“A partir dos trinta anos, desabituamo-nos de olhar para as pessoas que se cruzam conosco. Como se disséssemos: inscrições fechadas. Na infância, bastava um miúdo gostar do mesmo bolo que nós para lhe perguntarmos: ‘Queres ser o meu melhor amigo?’. Depois deixa de haver o melhor – entramos na idade das equivalências.” (Inês Pedrosa) (achei aqui,do Coisas de Frozina)
Não costumo deixar as pessoas chegarem muito perto. E isso não é resultado de relacionamentos que não vingaram. É meu jeito. Desengonçado. Bicho do mato. Não cheguei nos 30, mas sempre fui assim, “inscrições fechadas”. Não sei porque. Em parte, confesso que sei. Acho que a gente tem o direito de poder sentir atração, tesão (ou chame como quiser) por quem tenta chegar perto. E se não sentir, tchau. Não existe nada mais escroto do que se forçar a sentir tesão por alguém. Do que ficar examinando a pessoa na tentativa de achar algo passível de admiração. Bah, não dá. Desculpa, mas não dá meissshhmo. Esse papo de que a mulherada é muito seletiva tem base nisso. Homem topa qualquer parada, mulher, no geral, não. Como disse o Renato Russo muy sabiamente naquela música “eu posso estar sozinho, mas eu sei muito bem aonde estou!”. Se o que chega perto me atrai, ótimo, vou tentar. Senão, não. Simples. Já passei da fase de procurar qualidades: o essencial tem que saltar aos meus olhos! Semana retrasada fui pra (cof cof cof) balada, coisa que não fazia há seculosss. Que selva! Se você cruza o olhar com alguém -por engano, por descuido- a pessoa já acha “ta me querendo, só pode!”. Oi?? Cadê o semancol, a educação, o tato? Não há. Essa pressa, essa agorafobia que rola na noite me deprime. É um tesão forçado, um medo de voltar pra casa só, um pânico da opinião dos amigos. E assim as pessoas vão passando por cima do que sentem, traindo seus valores e aumentando aquele vazio que ninguém preenche. Se as pessoas chegassem perto pelos motivos certos, seria tão bom. Mas é aquela aproximação tá-ficando-tarde-não-posso-ficar-no-zero-a-zero-de-jeito-nenhum. É isso? Então BYE. Comigo funciona assim. Inscrições abertas para pessoas irresistíveis (aquelas que nos atraem como ímãs, que têm um tipo de poder divino sobre nós). Inscrições fechadas para pessoas que não me atraem. Sem ressentimentos, mas não sou obrigada. Aliás, ninguém é. Assim como aprendemos a entender e aceitar quando não nos querem, o resto do mundo deveria fazer o mesmo. Right??
UPDATE: A Lou deixou um comentário ótimo, aliás, resumiu tudo o que eu disse em duas frases lindas.
“Pecado é provocar desejo e depois renunciar”, Renato Russo
“Eu só sei ser íntima”, Clarice Lispector.













é verdade, eu tbm sempre fui muito fechada, sempre odiei ter “coleguinhas” e o engraçado é que sempre as pessoas mais loucas e/ou inusitadas me atrairam tanto na amizade quanto no resto.
hoje em dia devido à profissão e uma auto estima um pouco mais ” higher” hehehe eu me soltei um pouco mais, mas quando o santo não “bate” eu nem chego perto e nem adianta aparecer pintado de ouro na frente.
esse lance de olhar por engano na night rola mesmo, mas se o ser estiver convencido que vc está querendo leva-ló para casa, tem uqe fazer um ar bem antipático sair de perto e nem dá papo. em último caso, chama o segurança!
mas sabe que as vezes eu quero ir num lúgar só pra dançar mesmo curtir a MÙSICA! aí já vou logo pensando que se eu ficar com alguém vou perder o melhor da festa… esse medo é surreal, afinal quantas ficadas de balada realmente vão pra frente?!
só pq eu falei isso agora, vai chegar alguém aqui e dizer: estou casada há 5 anos com alguém que conheci na balada ele é o amor da minha vida e blá blá blá…não é que não possa acontecer, mas é difícil né! rs
beijos e boa semana!
