Entrevista com a escritora CAROL TEIXEIRA

 

Sagitarianas são magnéticas. Extrovertidas. Contagiantes. Assim é Carol Teixeira, uma ‘cariúcha’ (nascida no Rio e criada em Porto Alegre) incrível que fiz questão de entrevistar para que vocês pudessem conhecê-la melhor. Carol é filósofa e escritora, autora dos livros “De abismos e vertigens” (Ed.Sulina) e “Verdades e Mentiras”(Ed. L&PM). Linda. Estonteantemente (existe essa palavra?) simples. Inteligente até não poder mais.Viajadérrima. Fashion. A primeira vez que vi uma foto da Carol (acho que foi na Zero Hora) pensei :” Mas que mulher é essa?”. Fui atrás de informações e quase enlouqueci porque não achava o primeiro livro que ela havia escrito para comprar em lugar nenhum! Foi então que enviei um email, o qual Carol respondeu apenas pedindo o meu endereço. Tempos depois, recebo o livro de presente, autografado e tudo! Foi a primeira vez que tive certeza absoluta daquilo que vivo dizendo: as pessoas mais incríveis/invejadas/copiadas/cultas são as mais simples e acessíveis. Conheçam um pouco mais dessa apaixonada pela vida e pela obra do Caio Fernando Abreu.

Quais foram os caminhos que te levaram à Filosofia?

Sempre gostei de ler, de escrever, sempre fui muito questionadora e com uma ânsia absurda por conhecimento. Era daquelas crianças que adorava enciclopédias e vivia jogada nos livros. Quando tive que optar por uma faculdade, a filosofia me pareceu a opção que mais ia de encontro com esse meu lado questionador e não-conformado com respostas prontas.

“E o escritor é o que atinge o mais alto nível dessa necessidade de quebrar essa parede, de chegar no lado de lá e conseguir tocar o outro com suas palavras (…)”. Escrevestes isso no teu primeiro livro. Qual é a sensação de ser uma escritora publicada e reconhecida?

É ótima. Amo receber a resposta dos meus leitores, amo receber emails de pessoas que se identificaram com algum texto meu ou que tiveram suas mentes expandidas por minhas palavras. Escrevo por necessidade de transbordar, mas acho essencial essa coisa de ser lida. Essa é a razão de tudo, senão seria só uma voz ecoando num vazio, não mudaria nada. E meu objetivo com minha arte é fazer diferença na vida de alguém. Como eu sempre digo, não vim ao mundo a passeio.

Nem sempre encontramos mulheres bonitas E inteligentes (como tu!). Geralmente se é uma coisa ou outra. O que tu pensas dessa loucura do mundo de hoje, em que as mulheres lutam contra o tempo e agem como se a beleza fosse absolutamente fundamental? Será que ela é tão fundamental assim?

Vivemos num mundo obcecado com a superfície das coisas, então seria hipocrisia dizer que beleza não faz diferença. Mas não é fundamental, não mesmo, porque felizmente temos mil camadas além da superficial. Mas fico meio assustada com o rumo que as coisas tomaram nesse terreno – as mulheres estão surtando. E a culpa também é das revistas femininas que insistem em endeusar a juventude. Esses dias li uma dessas revistas idiotas e ao acabar de ler já estava me sentindo uma velha. Sério! E isso que eu tenho vinte e oito anos. Do jeito que falam parece que a vida acaba aos trinta. Aliás uma das reportagens falava algo assim “Como aparentar trinta anos para sempre”. Olha que pesadelo! Quem disse que a gente tem que aparentar trinta anos para sempre? Isso não é possível, estamos travando uma guerra vã, está faltando aceitação.

O que tu pensas da terapia como forma de auto-conhecimento?

Eu sou a maior fã da psicanálise. Amo, amo, amo. Me analisei por oito anos e foi a melhor coisa que fiz por mim. A gente nasce como uma obra inacabada, um rascunho, e vai se moldando, se aperfeiçoando ao longo da vida. E a psicanálise é como se a gente chamasse um super artista para dar uma ajuda a deixar a obra de arte que somos ainda mais bonita. É assim que vejo. No fim, acaba sendo um favor para nós e para os que convivem com a gente.

Procurei entrevistas tuas na internet e achei uma em que tu disseste “Recalque alheio não me tira o sono”. Como é que a gente faz pra lidar com os recalques alheios (como se já não fosse suficiente termos que lidar com os nossos!) ?

Acho uma merda gente invejosa. Sou muito sensível, sempre me afetei com energias pesadas e sempre sei quando estão me invejando. Mas aprendi a lidar com isso e hoje essas coisas não me tiram mais o sono. É só desviar o pensamento.

