Somente com a minha permissão…

 

“Faz algum tempo postei essa frase em meu Facebook. Um pouco após, em São Paulo, hospedada na casa de um amigo (uma pessoa extraordinária, aliás; aproveito a coluna para manifestar publicamente minha afeição!), ele me pergunta o que eu quis dizer com aquilo.  Respondi : “exatamente isso, que as coisas nos acontecem somente se permitirmos”. Ele, não satisfeito, insistiu. Eu segui com a colocação, dizendo que considerava que isso se aplicava a praticamente qualquer coisa. Ele não gostou muito, dizendo não ser bem assim. Não recordo se seguimos conversando sobre isso. O fato é que, nessa semana, essa frase voltou ao meu pensamento.

Quando digo que se algo nos acontece é com a nossa permissão, é porque, de fato, em algum momento, fizemos uma opção que levou àquilo (me refiro a questões existenciais e do quotidiano particular). A grande questão nisso tudo, é que a todo o momento estamos fazendo escolhas, optando entre a, b, c, d, etc, e é praticamente impossível termos a noção exata do quanto cada uma delas implica tanto em renúncia a todas as outras bem como das conseqüências futuras de seus desdobramentos…  penso ser esse o ponto que mereça nossa atenção.

Mas então, o que fazer? Pergunta de difícil resposta, mesmo porque esse retorno diz respeito muito particularmente a cada um de nós, à capacidade de resiliência de cada um, inclusive. Em primeiro lugar, penso que seja interessante pensarmos que o “se” não existe. Coloco isso pois costumeiramente esse é o primeiro pensamento que nos vem à mente quando percebemos que tomamos uma atitude errada ou que deveríamos ter feito algo diferente, por exemplo. Pois bem, não podemos voltar atrás e fazer de outra forma. Podemos, sim, analisar o que fizemos para que não venhamos a repetir a mesma coisa exatamente da mesma forma.  E é aí que a coisa complica, pois temos uma tendência medonha à repetição, aquela coisa de nem perceber o que fazemos, ou de “eu sei que não devo, mas não consigo fazer diferente”, ou, ainda, o que eu muito ouço no consultório “eu sei que não devia, mas é mais forte do que eu!”.

Então, leitoras.  Não existe receita, não existe regra, até porque o que é bom para um não é bom para o outro, e por aí vai. Existe, contudo, aprendizagem, amadurecimento e conhecimento de si próprio. Procure registrar na sua “memória RAM e HD” os seus feitos e suas repercussões, de forma a usá-los como guias para suas futuras escolhas, desde as mais simples às mais dilemáticas. Saiba que a tendência à repetição vai estar ali, imprimindo a sua dura existência, mas que sempre existirão possibilidades diversas. A vida é cheia delas, afinal. A consciência de que você pode fazer diferente, além de tirar-lhe da posição de vítima do mundo – e veja bem, a vítima está sempre à mercê do algoz – e colocar-lhe como ativa na sua própria história lhe confereincontáveis possibilidades reais de fazer diferente. Mas somente com a sua permissão.”

Aline Bäumer é Psicóloga – CRP 07/13627 – e Sócia Diretora da Plural Psicologia e Consultoria (Rua Pinheiro Machado nº 2380, sala 409, Bloco B| Centro | Santa Maria- RS | (55) 3225-1632)

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16 responses to “Somente com a minha permissão…”

  1. 1Adriane Maccaroni

    Parabéns!!! Você é genial!!!Perfeito!!!!

  2. 2candida

    Depois ,não adianta reclamar….tudo…ou quase tudo…é com a nossa permissão….mas,viver é um contrato de risco…bjo

  3. 3alda

    excelente post!! pra mim o mais difícil em não repetir “o erro” é a tentação que ele causa, pq claro que por mais que esse erro seja ruim pra minha vida, a princípio ele dá sensação de bem estar,igual a uma droga! mas se conseguimos vencer esse obstáculo,essa dificuldade, com certeza teremos mais controle e consciência das nossas decisões e consequentemente mais felizes! bjao

  4. 4Neyara

    Muito legal o post!

  5. 5Ana Cristina Laskos

    Sabes Paula, que tenho até medo de postar algo aqui, pois quando me inscrevi para o sorteio do anel de coruja da Maria Dolores, entrava pelo menos uns 20 e-mails por dia na minha caixa de recados….rsrsrsrsrs
    beijinhos…….

  6. 7Aline Bäumer

    Caríssimas… um adendo! Onde está escrito “memória RAM”, leiam “memória RAM e HD”… Fica mais adequado em função do real significado dos termos.
    Bjs e obrigada pelos comentários, fico feliz que estejam curtindo!

  7. 8Merielen Sabaini

    Mais verdadeiro impossível! Bala! Adorei!

  8. 9Nelsi

    Amei o post !
    Nao canso de repetir que as coisas acontecem porque “VOCE permitiu.” E essa é a granda sacada da vida. Saber o ponto onde devemos avancar ou parar algo.
    beijos e bom final de semana.

  9. 10Marcia Godoy

    Nos faz refletir o quanto andamos permitindo coisas boas ou más em nossa vida.Até que ponto temos a clareza das ideias.Permitir ou não permitir é parece ser essa a questão.
    Ótimo Texto!!

  10. 11Greize

    Será o famoso:VOCE MERECE O QUE VOCE TOLERA.?!!

  11. 12LIGIA

    Adorei… é isso mesmo, as coisas que acontecem com a gente é pq permitimos de alguma forma ainda q incoscientemente…… a vida é feita de escolhas diárias!
    Um bjão Paulinha!!!

  12. 13Juliana

    Adorei o texto!
    “se algo nos acontece é com a nossa permissão, é porque, de fato, em algum momento, fizemos uma opção que levou àquilo”: ao acordar, dou-me um bom dia, estampo um sorriso nos lábios e escolho ser feliz ;)

  13. 14Luisa

    Adorei!!

    Quando realmente percebemos que é somente com nossa permissão, talvez possamos aprender a não permitir.

    Esperando ansiosamente o próximo post…

  14. 15Julia F. Schiessl

    Olá Aline, tudo bem?
    Lendo seus textos não pude deixar de comentar que acredito em cada palavra que você escreveu!!!
    Também sou psicóloga e arrisco dizer que provavelmente seguimos linhas teóricas parecidas.

    Gostaria de parabenizá-la e dizer que seria uma honra se pudessemos trocar algumas idéias.

    Desde já agradeço.

    Abraços.

    Julia

  15. 16Aline Bäumer

    Olá, Julia. Fico contente. Me adiciona no fb que sou facinha, hahaha. Bjs a todas.

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