Oi Paulinha,
Nossa menina que transmissão de pensamento o assunto desse post, pois tive uma conversa esse final de semana c/ uma amiga sobre esse assunto, de como tá difícil sair na noite p/ se divertir, eu amo sair à noite só notívaga por natureza rsrss adoro sair c/ amigos p/ beber e jogar conversa fora, sair p/ dançar então é praticamente uma terapia p/ mim, o problema é o ônus que isso trás, tipo: agüentar cara(s) chatos que querem pegar/ficar a qq. custo e se vc. não quiser, dá-lhe insistência, dá-lhe forçada de barra, chega a ser patético! Já aconteceu comigo o cúmulo do cara me apoquentar quase que a noite inteira e eu tentando ser educada pois não é que o camarada começa fazer terapia comigo na balada kkkkkk tipo: “vc. não quer ficar comigo pq. já sofreu muito por aí, têm problemas de se relacionar c/ as pessoas etc e tal”, eu achei um abuso tão grande que mandei o cidadão catar coquinho na praia. O pior é que não vejo somente os homens nessa situação têm muita mulher (pelo menos aqui em SP) nessa vibe! Tenho a sensação que as pessoas estão perdidas, com auto estima no pé e precisam se auto afirmar pegando alguém(ns) na balada e isso é muito triste.Outra amiga outro dia queria por que queria me convencer que é preciso “tentar” sair c/ uma pessoa, mesmo que vc. não esteja atraída pois “de repente” vc. pode sentir alguma atração?!!! Como assim????!!! eu definitivamente não concordo e disse p/ ela que p/ mim NÃO ROOOOOLA sair c/ uma pessoa p/ ver se eu vou me atrair por ela, gente acho que têm mulher pirando c/ esse negocio de ficar solteira pois p/ mim isso nada mais é que prostituição, c/ a diferença que não levo grana no final kkkk, não têm sentido sair sem vontade, forçar a barra p/ ver se rola uma atração! Posso até estar sendo radical mas pelouamordedeus isso p/ mim é desespero de causa e se têm uma coisa que não estou é desesperada rsrs
Bjka querida e desculpe o romance que acabou ficando rs
Por isso que eu amoooo uma balada gay! Dançar até perder o fôlego, sem garotinhos chatos que precisam sair “catando” na noite, com gays maaraa e principalmente sem ninguém achando que vc é uma aberração da natureza pq vc não precisa “pegar” alguém em uma noite pra se sentir realizada!
bjsss
Paula,
Caramba, seu blog é incrível! Adoro a diversidade dos assuntos! Passo sempre por aqui!
Concordo muito com o texto! Acho que é por isso que estou sem namoradinhos! hehehe… É o famoso “Antes só que….” rsrs
Beijo enorme,
Érika
Nossa! Concordo totalmente!! Definitivamente, menos é mais.
Pois é. Passei dos 30 (tenho 35) e estava me achando mais intolerante. Mas me identifiquei muito com o que vc escreveu. Eu não consigo mais perder tempo com gente baixo-astral e que só quer me explorar. Incluindo parentes. Meus pais acham que eu sou radical, mas eu não me sinto na obrigação de conviver com quem não quer o meu bem. E aprendi a só contar os meus projetos para quem realmente torce pelo meu sucesso.
Que bom perceber que eu não tô virando uma solteirona ranzinza. Só estou mais seletiva. Beijos. Seu blog é maravilhoso!!!!
Paulinha, penso exatamente como vc. Pra quê esse desespero todo? Acho que as pessoas desaprenderam a se divertir pelo simples prazer de ser feliz. Tudo tem que ter um objetivo, uma meta. Sair e não “pegar” (vixe, que chulo) ninguém parece absurdo! Pra mim isso sempre foi muito natural. Aliás, os melhores “encontros” que tive foi nessa onda de meio sem querer, indo na balada só pra dançar e ficar de bem comigo mesma. Meu namoradão (que amor…) eu conheci numa dessas, em que eu fui com as amigas pra me divertir, dançar e dar risada. Ele apareceu meio de mansinho, e me conquistou. Isso faz um ano! Por isso, meninas, não se preocupem: existem caras legais nas baladas, que vêem algo mais em vc do que “a conquista do dia” e, principalmente, ligam no dia seguinte!
Ai, eu amo seu blog Paula.
Menos é mais, antes só do que mal acompanhado. Acho que dá pra reduzir tudo a isso né? Em festinha e nights afora muita gente fica sem critérios e sai apontando e atirando pra tudo que é lado. Mas não precisa ser assim né? “Já passei da fase de procurar qualidades: o essencial tem que saltar aos meus olhos!” Adorei! Eu posso não ter passado da fase ainda, mas pra mim é por esse caminho. Tenho que sentir aquela coisa instantânea primeiro, e quem sabe depois ir descobrindo o resto aos poucos…
Beijo!