Tens uma tattoo em latim que diz ” A arte existe para que a verdade não nos destrua”. Devemos buscar na arte meios de escapar das agruras da vida, mesmo que por apenas por alguns momentos?

Sim, sim, sim. A arte é o que nos faz passar voando por cima da realidade. Quem disse que a gente tem que viver sempre com os dois pés no chão? A vida assim fica muito chata. Eu, particularmente, vivo flutuando. Leio e escrevo muito, adoro teatro e música e sou casada com um músico, alguém que também não tem os pés muito no chão. Então a minha vida é muito imersa nessa linda fantasia que é a arte, uma coisa meio Terra do Nunca. É isso que me salva. Realidade demais me faz mal. Sério. Sou totalmente Peter Pan.

E a inspiração para escrever? Ela chega sorrateira, de repente, ou está sempre ali?

Está sempre ali em potência, mas ela vira ato nos momentos mais inusitados. Por isso tenho um bloquinho de idéias pronto para ser rabiscado em todos os cantos: do lado da cama, dentro das bolsas, no carro…

Carol, tu te casaste há pouco tempo, então vamos falar de amor. Na tua opinião, o que é que faz um relacionamento dar certo?

Primeiro, identificação, porque acho muito importante as pessoas terem coisas em comum, não concordo muito com aquela coisa de que “opostos se atraem”. Podem até se atrair, mas não ficam muito tempo juntos. Para evitar brigas ou sair rapidamente delas é necessário saber ceder e ser sensato, coisa que se aprende com a maturidade. Bom humor é essencial, a melhor coisa do mundo é duas pessoas que se amam rindo juntas da mesma coisa. A vida fica mais leve. E criatividade também é a chave de muita coisa, principalmente do sexo.

No teu livro, “De abismos e vertigens”, há uma frase tua que diz assim: “O verdadeiro amor é só céu”. Acredita mesmo nisso?

Não concordo com essa frase isolada, pois sabemos que todo amor tem seus altos e baixos. Mas no texto que escrevi falei que o verdadeiro amor era “só céu” no sentido de que ele não precisa do inferno que muitas vezes criamos, com brigas a la Almodóvar, tapas e beijos, separações e retornos cinematográficos. Muitos casais criam seus próprios inferninhos e vivem aquela coisa doentia sem saber quanto o amor pode ser feliz e tranqüilo.

O que tu dirias para aquelas que ainda não encontraram o amor? (não vale dizer que a esperança é a última que morre rsrsrs!)

Digo para esperar, que ele vem quando a gente menos espera. Mas curtam enquanto ele não vem, é muito bom também estar sozinha, explorando seu próprio universo, a solidão também pode ser construtiva. Ruim é ficar sozinha imaginando que a solução de tudo está em algum outro ser que está por vir.

Tens um site através do qual podemos te acompanhar em tuas andanças pelo mundo. Viagens nos permitem entrar em contato conosco mesmos de uma maneira bem profunda. Concordas?

Concordo muito. Acho essencial essa descontextualização, sair do lugar que nos define, cortar as raízes de forma que possamos nos enxergar de fora. Dá um nó na cabeça, faz evoluir, faz a alma respirar, é como trocar de pele.

E a interação com os teus leitores através do site,é prazerosa?

É MUITO prazerosa. Respondo todos os emails, me envolvo nas histórias que muitos contam e tenho o maior respeito por cada um. Essa interação é o que mais me incentiva. Adoro quando fico um tempo sem escrever e logo minha caixa enche de emails me cobrando.

Quais são as pessoas mais interessantes, para ti?

Vou citar um trecho de um livro do Kerouac que está transcrito na parede da minha casa:
“As únicas pessoas que me interessam são as loucas, aquelas que são loucas por viver, loucas por falar, louca por serem salvas; as que desejam tudo ao mesmo tempo. As que nunca bocejam ou dizem algo desinteressante, mas que queimam e brilham, brilham, brilham como luminosos fogos de artifício cruzando o céu.”

E as mais repugnantes?

Gente preconceituosa. Preconceito é a pior espécie de burrice.

Conta pra gente sobre teus próximos projetos! Vem livro novo por aí?

Estou escrevendo meu terceiro livro e estou um pouco confusa. Não sei bem o que está saindo, mas estou escrevendo e vendo no que vai dar. O título é “A Obscena Senhorita C”. Espero lançar esse ano, vamos ver se acabo de escrever logo. Até mudei meu local de trabalho aqui em casa – mandei fazer uma mesinha nova para botar na frente da janela, pois agora pretendo ter mais disciplina. Às vezes é bom se “descontextualizar” também na própria casa. Ajuda na criatividade.

