico – nisso tudo, é que não lembro de ter lido em nenhum lugar que, para existir monogamia, é necessário que apenas um seja fiel (independentemente de qual). Artigo 1, inciso…. rsrsrs… calma, não é pra tanto, não! Mas, brincadeiras à parte, um relacionamento a dois acaba sendo um contrato entre duas pessoas.
Você assinaria um contrato com alguém sem saber de coisas importantes a seu respeito? Eu não. Então, minha cara, a palavra da vez é diálogo. Conversem bastante sobre tudo o que for importante para os dois, se abram, se conheçam a fundo. Não parta jamais de pressupostos, pois a gente só sabe daquilo que é dito, daquilo que é conversado! Todo o resto é suposição.
Vocês concordam sobre os conceitos de fidelidade e lealdade? Qual é mais importante para cada um? Como encaram a questão da monogamia? Vejam, somente através da fala (e de atitudes compatíveis com ela) é possível analisar quais são as divergências de opinião entre vocês e se podem chegar a um senso comum que não deixe nenhum dos dois incomodado ou que afete o futuro da relação. Se as convergências entre vocês forem maiores que as divergências, segue o relacionamento. Se não, bom, mais cedo ou mais tarde algo envolvendo um tema em que vocês não compartilham de uma forma próxima de pensar irá aparecer… e daí ou alguém terá que ceder ou a coisa vai travar. E, lembrem-se: não é possível meio termo para tudo nem para todos.
Monogamia eterna parece que acontece com um tipo de verme sobre o qual a gente poderá saber mais se assistir ao National Geographic. Já ouvi falar de uma espécie de baleia e parece que um passarinho. Mas com a gente, sei não. Me acompanhem: lembrei agora do meu primeiro namoradinho. Noooooossa. Quase morri quando acabou. Achei que nunca mais iria amar de novo. Agora, olhando pra trás, posso dizer que tive esse mesmo sentimento algumas outras vezes. Entenderam a idéia da coisa, né? Quero dizer que a monogamia, se sinônimo de relação, pode ter prazo de duração, bem aquela coisa do “que seja eterno enquanto dure” .
Ou seja: monogamia não necessariamente vai significar estar com apenas um para todo o sempre. Pode ser também estar com apenas um por um período determinado, enquanto for legal para ambos. Se deixar de ser legal para um ou para os dois, entra a questão do respeito e da alteridade, botando na prática o que foi acordado. Alguém quebrou uma cláusula do contrato? Hora de sentar, conversar, analisar sentimentos, desejos, vontades… sem essa de pré-determinação rígida de “errou, acabou”, afinal, quase tudo na vida que você um dia disse que nunca faria, um dia você vai acabar fazendo – eu disse quase tudo, hein.
Se a gente não tem condições de garantir um pensamento, uma atitude ou um sentimento para sempre, tem que saber que pode mudar de idéia, errar, se arrepender, querer voltar atrás… (e que o outro também pode) enfim, todas essas coisas tão humanas que nos assolam durante todos os dias de nossa vida. Descer do salto e ouvir quem está do outro lado da mesma forma como gostaríamos de ser ouvidas se pisássemos na bola ou mudássemos de opinião sobre algo é crucial, até porque pode ser que tenha sido você que tenha infringido alguma cláusula do acordo. Agora, a análise daquilo que vale ou não a pena em prol da manutenção do relacionamento cabe somente a cada um e a cada dois em específico (cada combinação de dois é única).
Não existe relação saudável ao lado de alguém que não partilhe de opiniões semelhantes sobre coisas importantes, sobre modos parecidos de enxergar as coisas (eu disse semelhantes, parecidos, não iguais) pois nesse caso ou os embates serão constantes ou alguém acabará cedendo em prol do outro com muita freqüência, e a possibilidade de um sentimento de menos valia aparecer no sujeito que sempre “concede” ganha força… e isso definitivamente não é bom. Com a monogamia não é diferente, não.
- Aline, afinal, existe ainda, essa tal de monogamia?
- Olha, eu acho que pode existir, sim.
- Pra sempre?
- Enquanto o relacionamento durar (incógnita eterna); até quando Deus quiser e o Diabo permitir.”
Aline Bäumer é Psicóloga – CRP 07/13627 – e Sócia Diretora da Plural Psicologia e Consultoria (Rua Pinheiro Machado nº 2380, sala 409, Bloco B| Centro | Santa Maria- RS | (55) 3225-1632)













Aline!
Amei esse “Divagando”.
Posso dar meu pitaco?
Não acho que a monogamia seja algo natural, prefiro os conceitos de lealdade e fidelidade que tu citou no post. Essa semana li uma entrevista com a Sarah Oliveira em que ela disse que acredida em lealdade com o nosso sentimento e o sentimento do outro, e acrescentou ‘ e não me venham com esse papo careta de fidelidade’. Concordo 100%!!
Na minha muy humilde opinião, acho que só defende com unhas e dentes a fidelidade quem nunca caiu em tentação – e todos nós podemos um dia cair! Ser fiel é uma questão de sentimento. E de escolha. A gente escolhe ficar com uma pessoa só, com tudo o que isso implica. E implica acima de tudo honestidade, acho eu. Não quer mais, ou quer outras pessoas, vai lá e abre o jogo. Contratos podem ser quebrados, se a gente assim quiser. Ou mantidos pelo resto da vida, também.
Me alonguei…
=)
Bjo!
Isso aí, tuas palavras complementaram! Belo pitaco, adóóóro! Bjo!!!
fidelidade…respeito…afinidade…quando acaba…melhor conversar e ver o que vc pode suportar…..hoje.existe uma infinidade de tipos de relacionamento,vc decide …se suporta ou não..o peso dessa relação. bjo
Assunto delicado, delicado até demais pro meu gosto. O diálogo, como foi dito, é a parte essencial em qualquer relação do mundo. Eu acho a monogamia uma péssima ideia, mas ela já está aí (e está morrendo aos poucos). Envolve tantos ramos de discussão que nem vou começar a falar deles. Ou melhor, vou tocar só no machismo da coisa toda. Ainda hoje, com toda essa independência feminina, tanta evolução, no fim das contas se uma moça decidir viver mais livremente, resolver ter mais de um parceiro simultaneamente é melhor que ela o faça bem discretamente, senão será taxada de vagabuuunda. Chega a cansar a beleza. Mas fazer o que né?
Daremos o cara a tapa hoje e quem sabe amanhã as pessoas poderão viver focadas em coisas mais importantes que a vida alheia, em assuntos que são nada mais, nada menos, que de foro íntimo e não deveria estar na boca das vizinhas, tias e desocupados de plantão.
Xará (rsrs…), gosto muito das suas colunas aqui no blog. Eu já fui muito radical sobre fidelidade em relacionamentos. Hoje busco ter relações saudáveis como você citou.
E que seja eterna enquanto dure…
Beijos!