Sempre seremos sozinhos em nossos sentimentos, por mais que alguém nos conheça, jamai saberá a real intensidade do que sentimos ou de quem somos, de fato. Entretanto isto nao quer dizer que devamos viver em solidão….muito embora nos deparemos com a dificil arte de viver em sociedade, no momento em passamos a ser qualitativas ao inves de quantitativas…teremos problemas: Afinal, quantas pessoas soltas por aí despertarão nosso interesse? se parecesse haver uma mesmice no ar, inscriçoes não só fechadas, mas em dialetos indecifraveis, quiçá de outro planeta….Desanimo??? que isso pessoas como nós, em busca de substancialidade, estão no mesmo lugar que nós, se preguntando a mesma coisa, quando vão as baladas. O que vale a pena é manter a paz de espirito, e saber que numa dessas, essas duas pessoas vão se encontar, ” antes do por do sol ou depois”, mas um dia, certamente.
peace and love pra todas!
Nossa, eu sempre fui o contrário de você… e sempre me ferrei!!! Aahahahhahahahah… nunca fui de night, mas sempre me envolvi muito fácil, apaixonei-me muito fácil e aí a gente sempre se decepciona, porque não espera pra conhecer a outra pessoa melhor. No fim das contas, suas boas intenções vão pras cucuias e a outra pessoa vai pro inferno (modo de dizer ahahahahah). Beijo, Paulinha!!! ^^
Entrei aqui por acaso. Mas olha, raramente paro para ler o que há em blogs, porque assim como há coisas muito legais há coisas que são pura perda de tempo. Tu tens uma linha de pensamento muito boa e sabe medir muito bem as palavras. Adorei não só esse seu texto mas quase tudo que tem aqui. Quase tudo porque não tive tempo de terminar minha leitura. Mas vou deixar para ler durante a semana.
ps. e depois dizem que balada é possível arranjar um relacionamento sério. Possível é, mas é raro com toda certeza.
Um beijo querida!
Esse post me absolveu, cada dia que passa gosto mais do seu blog. Sou exatamente assim, não dou falsas esperanças para alguém (seja recem conhecido, amigos, homens, mulheres) sendo que de início a pessoa não chamou minha atenção, pois, como dizia Renato Russo ” Pecado é provocar desejo e depois renunciar”, então, minhas inscrições ficam fechadas, enquanto eu não sinto, é isso mesmo, meio instintivo, que me leva a admirar a pessoa e desejar aquela companhia perto de mim.
Ser falsa é que eu não vou, sinto muito, mas, eu prefiro ser de poucos e entender o porquê, do que ser de muitos e me perder.
Ás vezes, sofro por isso, pois, as pessoas entendem como arrogância, frescurit, algo que para mim é muito simples, igual nossa querida Clarice Lispector, ” eu só sei ser íntima”, logo, preciso de um tempo para me dar e abrir espaço para o outro.
Gostei muito do que li aqui!
Um grande beijo!
Lou
Entendo perfeitamente o que você está falando. Já tive essa mesma sensação. A sua descrição dos olhares cruzados acidentamente é perfeita! A interpretação que se faz de uma situação dessa às vezes é trágica e cria situações constrangedoras, especialmente quando você, definitivamente, não está interessada e/ou já acompanhada por outra pessoa! Por outro lado, acredito que o que busco hoje na minha vida é o que descreve Clarice Lispector, é ser íntima, ser verdadeira, em tudo, todos os tipos de relacionamento. Mas o sentimento que me vem, vez ou outra, é de que estou na contra-mão. Indo além, me veio a questão: será que somos tãããão seletivas que são poucos os que passam na nossa seleção??? Como lidamos como fato de não sermos irresistíveis aos olhos dos outros???
Faço da minhas palavras as da Agatha.. eu normalmente só tenho ido em baladas gays ou alternativas. O pessoal é sossegado e sair pra curtir o lugar, a musica.. conversar. Não tenho saco pra ir nessas baladinhas modinhas onde só tem piriguetes, começo a sentir vergonha alheia de certas mulheres, os homens tratam todas como se fosse um pedaço de carne, e normalmente sempre sai briga e tals, tem gente q nao sabe beber. É fogo.. e cada vez é mais dificil achar pessoas com o msm pensamento que a gente.. =\
Muitas e muitas e muitas vezes, no meio de festas, parei e fiquei pensando exatamente isso: ‘o que eu to fazendo aqui?”..é muito ruim tu perceber que tá num lugar onde tudo não passe de mentira, de aparências, de ‘tentar ser’..graças a Deus hoje não passo mais por isso..mas mesmo se não tivesse encontrado o meu amor (!), não conseguiria mais ir a esse tipo de festa.