Livros que amo: “Extremamente Alto e Incrivelmente Perto” (Jonathan Safran Foer), “A Insustentável Leveza do Ser” (Milan Kundera) e todos do Caio Fernando Abreu.
Livros que releio sempre: “Cartas” e “Os Dragões não conhecem o Paraíso”, os dois são do Caio Fernando Abreu.
Escritora favorita: Clarice Lispector (em alguns contos) e Maria Adelaide Amaral.
Escritor favorito: Caio Fernando Abreu. Sou fixada.
Meu estilo é: pop-filosófico
Bebida favorita: vodka
Comidas que amo: risotos, pastéis, nutella- tudo que engorda.
Sites que vivo acessando: geralmente só entro em blogs.
Perfume que uso: Dolce & Gabbana light blue
Estilista que adoro: queria ter todos os sapatos do Christian Loubutin
Passeio que sempre faço: o passeio perfeito para mim é ir ao teatro e depois sair para jantar fora, tomar um vinho e comentar a peça.

Um lugar…Berlim. Queria morar lá.
Uma lembrança boa…Grécia, com o meu amor.
Uma saudade…dos meus melhores amigos, que moram fora do Brasil
Uma gentileza…minha mãe é a gentileza em pessoa.
Uma euforia…lançar um livro é a melhor das euforias.
Um choque… quando fui para a Rússia e vi a merda que o comunismo pode fazer com um país.
Uma surpresa…bons elogios sempre me surpeendem, nunca estou preparada.
Uma angústia…escrever é sempre um prazer e uma angústia.
Um medo…de morrer
Uma certeza…que seria louca se não escrevesse.

Site da Carol

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18 responses to “Entrevista com a escritora CAROL TEIXEIRA”

  1. 1alda

    Fantástica a entrevista Paula, é tão bom a gente conhecer pessoas como a Carol, inteligente sem ser “intelectualoide” uma fofa mesmo e ainda por cima gosta da Clarice Lispector (amei), tenho uma amiga tb. que fez filosofia e mora em Curitiba e é bem parecida com a Carol, linda, inteligente e simples.E concordo muito qdo. ela diz que preconceito é a pior espécie de burrice, preconceito é de doer!!
    bjão

  2. 2Carol ine

    INCRÍVEL! Foi um grande prazer ler essa entrevista. Amo tudo que a Carol escreve e foi maravilhoso conhecer um pouco mais sobre ela. Parabéns.

  3. 3Gabi

    Amei Paula!! Volto sempre!
    Parabéns!

  4. 4Camila Barbosa

    Paula, sempre leioo teu blog mas eh a primeira vez que comento.. adoro aqui, entro todo dia e já super me indentificava com tuas opiniões, idéias, posts, etc. Enfim, depois dessa entrevista com a carol.. nossa.. tinha que comentar! hehehe. Eu tbm sou sagitariana, e me identifiquei demais com a Carol também. Achei ela incrível! :) Vou entrar no site dela e conhecer a obra. Ahh, tbm tou doida pra ler o Caio Fernando de Abreu, que vcs duas amam! :)

    bem, parabéns pelo blog!!

    beijos

  5. 5Marina

    Arrasou, Paula! As frases que ela citou então..pra gurdar e pensar.
    Vi o site da Carol atrávez do seu blog, e fiquei apaixonada por ela, e mais ainda ao saber que ela é fã do Caio F. e sagitariana que nem eu ! :)
    Será que encontro os livros dela pelo Rio?
    Beijos!

  6. 6Renata

    Nossa, mês passado estava eu folheando uma revista Caras na casa da minha vó quando eu me deparei com uma foto da Carol no casamento dela. Ao ver a foto, não me interessei em saber quem ela era, e já virei a página, pensando que ela fosse só mais uma dessas famosas que adoram chamar atenção (principalmente na hora do casório). Virei a página e nem me dei ao trabalho de ler o que tava escrito na matéria justamente por causa do “vestido” de noiva dela, que consistia num top e numa saia dourados. Fiz justamente o que ela mais condena: fui preconceituosa! NUNCA eu ia achar que aquela mulher que tava casando de barriga de fora seria minimamente interessada, quanto mais formada, em filosofia! Mas que pensamento errado, errado, o meu, né. Isso é prova de como é muito fácil julgar uma pessoa pela “imagem” que ela passa, e abriu meus olhos do quanto a gente tem que sempre se policiar em relação a isso…é difícil não julgar alguém que você vê numa revista ( principalmente a Caras, que tem mais foto do que texto) pela aparência, mas é muito, muito importante ter em mente que imagem NÃO é tudo. É importante tomar cuidado pra não cometer um erro, uma injustiça, como eu fiz, pq a gente pode se surpreender com as pessoas. Aquela história de “não julgar um livro pela capa” soa muito bem na teoria, mas na prática nem sempre ela é tão fácil de ser aplicada, como eu pude perceber. Muito, muito bacana ler essa entevista e descobrir que ela é totalmente o oposto do que eu imaginava e ainda por cima perceber que a gente tem bastante coisa em comum! Me identifiquei muito com o que ela pensa, consigo imaginar a gente trocando idéia, conversando sobre todas essas coisas que ela contou.
    Já visitei o site e adorei, vou procurar os livros dela e os do Caio Fernando Abreu também.

