Com vocês, o escritor Sérgio Faraco

Conheçam uma pessoa muito especial: o escritor gaúcho Sérgio Faraco. Mais uma da série “as pessoas mais inteligentes e interessantes são as mais acessíveis que existem”. Esses dias, eu estava lendo o jornal Zero Hora, quando me deparei com uma crônica do Faraco que me chamou a atenção. Então mandei um email para ele perguntando se, por acaso, ele não estava falando sobre aparelhos auditivos!! (para quem não sabe, eu uso, não escuto bem desde criança). Acertei! Trocamos emails sobre o assunto e posso afirmar que o Faraco é uma daquelas pessoas raríssimas, pois possui uma mistura de inteligência com mimosura e delicadeza que não se encontra mais por estas bandas! Com vocês, o meu amigo Sergio Faraco…

Com 25 anos eu me sentia…

Claustrofóbico. Estava preso na sede da Interpol, em Porto Alegre, por ter vivido em Moscou nos anos 1963-65.

O livro que mais gostei de ler foi…

As crônicas marcianas, de Ray Bradbury. Também o Quarteto de Alexandria, de Lawrence Durrell.

O melhor conselho que já me deram…

Como Umpiérrez, um personagem do uruguaio Juan José Morosoli, prefiro seguir meus próprios conselhos.

O que mais me alegra na vida…

O bem-estar de minha mulher e meus filhos.

Gostaria de ter sabido antes…

Que o socialismo soviético era um logro.

Uma mania que me persegue…

A busca da perfeição no que escrevo, ambição impossível. Bem, é menos uma mania e mais o instinto ingênito de todos os artistas, como dizia o polígrafo João Ribeiro.

Descobri que amava escrever quando…

Quando comecei a escrever cartas. O objeto dessa devoção, contudo, não é o ato de escrever, stricto sensu, mas a literatura.

Penso que o otimismo é…

Em excesso, um perigo. O melhor é ter sempre os pés no chão.

As pessoas mais interessantes são aquelas que…

São inteligentes, sinceras, solidárias e de bem com a vida.

As boas surpresas acontecem…

Quando nada mais se espera.

Antes de dormir, penso em…

Nada. Costumo ler e em regra durmo com os óculos.

Sobre o amor, posso dizer que…

É um sentimento bonito, até grandioso às vezes, mas inferior à verdadeira amizade. Esta sempre é recíproca, o amor nem sempre.

Um bom amigo é aquele…

Que é leal, generoso, honesto, está ao teu lado em tuas derrotas e, sobretudo, em teus êxitos, que são mais difíceis de suportar. “Como é amargoso contemplar a felicidade pelos olhos dos outros”, escreveu Shakespeare.

Amo o Rio Grande porque…

Ele tem um rosto e seus traços são únicos. Brasil é outra coisa.

 

**Sérgio Faraco nasceu em Alegrete, no Rio Grande do Sul, em 1940. De 1963 a 1965 viveu na União Soviética, tendo cursado o Instituto Internacional de Ciências Sociais, em Moscou. Mais tarde, no Brasil, bacharelou-se em Direito. Em 1988, seu livro “A Dama do Bar Nevada” obteve o Prêmio Galeão Coutinho, conferido pela União Brasileira de Escritores ao melhor volume de contos lançado no Brasil no ano anterior. Em 1994, com “A Lua com Sede”, recebeu o Prêmio Henrique Bertaso (Câmara Rio-Grandense do Livro, Clube dos Editores do R.G.S. e Associação Gaúcha de Escritores), atribuído ao melhor livro de crônicas do ano. No ano seguinte, como organizador da coletânea “A Cidade de Perfil”, fez jus ao Prêmio Açorianos de Literatura — Crônica, instituído pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre. Em 1996, foi novamente distinguido com o Prêmio Açorianos de Literatura — Conto, pelo livro “Contos Completos”. Em 1999, recebeu o Prêmio Nacional de Ficção, atribuído pela Academia Brasileira de Letras à coletânea “Dançar Tango em Porto Alegre” como a melhor obra de ficção publicada no Brasil em 1998. Seus contos foram publicados nos seguintes países: Alemanha, Argentina, Bulgária, Chile, Colômbia, Cuba, Estados Unidos, Paraguai, Portugal, Uruguai e Venezuela. Reside em Porto Alegre.(fonte:http://www.releituras.com/sfaraco_menu.asp)

 

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