Enfim, tu estás certíssima! Tem que deixar fluir..tem que bater o santo! não adianta forçar a barra só pra não ficar sozinha. Paulinha, tu arrasa nessas sessões desafabo! Amooooo! beijão
[...] dos comentários do post “Sobre deixar chegar perto”, a leitora Karla me perguntou como lidar com o fato de não sermos irresistíveis aos olhos dos [...]
Oi Paula!!
Pra mim funciona assim também: inscrições suuuper abertas para os que me atraem feito um imã!!! Acho que nesses casos vc consegue um misto de auto estima higher com felicidade, uma mistura de sensações muito boas que do outro jeito não se consegue!! Sempre fui assim, pra acontecer uma aproximação tem que ser com efeito imã, senão não consigo, e sempre fui criticada por isso, como aquela que não pega ninguém, pq minhas amigas iam pras festas e ficavam com qualquer um e eu não.
Adoro seus posts pq me acho muito seletiva e quando vc escreve sobre esses assuntos vejo que várias pessoas pensam assim e dá um alívio heheheheheeheh
Beijos
Oi Paula!! Estou relendo esse post e me deu vontade de comentar a frase mais incrível de todas: “O essencial tem que saltar aos meus olhos”!!!!! É exatamente a frase que explica o auge do momento da atração. O carinha que eu estou paquerando exerce esse poder em mim, o essencial dele saltou aos meus olhos em todos os sentidos….pena que ainda não aconteceu nada, mas é um imã louco, uma atração sem explicação a que sinto por ele!!!
Beijos
Fernanda
Ja tem um tempinho que nao expresso minha opiniao aqui (mas continuo sendo leitora assidua!!)…..so que nao tive como me conter diante desse post…vc simplesmente traduziu em palavras como eu me sinto!!
Bjuuu
Me identifiquei total!! RT @sweetestpblog Sobre deixar chegar perto, post escrito em 2008. http://tinyurl.com/y882vq8
http://sweetestpersonblog.com/2008/09/29/sobre-deixar-chegar-perto/
AMEI, AMEI, AMEI! Sério, Paula!Nunca me identifiquei tanto com um texto…penso EXATAMENTE igual!Eu não tenho mais paciência para baladas por causa disso.E acontece que quase ninguém entende isso hoje em dia.Tem horas que acho que sou um E.T., que vim de outro planeta porque não pode…as pessoas não entendem mesmo!Me acham careta…Daí fica todo mundo tentando de levar pra “rua”, pra conhecer alguém…”Você tem que sair, conhecer gente…”Onde fica os nossos sentimentos nessa hora? Cadê a química? O romantismo? É igual você falou…não adianta eu saco na hora se vai valer a pena, ou não?Você olha e algo te chama atenção..assim..na HORA!E muitas vezes nem sabemos falar o que é…só sabemos que é!Ou que vai ser!Ou que pode ser!E o destino, Deus, se encarrega do resto!
Paula, adoooro seu blog! Você além de linda e fofa tem conteúdo. Leitura Just LUV!
beijos
Paula,
Incrível como vc resumiu bem. Eu tenho só 24 e me sinto assim. Eu tb nao me transformei por causa de relacionamentos falidos – embora os tenha tido. O fato e que na cabeça das pessoas em geral é dificil de entender é que ao contrario delas eu não quero ter alguém pra não estar só. Prefiro estar só e não ter que ir “enrolando” o outro que de repente pode ter espectativas.
Não me lembro muito bem, mas uma vez vc disse que infelizmente ou felizmente se sentia muito bem sozinha (não lembro exatamente a frase, mas era algo parecido), na hora me deu vontade de copiar e mandar pra todos que me conhecem por email hehe. Eu sou essse tipo tb, me sinto tão bem cmg mesma, com o meu tempo, com as minhas coisas e etc. que preciso sim que seja uma pessoa irresistivel pra que possa acontecer.
ps: seus textos ótimos como sempre.
bjs.
Não costumo deixar as pessoas chegarem mt perto.E isso ñ é resultado de relacionamentos que ñ vingaram.Sempre fui assim. http://bit.ly/hhLvd
@andidf e @lelondero adorei o texto. Tb recomendo http://sweetestpersonblog.com/2008/09/29/sobre-deixar-chegar-perto/
Sobre deixar chegar perto. Obrigada @ludmilaraujo,eu amei.Minha cara. =)
http://sweetestpersonblog.com/2008/09/29/sobre-deixar-chegar-perto/
É lindo.
Ler e refletir.
http://sweetestpersonblog.com/2008/09/29/sobre-deixar-chegar-perto/