    Adoro o blog, primeira vez que eu comento aqui ;)

  7. 7amanda

    Tô muito feliz de ter conhecido seu weblog, Paula. Gosto muito de ver que você consegue misturar o papo sobre beleza e moda com literatura e artes em geral. É um barato isso, algo que eu tentei fazer lá no Conversa Delas, mas não consegui. Agora vou tentar inserir essa mescla de universos aos poucos, porque acho que isso enriquece a cabeça de qualquer leitora e você consegue fazer isso de uma forma muito bacana. Adorei conhecer a Carol e vou procurar saber mais sobre o trabalho dela. Parabéns pelo weblog mais uma vez! Grande beijo :)

  8. 8Zabéti

    Mais uma vez parabéns, Paula! Adorooooo a Carol e me identifico muito com ela, pois convivemos no mesmo meio e temos idéias bem parecidas sobre essa superficialidade toda! AMEI entrevista! o Blog tá demais! Bjssssss

  9. 9Marina

    Ah, vc já ouviu falar na FLIP?

    http://www.flip.org.br/index1.php3

    Acho que vc ia amar!

    ! =)

  10. 10Marina

    Oi Paula!

    O e-mail do curso de auto maquiagem é caca.makeup@hotmail.com

    Beijiocas!!!

  11. 11Carolina Casanova

    Paulaaa!

    Que saudade!! Tbm sumi um pouco por conta da SPFW!…Mas, anyway, tem post novo lá no Fashion FAB!

    A entrevista tá ótema e a Carol é mesmo um arraso, babe!!

    Superbeijoooooo

  12. 12Elenara

    Oiii
    Eu sou gaúcha, de Porto Alegre e acompanho a vida da Carol, seja por suas obras ou pelo seu blog e em todas as outras áreas em que ela atua, assim falar dela pra mim é total familiar. Ela é encantadora, graças a ela voltei a querer escrever e a acreditar em mim, ela é uma inspiração por si só e com certeza o que ela tem de mais belo é a sua simplicidade. Parabéns Carol!!! Já seus dois primeiros livros e anseio pelo 3º que está por vir. E quanto ao seu blog Paula, não conhecia, mas com certeza fará parte dos meus favoritos a partir de agora. :D Vou explorar por aqui, um beijo a todos e obrigada por trazerem tanta cultura a nossas vidas.

  13. 13carol teixeira

    Agora sou eu que vou comentar! :)
    Vocês são umas queridas!!! Muito obrigada pelos comentários carinhosos! Adorei!
    mil beijos a todas

  14. 14Trabalho em Casa

    Jóia esta entrevista, parabéns a paula pelas perguntas e a Carol pelas respostas. os comantários também estão show! Desejo sucesso :-)

  15. 15Ally C.

    Não posso acreditar que não conhecia esta escritora.
    Achei a entrevista incrível e espero logo em breve adquirir seus livros. Só espero que os livros sejam tão bons quanto esta entrevista.

  16. 16Jaqueline

    Fantástica essa entrevista, parabéns pra as duas, pois houve uma grande sintonia!
    Carol quero ler seu livros, gostei do seu estilo!!

    grande abraço a vcs!
    Jackie

  17. 17luciane jardim

    li o livro verdades e mentiras e é realmente bacana,com ideias,com realidade,gostoso!só lendo!carol querida,um super beijo pra ti,tu és fantástica!!!adorei teu estilo,és um exemplo pra mim que quando já estava desistindo de meus sonhos de escrever e desistindo de meu próprio estilo de ser,pois tbm não consigo aceitar o mundo pronto, e as pessoas tem dificuldade de compreender isso e assim a convivência torna-se complicada,,então,
    te descobri e tdo se iluminou!!! sucesso pra nós! lu

  18. 18Julyelen

    Parabéns adorei, exemplo :)

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